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Artigo

A importância de uma eclesiologia bíblica para missões

Mark Collins 20 de Março de 2017 - Igreja e Ministério

 “O que é uma igreja?”

Essa era a pergunta que mais temia. Eu tinha 28 anos e havia sido promovido de líder de equipe de missões para diretor regional. Estava sentado em nossa reunião mensal de líderes, com outros 10 líderes de equipe representando mais de 80 missionários de tempo integral apoiados, que serviam na janela 10/40.[1] Nossas discussões deveriam ser motivadoras e encorajadoras, e muitas vezes eram. Falavámos sobre a estratégia de evangelização e dar frutos, sobre discípulos em crescimento e o potencial de multiplicação no futuro. Mas, então, alguém faz AQUELA pergunta, ou uma semelhante. A nossa meta é plantar igrejas? Nós estávamos fazendo isso? E, a propósito, concordamos mesmo sobre o que é uma igreja? O que faz uma igreja ser uma igreja?

Eu temi a pergunta porque não sabia a resposta. Pior, sabia por repetidas discussões infrutíferas que ninguém na sala sabia a resposta. Não sabíamos como definir uma igreja, muito menos uma igreja boa ou saudável. Qual era a diferença entre uma igreja e um encontro de 25 estudantes em um campus universitário? Havíamos começado muitos destes. Qual era a diferença entre uma igreja e 30 profissionais de negócios reunidos para um estudo bíblico regular?

Essa não era apenas uma questão acadêmica para nós. Pela graça de Deus, tínhamos testemunhado que Deus estava produzindo frutos maravilhosos através dos nossos trabalhos. Então, enquanto realizávamos essas discussões, sabíamos que crentes se reuniriam naquela mesma semana. Essas reuniões eram repletas de pessoas que havíamos discipulado, muitas das quais esperavam em nós por direção. Rapidamente, as pessoas descobriram que não tínhamos muito a oferecer.

A mesma história em todos os lugares

Desde meus dezenove anos, quando entrei pela primeira vez no campo missionário, eu vi e ouvi a mesma história sendo repetida entre organizações e regiões. Muitas vezes os missionários ocidentais não têm muito a dizer sobre a igreja, pelo menos não com clareza bíblica. Entre os evangélicos, felizmente, o evangelho em geral permanece claro, a inerrância da Escritura é comumente afirmada e a importância da teologia é normalmente reconhecida. Mas, e quanto à igreja?

Pergunte a alguns missionários que você conhece se eles conseguem explicar como o seu trabalho se relaciona com a tarefa de plantar igrejas, e você terá menos respostas do que espera. Pergunte-lhes como eles definem a igreja e como é uma igreja saudável, e você terá menos respostas ainda.

A realidade é que quando você envia missionários, os apóia e faz parceria com outros para apoiá-los, você está exportando uma doutrina da igreja. Ao longo dos anos, concluí que muitas vezes estamos exportando uma eclesiologia ruim.

E os resultados no campo missionário podem ser trágicos.

Como chegamos a esse ponto?

Provavelmente, há muitas coisas que contribuem para o problema. Sugiro três.

1. Igrejas que enviam, muitas vezes, consideram as missões como algo que podem terceirizar para outros.

Os líderes da igreja são capazes o bastante para lidar com as questões internas da sua própria igreja; logo, supervisionar e mobilizar missionários amiúde vezes parece estar além da sua capacidade ou experiência.

Certamente é verdade que buscar agências missionárias para atender a essas necessidades tem muitos benefícios. Mas o problema com isso é que as igrejas muitas vezes superestimam o que uma agência de envio de missionários pode fazer. Por exemplo, nenhum processo de candidatura pode substituir a avaliação do dom e a qualificação de uma pessoa através do seu envolvimento regular na vida de uma igreja local. Esse tipo de investigação deve começar no início do processo, e não ser uma lista de verificação rápida quando um formulário de referência da igreja for repentinamente necessário.

2. Agências de envio messionário são terceirizadas, mas não têm clareza quanto à doutrina da igreja.

As agências de envio são criadas com uma determinada ênfase ministerial, ou criam uma enquanto se desenvolvem. Algumas decidem se concentrar no evangelismo entre um determinado segmento da população, como estudantes ou profissionais de negócios. Outros grupos enfatizam a formação de líderes em um determinado currículo teológico. Outros ainda se concentram em plantar novas igrejas em uma determinada região ou em meio a um povo específico.

O que parece raro nesses cenários é que a agência avalie adequadamente o “sucesso” considerando a longo prazo o quão saudáveis serão as igrejas que plantaram. Como um líder de nível médio na minha agência de envio, lembro-me da luta de viver entre a tensão de metas organizacionais mensuráveis ??(quantos grupos novos você começou?) e o desejo de que nosso trabalho fosse viável a longo prazo. Minhas tentativas de ter conversas sobre o quão saudável era o nosso trabalho à parte de números absolutos não iam muito longe.

3. Os próprios missionários não sabem qual é o seu objetivo.

Diz o ditado: “Mire o nada e você sempre o alcançará”. Todos os missionários no campo tentam fazer um bom trabalho. Eles compartilham a sua fé, buscam discipular novos crentes e oram para que Deus abençoe a obra. Esse é um bom começo, mas não é o mesmo que ter uma perspectiva clara de uma igreja plantada funcionando de forma bíblica e obtendo os seus próprios recursos para o ministério. Eles não têm essa visão porque não entendem o que a Palavra de Deus diz sobre a igreja local e o papel central que ela desempenha no cumprimento da Grande Comissão.

O que pode ser feito?

O que você, como pastor, pode fazer para ajudar a exportar uma eclesiologia melhor?

1. Avalie de forma prática o seu programa de missões.

Como o pastor, você conhece a qualidade das pessoas que está enviando? Sabe o que essas pessoas realmente estão fazendo no campo? Você pediu que elas descrevessem o seu trabalho em detalhes? Fez do progresso do trabalho deles uma parte da vida de oração da sua igreja? Seus líderes e membros investiram para ver a plantação de igrejas saudáveis ??por meio dos seus missionários?

2. Considere a primeira viagem missionária de Paulo como um modelo para missões (Atos 13-14).

Concentre-se na qualidade dos missionários e não na quantidade. O Espírito fez com que a igreja em Antioquia enviasse Paulo e Barnabé, dois dos seus melhores homens (Atos 13.2)! Busque incentivar aqueles que já estão ministrando no contexto da sua igreja a pensarem e a orarem sobre missões.

Faça do trabalho dos missionários uma parte central da vida de sua igreja. O envio de Paulo e Barnabé foi um tempo de jejum e oração para toda a igreja (Atos 13.3). De modo semelhante, considere como você pode orar por seus missionários mais consistente em sua própria igreja. Use a sua oração pastoral e as reuniões de oração da igreja como momentos para orar regularmente pelo trabalho dos missionários que você apóia e pela evangelização de pessoas ao redor do mundo.

Incentive os seus missionários a manterem seus olhos na recompensa de plantar igrejas saudáveis. Paulo e Barnabé não apenas pregavam ou somente discipulavam; eles continuaram a visitar e pastorear até que fossem nomeados presbíteros em cada igreja (Atos 14.23). De modo presumível, isso é o que a igreja de Antioquia esperava que eles fizessem. Portanto, peça aos possíveis missionários que articulem um plano de ministério que inclua plantar igrejas e pastoreá-las de modo que sejam saudáveis.

Peça aos missionários que se preparem para fazer um relatório completo à igreja. Paulo e Barnabé reuniram a igreja e “relataram quantas coisas fizera Deus com eles” (Atos 14.27). Durante uma licença recente, fui solicitado pelos conselhos de presbíteros de várias igrejas apoiadoras a fazer um relatório para eles. Eu amei! No íntimo, os missionários desejam saber que as suas igrejas apoiadoras estão junto com eles em toda tarefa de plantar igrejas no exterior. Também amamos a responsabilidade de saber que precisamos compartilhar mais do que apenas algumas fotos com pessoas nativas e sorridentes.

3. Considere fazer mais com menos.

Finalmente, a exportação de eclesiologia ruim provém da ideia ocidental de que “mais” necessariamente significa mais. Enviamos mais trabalhadores e pedimos a eles mais resultados. Medimos nosso sucesso em termos de mais profissões de fé e mais igrejas plantadas, sem perguntar sobre o quão saudáveis são os “convertidos” ou as “igrejas”. Eu acho que nós inerentemente sabemos que muitos dos sistemas locais visam a abrangência em vez da profundidade, mas não sabemos como muda-los.

Um começo simples seria, ao longo do tempo, passar a apoiar menos pessoas de uma forma melhor. Dê mais dinheiro a menos missionários. Guarde algum dinheiro para enviar regularmente um presbítero para visitar o trabalho desses missionários. Possibilite que os missionários em licença passem mais tempo em sua igreja. Acima de tudo, considere o trabalho deles como o seu trabalho. Faça de seu objetivo não apenas liderar uma igreja saudável, mas ver igrejas saudáveis serem ??plantadas em todos os lugares para os quais você está enviando missionários.

 

#1: N.T.: O termo “janela 10/40” representa uma grande multidão de pessoas que ainda são alvo de empreendimentos missionários do povo de Deus. Trata-se da área de maior perseguição a cristãos, abrangendo 62 países, dentre eles: China, Índia, Indonésia, Japão, Bangladesh, Paquistão, Turquia e Irã. Na “janela 10/40” vivem 97% das pessoas menos evangelizadas do mundo. Estima-se que haja 1,6 bilhões de muçulmanos, hindus e budistas vivendo nessa “janela” e em alguns países a igreja cristã tem sido quase eliminada como resultado da opressão e perseguição islâmica.

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Autor Mark Collins

Mark Collins é pastor e plantador de igrejas que vem ministrando na Ásia há 18 anos. Ele mora lá com sua esposa Megan e cinco filhos, mas...



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