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Artigo

Ajudando pessoas que não querem ajudar a si mesmas

Mez McConnell 16 de Maio de 2017 - Igreja e Ministério

Aqueles de vocês que me conhecem pessoalmente ou têm acompanhado este blog por algum período saberão que eu li vários livros. Um tempo atrás eu li um livro intitulado “Toxic Charity: How the Church Hurts Those They Help (and How to Reverse It)” [Caridade Tóxica: Como a Igreja Fere Aqueles que Ajuda (e Como Reverter Isso]. Incluirei um breve resumo aqui, embora essa não seja a questão principal deste artigo.

O livro tem 10 capítulos e é escrito por Robert L. Lupton, o fundador da FCS Urban Ministries. Seu objetivo é ajudar as igrejas cristãs a pensarem mais cuidadosamente sobre o tipo de “ajuda” que estão dando aos pobres e oprimidos, particularmente nos países do segundo e terceiro mundo. De acordo com Lupton, as “boas intenções”, embora admiráveis, são muitas vezes perigosas e contraproducentes para aqueles que estamos buscando ajudar, se não temos pensado nas implicações seriamente de modo antecipado. De acordo com Lupton, em vez de encorajar a dependência, deveríamos buscar formas pelas quais nossa doação e/ou ajuda possa produzir mais independência.

Esse é um livro realmente útil para aqueles de nós que trabalhamos em áreas onde a “caridade tóxica” é uma preocupação real. Eu recomendo que você compre uma cópia, medite lentamente e tire as suas próprias conclusões. Considere a seguinte citação:

Para que pessoas desfavorecidas floresçam em seu potencial pleno, que é dado por Deus, devem abandonar dependências que impeçam o seu crescimento. As iniciativas que impedem o seu desenvolvimento, embora motivadas corretamente, devem ser reestruturadas para fortalecer a autossuficiência, se quiserem se tornar agentes de mudanças duradouras e positivas.

Em Niddrie, estamos constantemente avaliando e reavaliando todos os nossos ministérios e evangelismo. Temos tentado (e falhado) com várias iniciativas locais para ajudar aqueles que têm dificuldades financeiras. Atualmente, ainda estamos nos primeiros dias do desenvolvimento de nossa estratégia de discipulado “de volta ao trabalho”, que tem visto 3 de nossos participantes em um emprego de tempo integral nos últimos dois anos. Estamos regularmente tentando pensar em iniciativas que se concentram no desenvolvimento de uma ética de trabalho para nossos novos crentes, a fim de que eles (1) não continuem ociosos e (2) reconheçam que Deus os salvou para algum “trabalho de serviço” específico (seja vocacional ou no local de trabalho). Embora essas ideias sejam boas, enfrentamos alguns sérios obstáculos. De acordo com Lupton (falando sobre microcréditos):

Organizações experientes de microcrédito identificaram três elementos essenciais para microcréditos bem-sucedidos: O mutuário deve ter: (1) uma ética de trabalho firme, (2) um instinto empresarial evidente e (3) um sistema de apoio estável. Como as pernas de um banco de três pernas, todos estes três devem ser a base do mutuário ou a transação não se sustentará.

Ainda há vestígios dessa ética aqui em Niddrie. Muitos moradores trabalhariam arduamente, às vezes com 2 ou 3 postos de trabalho para aumentar sua renda. Infelizmente, o advento do Estado de bem-estar social e o enorme aumento da cultura da droga (prescritas e outras) têm nos deixado com uma subcultura (hardcore) sem ética de trabalho, sem iniciativa e sem rede de apoio familiar. As pessoas não têm nenhuma motivação para trabalhar duro, porque, em última análise, sabem que o Estado irá socorrê-las como tem feito por gerações. Geralmente, as pessoas estão felizes “sobrevivendo” com seu seguro-desemprego e subsidiando a sua renda com um pouco de trabalho esporádico (dinheiro na mão, você entende).

Niddrie não é a África ou alguma outra nação do segundo ou terceiro mundo onde muitas pessoas (ao que parece) têm um espírito mais empreendedor. Muitas pessoas nessas nações trabalharão duro fazendo quase qualquer coisa em um esforço para prover para as suas famílias, e eles não se importam em trabalhar 18 horas por dia (há muitos que são vagabundos e preguiçosos também!). É claro que a vantagem em muitos desses países (e eu o vi pessoalmente no Brasil) é que as pessoas não estão sujeitas às mesmas regulamentações governamentais e restrições financeiras quando se trata de início de negócios e atividades empreendedoras. Mas, ainda assim, pergunte a um morador médio de Niddrie que entra em nossa cafeteria qual é o seu sonho e eles olharão para você sem entender. Quanto a uma rede de apoio estável, esqueça isso. A criança abusada de ontem, criada por um pai alcoólatra e uma mãe que ama Valium, agora é, ela própria, um “pai” (eu uso esse termo de modo proposital, já que vejo um número crescente de “mães” com pais ausentes aqui). É trágico. Como podemos mesmo começar a pôr em prática algumas das nossas ideias de “estímulo comunitário”, quando o individualismo e a ruptura familiar são praticamente o padrão do nosso bairro para muitos daqueles que precisam da nossa ajuda e apoio? A resposta é óbvia, mas, à primeira vista, a muitos parece ser banal e muito simplista. Eu a afirmarei, apesar disso.

Devemos continuar a pregar o único e verdadeiro evangelho salvífico do Senhor Jesus Cristo mais forte e claramente, orando por um avivamento espiritual profundo e pessoal, e por renovação nas mentes e corações dos nossos ouvintes.

É isso. Leia-o novamente. Devemos pregar a Cristo, e este crucificado. Nós nunca devemos apresentá-lo como uma opção de autoajuda, como alguém que veio para tornar a sua vida melhor ou para lhe dar outra esmola. Ele veio chamar todos nós a “negarmos a nós mesmos e tomarmos a nossa cruz diariamente”. Ele está chamando todos nós a uma vida de arrependimento contínuo. Eu realmente creio que apenas uma ação do Espírito Santo de Deus na vida de uma pessoa vai motivá-la para uma vida de independência construtiva. Antes que isso ocorra, elas precisam nascer de novo. Nenhuma renovação espiritual é igual a nenhuma renovação física e comunitária. Fato. Agora, muitos dos meus amigos mais queridos e respeitados argumentarão que o principal trabalho da igreja é proclamar o evangelho e deixar o restante dessas coisas para o Estado ou outras agências externas. Eu concordo de todo o coração.

A questão vem em lidar com o novo crente que passou os últimos 30 anos de sua vida em um torpor induzido por droga, vivendo às custas do Estado e morando em casa com sua namorada e 3 filhos. Oh, e para não mencionar os outros 4 filhos que ele tem com outras 3 mulheres no bairro. Ele agora se torna nosso “problema” quando indicamos com o que se assemelha o discipulado bíblico para ele. Como incentivá-lo a começar a fazer uma contribuição positiva para a sociedade em vez de apenas receber o tempo todo? Como podemos livrá-lo de um sistema de benefícios que realmente o deixa financeiramente melhor desempregado?

Na NCC, temos testemunhado que a única maneira pela qual uma pessoa pode ser estimulada a se afastar do sistema de benefícios e entrar no mercado de trabalho é através do poder do Espírito Santo de Deus. Ele não somente salva as almas perdidas, mas Ele é o grande motivador quando se trata da completa mudança das vidas. É por isso que temos visto dependentes químicos de longo prazo conseguirem o(s) seu(s) primeiro(s) emprego(s) em décadas. E a rede de apoio que eles precisam, mas não têm em casa? É a igreja local, o corpo local de crentes que os encoraja, repreende-os, corrige-os e ajuda a mantê-los motivados. Nosso amor e discipulado não param porque eles entraram no mercado de trabalho. Em Niddrie, buscamos que as pessoas se encaminhem à independência quase desde o momento em que chegam à fé. Nos primeiros dias, incentivamos as pessoas a se voluntariarem na cafeteria da comunidade e ajudarem com a manutenção do edifício, como um primeiro passo na escada. Aqueles que estão em busca de facilidade logo ficam fartos e saem, mas aqueles que, de fato, querem seguir em frente com suas vidas, permanecem e trabalham arduamente. Com frequência, o próximo passo é um trabalho voluntário na comunidade um dia por semana. Esses são passos de bebê, mas são passos na direção correta. Trata-se do único sistema que temos no momento para separar o trigo do joio. É um objetivo de longo prazo, mas estamos começando a ver os primeiros sinais de resultados.

Por enquanto, não elaboramos uma estratégia 100% bem-sucedida e praticável. Eu suspeito que vamos nos confundir, cometer erros e sair da outra extremidade mais sábios. Todas as sugestões são seriamente bem-vindas. Eu sei que, apesar de estruturarmos as coisas aqui, precisamos: (1) manter o evangelho como a coisa principal, (2) manter a igreja local como o centro de tudo o que estamos fazendo, (3) ver todos os projetos como um meio para a proclamação do evangelho e/ou discipulado em curso, (4) assegurar que toda a renda gerada seja reinvestida na comunidade, e (5) ser programados para assegurar futura liderança nativa.

Ore por nós enquanto pensamos nessas coisas. Escreverei mais sobre essas questões.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: How Do we Help Those Who Won’t Help Themselves?

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Mez McConnell
Autor Mez McConnell

É pastor sênior da Niddrie Community Church, Edimburgo, Escócia. É fundador do 20schemes, um ministério voltado para...



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20schcmes existe para edificar igrejas saudáveis centradas no evangelho para as comunidades mais pobres da Escócia. Nosso desejo de longo prazo...