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Artigo

Como saber estou tendo êxito como plantador de igreja

Mez McConnell 25 de Julho de 2017 - Teologia

Quanto mais eu (começo a) entender a mentalidade americana a respeito de plantar igrejas, fica mais claro que muitos (não todos) dos nossos “primos” diferem de nós quanto à noção de sucesso. Como sabemos quando o alcançamos? Como podemos avaliar quando temos tido sucesso no plantio? Alguns pensam que o “número mágico” é nada menos do que 200. Alguns pensam em mais, não muitos pensam em menos. Alguns pensam que uma plantação não deve começar com menos de 70 pessoas e, novamente, outros diferem sobre isso. A maioria concorda que parece mais fácil “dar à luz um novo bebê” do que “revitalizar” uma igreja existente em dificuldade. Quase 100% pensa que a cidade será ganha através de “pequenos grupos”. Todos estão com medo da palavra “fracasso”, mesmo que eles falem como se isso realmente não importasse. Todos desejam ser bem-sucedidos. Como uma pessoa me contou: “Não sentirei que eu realmente tenha feito alguma coisa até que o tenha feito no contexto de plantação de igrejas”. Foi-me dito que se você não tiver feito isso enquanto tiver com 40 anos, em Nova York, então você precisa sair e abrir caminho. Parece que esse é o caminho para o plantio de igrejas também. Lembro-me vividamente de um jovem que uma vez se apresentou a mim como um “treinador de líderes da igreja”. Ele tinha 21 anos. Resisti ao impulso de rir dele.

Estes são tempos estimulantes, mas também tempos perigosos para ser um plantador de igrejas. Eu tenho feito isso por mais de uma década e ainda me sinto ignorante. Ainda assim, crianças estão saindo do ensino médio pensando que têm entendido tudo isso. Outros veem os Mark Driscoll do mundo e imaginam que imitar o seu expressivo crescimento da igreja os tornará “famosos”. O problema não é tão ruim no Reino Unido. Se há algo, é o oposto, embora haja um clamor crescente pela plantação de igrejas. Aqui, os homens jovens não querem mais entrar no pastorado e ninguém pode culpá-los. Igrejas morrendo agarram-se às tradições moribundas, esperando que os jovens entrem e apenas mantenham o status quo. É por isso que a plantação de igrejas parece uma proposta estimulante para muitos. Mas estou preocupado que, ao deixar os homens jovens e bem-sucedidos soltos nesse cenário, podemos (a) causar danos a eles e aos outros e (b) perder muita experiência de homens piedosos que têm trabalhado durante anos no ministério. Esses homens podem não parecer “divertidos” e “modernos”, mas eles têm se esforçado no altar de sacrifício e sofrimento e podem ter algo a contribuir para a igreja!

Pessoalmente, aprendi sobre o meu ofício por três anos antes de plantar minha primeira igreja no Brasil e, em seguida, passei a revitalizar o trabalho aqui em Niddrie. Quando as pessoas me pedem para avaliar o quão bem-sucedido eu sinto que tenho sido, dou-lhes esta resposta: O fato de nestes 15 anos eu ainda estar amando a Jesus e ainda estar no ministério é, em si, um milagre do poder e da graça sustentadora de Deus em minha vida. Eu nunca pastoreei igrejas de mais de 80 membros, mas ambas as igrejas que plantei/revitalizei aumentaram muito em termos de equipes, líderes e alcance comunitário crescentes. Porém, acima de tudo isso, busquei ser fiel ao evangelho e prestar atenção ao comando de Jesus: pregar a palavra, batizar e discipular os que estão sob os meus cuidados. Para mim, a fidelidade a Deus diante das minhas dificuldades é muito mais importante do que as pessoas pensarem se eu sou bem-sucedido ou não (pelo menos é o que gosto de dizer a mim mesmo. Isso é verdadeiro, às vezes, em meus melhores momentos!).

Acho que Gênesis 6.9-22 é muito instrutivo a esse respeito. Considere o pobre e velho Noé quando finalmente entrou na arca. Aqui está um homem que teve um ministério difícil. Ele pregou a Palavra de Deus por mais de 100 anos e somente a sua família embarcou com ele. Quão complicado deve ter sido isso? Você consegue imaginá-lo em algumas das conferências de plantação de igrejas de hoje? Posso lhe dizer uma coisa: ele não seria o orador principal, não é? “Venha e ouça meu seminário sobre como pregar infinitamente sem nenhum fruto”. Que conselho você acha que ele receberia de seus companheiros plantadores? Eles estariam rindo atrás de suas costas. Chamariam Noé de tolo, desatualizado, fundamentalista e reducionista. Talvez ele tivesse se beneficiado de uma banda “estimulante” na arca? Isso atrairia os jovens de alguma maneira. Talvez ele devesse ter passado mais algum tempo “se conectando” com a cultura, em vez de advertindo contra ela? Talvez ele devesse ter convidado mais pessoas para jantar na arca? Será que ele sequer tentou ter “pequeno grupo missionário” fora do campo? Talvez ele devesse ter “gastado mais tempo ouvindo e menos tempo pregando”? Talvez ele devesse ter entregado a liderança a um homem mais novo com novas ideias e novas perspectivas? Infelizmente, a verdade é que Noé seria um fracasso em muitas de nossas abordagens do século XXI para o sucesso e plantação de igrejas. Ele seria o homem que estaria na seção “Como não fazer” do manual de plantação de igrejas. E, ainda assim, lemos estas Palavras de Deus em Hebreus 11.7:

Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé.

Foi a sua fé que Deus elogiou, e não o seu assim chamado “sucesso”. Ele construiu a arca “sendo temente”. Sua fé em Deus significava que ele prosseguia mesmo diante da indiferença, hostilidade, dúvida e escárnio. Sei como me sinto quando prego de coração em um domingo e as pessoas apenas me desprezam. Ou quando estou compartilhando o evangelho com alguém e eles são muito cegos e duros de coração para que vejam a verdade. Isso me machuca. Isso me faz questionar a mim mesmo e a minha vocação. E aquele homem fez isso por mais de 100 anos! Ano após ano; semeando, mas não colhendo (pelo menos não em termos terrenos). Nossa compreensão sobre personagens do Antigo Testamento muitas vezes é muito unidimensional. Você não acha que esse homem poderia ter chorado pela frustração? Você não acha que ele poderia ter chorado com a sua esposa pelas pessoas que morreram ao seu redor? Aposto que ele não seguia apenas trabalhando na arca todos os dias com uma canção em seu coração, enquanto ao seu redor as pessoas riam dele e zombavam de sua mensagem. Você não acha que por um minuto a dúvida surgiu em sua mente? Como se ele estivesse fazendo a coisa errada? Ou que ele ouviu a Deus de forma errada? Ou que talvez ele tenha sido tentado a suavizar um pouco a mensagem? E, no entanto, aqui está ele, herdeiro da justiça, exaltado como um exemplo do que um verdadeiro servo de Jesus parece. E não posso deixar de pensar que ele se destaca como um alerta para muito do nosso Cristianismo baseado em resultados. Eu realmente creio que nosso Deus valoriza mais a nossa fidelidade aos seus mandamentos do que os resultados gerados por seu Espírito Santo. Leia essa frase e pense nela. Nossa fidelidade nem mesmo é nossa, para que a pleiteemos. Da mesma forma, nossos sucessos, quando eles ocorrem, pertencem a Deus. Tudo isso é dele.

Agora, o problema que temos no Reino Unido é encontrar o equilíbrio entre perseverar na fé quando um ministério está se esforçando por frutos e acabar com algo que estamos muito cegos e orgulhosos para perceber que teve o seu momento. O último é o problema para muitos em nossos conjuntos habitacionais. Temos muitas igrejas moribundas que, com certeza, pensam que estão sendo fiéis a Deus, mas que estão apenas dependendo das suas próprias tradições e modos de fazer as coisas. Eles pensam que se continuarem fazendo o que já fazem, então as pessoas magicamente começarão a aparecer. Mas eles estão errados. Eles têm a ideia de que, enquanto “pregarmos o evangelho, eles virão”. Mas eles estão errados. Eles esqueceram que a Grande Comissão não convida as pessoas a virem, ela nos diz para irmos. Felizmente, nós temos a velha igreja centrada no evangelho, embora os guerreiros lá lutem com necessidades esmagadoras em regiões muito difíceis. Ore por eles para que permaneçam fiéis como Noé.

Os conjuntos habitacionais na Escócia geralmente não são terras férteis para “mega igrejas”, mas estão prontos para o crescimento de igrejas pequenas e comprometidas que, ao se unirem, podem ter um impacto profundo em nossa geração. Mas o que precisamos é de homens e mulheres fiéis. Precisamos de plantadores que tenham um “plano de 20 anos” em vez dos costumeiros 3. Precisamos que as pessoas venham aos lugares que ninguém mais deseja, para que sujem as suas mãos em ministérios lentos e dolorosos com muita oposição interior e exterior. Precisamos de trabalhadores com uma história de fidelidade e não currículos impressionantes que listem os seus muitos sucessos. Precisamos de jovens com cabeça fresca e “corujas” sábias e velhas. Precisamos de pessoas que amem a Jesus e o evangelho.

Noé construiu uma arca em um deserto e as pessoas pensavam que ele estava louco ao fazê-lo. Precisamos de mais Noés para construir seus ministérios nos conjuntos habitacionais da Escócia. Uma das perguntas mais populares que recebo é: Como eu sei se farei isso? A resposta? Eu não tenho ideia. Eu sei que as pessoas pensarão que você está louco ao fazer isso. Eles vão sorrir para você, mas no íntimo, pensam que isso não pode ser feito. Mas se quisermos apenas proclamar com firmeza a Cristo, em fé, em santo temor e com perseverança, talvez não tenhamos “sucesso” aos olhos do mundo, mas, como Noé, um dia podemos nos tornar herdeiros da justiça de Cristo e ouvirmos aquelas doces palavras: “Muito bem, servo bom e fiel”. Nós temos uma oportunidade na vida, então vamos aproveitá-la e deixemos que o Senhor cuide do restante.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: http://fiel.in/2v5L9w5#mce_temp_url#

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Mez McConnell
Autor Mez McConnell

É pastor sênior da Niddrie Community Church, Edimburgo, Escócia. É fundador do 20schemes, um ministério voltado para...



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20schcmes existe para edificar igrejas saudáveis centradas no evangelho para as comunidades mais pobres da Escócia. Nosso desejo de longo prazo...

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