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Artigo

Plantação de igrejas exigem pastores, não empreendedores

Matt McCullough 10 de Julho de 2017 - Igreja e Ministério

Quando fui avaliado pela primeira vez como um plantador de igrejas, lembro-me que as pessoas muitas vezes me perguntaram se eu me considerava alguém do “tipo empreendedor”. Eu acredito que essa foi uma pergunta justa.

Foi justa em parte por causa dos meus antecedentes. Imagine a pergunta feita com sobrancelhas levantadas: você acha que é um empreendedor? Até aquele momento, eu nunca tinha começado nada na minha vida além de uma longa sequência de programas de graduação. Meu trabalho em tempo integral havia sido como uma pequena engrenagem em uma grande roda universitária que não precisava de mim para continuar funcionando. Como a maioria dos estudantes de graduação, estava muito feliz em continuar lendo, escrevendo e ensinando na zona estreita do meu campo escolhido, falando apenas com as poucas pessoas que já estavam interessadas ou com um público ligeiramente maior que deveria prestar atenção. O que quer que um plantador de igreja típico fosse, eu não me encaixava no padrão.

Mas essa pergunta comum fazia sentido, dado o meu passado, por causa de uma suposição comum que fica logo abaixo da sua superfície. Acredito que muitas vezes assumimos que a plantação de igrejas requer mais habilidades empresariais do que outros contextos pastorais. Essa é uma suposição correta? Os plantadores de igrejas devem ser empresários?

Isso pode ser útil

É claro que a resposta a essa pergunta depende do que entendemos por “empreendedor”. O dicionário de inglês Oxford define um empreendedor como “a pessoa que cria uma empresa ou empresas, assumindo riscos financeiros com a esperança de lucro”. Na Harvard Business School, um empreendedor é alguém que busca “uma oportunidade além dos recursos controlados”.

Essas definições vêm de um contexto de negócios que não descreve exatamente o contexto da igreja local, mas é provável que você perceba por que associamos a plantação de igrejas e o empreendorismo. Os plantadores de igrejas estabelecem algo “a partir do zero”. Eles fazem isso onde identificaram uma oportunidade importante, algum tipo de lacuna no que já está disponível. E muitas vezes eles têm que estar confortáveis compensando os recursos limitados com o seu próprio tempo, suor, criatividade e flexibilidade.

Como plantador de igrejas, você precisa estar disposto a fazer o que precisa ser feito. Você não pode confiar em uma máquina bem ajustada na qual você tenha uma função limitada, fazendo apenas aquilo em que você é bom, enquanto outros especialistas tratam do restante. Como não há estruturas no local, você precisa planejar, perceber o contexto geral e reconhecer quais etapas seguir para alcançar os seus objetivos. Você precisa lidar com a mudança constante do contexto e não pode negligenciar as várias tarefas menores que cada dia pode trazer.

Mas isso não é necessário e não é o suficiente

Dito tudo isso, sou uma prova viva de que novas igrejas podem prosperar sem “pastores empreendedores”. Você apenas precisa ter os líderes certos ao seu redor. Uma pluralidade de presbíteros é algo belo. Nenhum de nós deve ser autossuficiente, e meus colegas líderes têm preenchido as muitas lacunas em minha própria experiência e em meus instintos.

Mas minha experiência pessoal é quase irrelevante. Ser considerado como um empreendedor não é necessário, antes de mais nada, porque Deus não diz que é. Um espírito empreendedor não está em nenhuma lista de qualificações bíblicas. Certamente, isso pode ser útil em um contexto de plantação de igrejas, mas qualquer vantagem é prudencial, não bíblica.

Você pode liderar uma plantação de igreja e não ser um empreendedor. Mas você não deve liderar uma plantação de igreja se você não for um pastor.

Afinal, “plantação de igreja” é, em si, um termo equivocado. É uma declaração sobre cronologia, não ontologia. Plantações de igreja são igrejas, e as igrejas não precisam de empreendedores no final das contas. Elas precisam de pastores. Elas precisam de alguém que ensine a Bíblia, que as aconselhem em direção a vidas dignas do evangelho e que as capacite para o seu ministério uns para com os outros.

É claro que, em contextos de fronteira, algumas pessoas precisam ir de lugar em lugar iniciando novas igrejas, como Paulo fez. Talvez seja para isso que Deus chamou você. Mas uma das principais prioridades de Paulo era prover pastores para as igrejas que ele plantava (Atos 14.23; Tito 1.5). E, nesse meio tempo, tanto pessoalmente, quanto através de suas cartas, ele também fazia o trabalho de um pastor.

Duas perguntas para “tipos empreendedores”

Se você é atraído pela plantação de igrejas devido à sua coceira empreendedora, porque você gosta de um novo começo com novos desafios, você será vulnerável a um conjunto único de perigos. Aqui estão algumas perguntas que você deve considerar antes de participar desse trabalho.

Por que você deseja plantar uma igreja?

Os empreendedores veem oportunidades em lacunas do mercado. Eles percebem alguma necessidade insatisfeita, alguma demanda inexplorada e descobrem como preencher o vazio. Para alguns empreendedores, qual é a lacuna é menos importante do que o fato de haver uma lacuna. Um escritor da Forbes.com diz que o empreendedor é conduzido por “um impulso primordial, independente do produto, serviço, indústria ou mercado”. Eles não são necessariamente mais atraídos para um produto do que para qualquer outro. Eles simplesmente amam a oportunidade de começar algo no espaço inexplorado.

Mas esse motivo nunca será suficiente na plantação de igrejas saudáveis. Em vez disso, você deve ser conduzido por um amor pelas igrejas locais e pela obra específica de liderar uma delas. Se o seu motivo principal é a emoção de um novo empreendimento, você provavelmente terá dificuldade com o trabalho rotineiro e de longo prazo que a sua igreja precisará, o tipo de trabalho que é a essência do ministério pastoral.

Você precisará atentar profundamente aos detalhes da vida das pessoas. Essas pessoas podem não mostrar muito progresso por um longo tempo. Elas podem não se submeter de forma rápida ou fácil ao seu conselho. Mas esse é o trabalho do ministério pastoral em qualquer igreja saudável. A perseverança a longo prazo, se Deus permitir, é o caminho para o maior fruto nas vidas de seu povo; é também o caminho para a sua alegria mais profunda.

O que torna a sua nova igreja necessária?

Tenho dito que os empreendedores veem oportunidades em lacunas do mercado. Eles desenvolvem e depois oferecem produtos que ainda não estão disponíveis. Isso também é verdade quanto à plantação de igrejas. Mas devemos ter cuidado com a forma como identificamos a lacuna e o produto que desejamos oferecer.

A única boa razão para plantar uma igreja é que uma área geográfica específica precisa de mais igrejas saudáveis ??do que já tem. Por “igreja saudável” quero dizer uma reunião semanal onde as pessoas ouvem e respondem à Palavra de Deus nos termos de Deus. Quero dizer uma comunidade que glorifica a Deus pela qualidade de sua vida em conjunto. Uma cultura em que cada pessoa assume a responsabilidade pelo discipulado dos outros, e onde esse discipulado capacita e mobiliza pessoas para o ministério onde Deus as colocou. O que as igrejas saudáveis ??compartilham, em cada momento e lugar, é muito mais importante do que qualquer característica contextual que elas não compartilham.

Se a lacuna que você deseja preencher é mais específica do que a igreja local saudável em geral, caso se trate de uma abordagem inovadora do ministério que você deseja oferecer, então você provavelmente enfatizará coisas que a Bíblia não prescreveu e que Deus não prometeu abençoar. E se o seu objetivo é separar a sua nova igreja da igreja que já existe na mesma rua, então você estará arriscando o surgimento de uma divisão.

Você também pode enfrentar outra tentação nessa empreitada: você pode ver a si mesmo como o produto exclusivo que o mercado precisa, o objeto de sua demanda inexplorada. O dicionário de inglês Oxford online oferece uma subcategoria à sua definição de empreendedor: “um promotor na indústria do entretenimento”. Minha percepção é que essa nuance de significado pode estar presente, pelo menos sob a superfície, quando insistimos que um plantador de igrejas também deve ser um empreendedor. Podemos acreditar que o que uma igreja precisa para ser bem-sucedida é do líder certo, uma personalidade carismática como a “identidade” da igreja.

Mas se você é o produto que escolhe promover, então você está entrando em um cenário de perda garantida. Se você falhar, não terá mais ninguém a quem culpar; e se a sua igreja prosperar por sua causa, você terá edificado algo diferente de uma comunidade bíblica. Você obteve glória para si mesmo, não para Deus.

O crédito para o sucesso de qualquer igreja é um “jogo de soma zero” [1]. Afinal, se quisermos ser fiéis plantadores de igrejas, devemos concordar com João Batista: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (João 3.30).

 

#1: Um jogo de soma zero se refere a jogos em que o ganho de um jogador representa necessariamente a perda para o outro jogador — N.T. 

 

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Matt McCullough
Autor Matt McCullough

Matt McCullough é pastor na Trinity Church em Nashville, Tennessee.



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