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Artigo

Outras “9 Marcas” de uma igreja saudável

Ed Stetzer 23 de Outubro de 2017 - Igreja e Ministério

Nota do editor: No 9Marcas, temos apreciado aqueles com quem temos em comum as coisas mais importantes, ainda que discordem de nós de forma construtiva (Pv 27.6). Este artigo de Ed Stetzer é um exemplo prático dessa apreciação. Esperamos que você obtenha benefício de seu artigo, assim como nós obtivemos.

***

Quando Jonathan Leeman me pediu para escrever um artigo sobre essa questão, ele enviou o título acima e disse: “Vamos lá, você não ama o título?”.

Veja, ele sabe (e Mark Dever também sabe) que amo a clareza do evangelho e a eclesiologia bíblica, mas estou preocupado com a natureza anti-prática que às vezes vemos nas comunidades 9Marcas.

Este artigo não diz respeito à minha situação, mas à de vocês, a pedido deles, porque eles sabem que compartilho muito em comum. De fato, as últimas igrejas que plantei usaram A Display of God's Glory [Uma Manifestação da Glória de Deus] para descrever nosso sistema de governo. Mas acho que existem algumas questões a serem consideradas na plantação de igrejas. Então, estabeleci nove coisas que puristas 9Marcas deveriam saber, porque nove é um número santo!

1. A pregação não planta igrejas.

Sua pregação não é tão importante quanto você pensa que é, pelo menos não quanto à plantação de igrejas.

Agora, não fique aborrecido ainda; tenha em mente que esta é uma conversa sobre plantação de igrejas. Permita-me ser claro: pregar as Escrituras com exatidão exegética e teológica é essencial, significativo e vital para a saúde de sua igreja, mas essa não é a primeira coisa que você faz. Você também deve criar relacionamentos, compartilhar o evangelho e iniciar grupos.

Você evangeliza uma igreja para que ela exista, e depois você começa a pregar à igreja dos recém-evangelizados.

Sim, pregar e ensinar são marcas de uma igreja bíblica, mas não é assim que você planta uma igreja. A pregação é uma parte de como você pastoreia uma igreja, mas você deve plantá-la (através da evangelização) primeiro.

Agora, se você inicia enviando um grupo, e essa já é uma igreja em funcionamento, essa é outra história sobre a pregação — mas é a mesma história sobre a evangelização. A evangelização precisa ser um condutor se essa é realmente a plantação de uma igreja e não apenas o estabelecimento de um novo ponto de pregação.

Muitos puristas amam pregar mais do que plantar (e, às vezes, mais do que pessoas), levando a uma “plantação” que geralmente tem mais a ver com pessoas que desejam mais e melhores pregações reformadas.

2. Ministério prático e pragmatismo não são a mesma coisa.

Nunca plante uma igreja somente de modo imaginário.

Há um perigo para teóricos e teólogos de que adotem uma metodologia e modos de plantação de igrejas sem entenderem a sua cultura ou contexto específicos. Precisamos de uma visão sobre as pessoas a quem Deus está nos chamando, o que significa que devemos conhecê-las e, então, desenvolver etapas práticas para realmente plantar uma igreja entre elas. Essas etapas práticas podem ser tão simples como conhecer todos os vizinhos da sua rua, convidar as pessoas para que venham com você à igreja, participar de eventos comunitários, etc. A plantação de igrejas não pode permanecer “nas nuvens”, ela precisa ser realizada nas ruas.

E o que você ouviu em uma conferência ou no seminário nem sempre é o mesmo que é aplicado e vivido de forma prática quando você está plantando a partir do centro da cidade para áreas rurais.

 

3. Você planta envolvendo os perdidos, não imergindo na cultura da igreja.

Você não pode viver e amar como Jesus sem passar muito tempo com pessoas que não o conhecem.

Jesus disse que ele veio “buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10), e somos chamados a nos unir a ele em sua missão. Como plantador de igrejas, por mais surpreendente que seja, é difícil separar e dedicar tempo para passar com pessoas que precisam ouvir sobre Jesus. Pode ser fácil desviar-se para o padrão de ensinar aos outros uma metodologia fantástica para buscar aqueles que estão perdidos, mas passar pouco tempo dando exemplo prático disso. Isso pode criar uma igreja de missionários intelectualmente bem capacitados, mas completamente inexperientes. Como plantadores de igrejas, com as várias exigências do seu tempo, vocês devem proteger rigidamente o tempo que gastam com amigos, vizinhos e colegas de trabalho (se vocês têm duas vocações) que ainda não conhecem Jesus. Exemplificar isso e fazê-lo junto com os membros de sua igreja moldará a sua cultura sobre missões.

Muitos puristas têm imergido a si mesmos em uma cultura eclesiástica ou religiosa. Vocês já notaram quão fácil é para nós começarmos a dizer frases espirituais em torno de pessoas que não estão inclinadas espiritualmente? Esse é um sinal da cultura da igreja, não da verdade bíblica, e certamente não é sábio nem atrativo para pessoas normais.

4. O engajamento cultural é crucial e não natural para aqueles inclinados teologicamente.

Você precisa ser tanto teologicamente perspicaz quanto culturalmente engajado para plantar uma igreja de modo eficaz.

Às vezes, as pessoas que são mais adeptas do engajamento cultural tendem a ser menos inclinadas teologicamente, mas essa nem sempre é uma correlação. Muitas vezes, aqueles que têm estudado teologia há anos se acham em falta quanto aos indícios do contexto cultural, e sua pregação fica distante e destoante.

Plantar bem uma igreja envolve “realizar a exegese” da cultura em que Deus o colocou soberanamente. Isso requer tempo, energia, esforço e intencionalidade. Devemos pregar Cristo e as Escrituras com um entendimento fiel da teologia, mas também devemos nos comunicar no contexto linguístico e cultural do nosso tempo. Acho irônico que aqueles que amam os puritanos, às vezes, deixem a prática puritana de “falar de modo claro”.

Você pode e deve estar envolvido na cultura e ser direcionado teologicamente em sua abordagem ao ministério.

5. Você não deve pregar e discipular a sua forma de evangelização. Você deve conduzir sua igreja À evangelização ao se envolver NA evangelização COM os membros.

É um mito que a pregação e o ensino sempre produzirão uma igreja evangelística. Muitas vezes não o farão.

O bom ensino, quando isolado, raramente tem um efeito transformador, embora as pessoas me digam sempre que esse é o seu plano. Os sermões de um pregador devem ser combinados às atividades de sua vida (1Tm 4.16; 2Tm 3.10). Observar você cuidar ativamente da sua própria atividade de evangelização e da deles, pastor, é a ilustração que os seus sermões precisam para criar uma nova cultura. A evangelização precisa ser ensinada e estimulada.

Na verdade, tive uma discussão com um purista 9 Marcas (já mencionei que esse termo foi criado pelo Jonathan?) sobre esse assunto. Ele estava frustrado por ensinar e pregar, discipular e se aprofundar, mas a evangelização não estar crescendo.

Ele concordou em fazer qualquer coisa que eu sugerisse por alguns meses. Então, planejamos dias de evangelização, iniciamos uma nova série que facilitasse os cristãos a trazerem convidados (e então planejamos uma ênfase sobre convidar um amigo), planejamos uma abordagem ampla da igreja na comunidade, organizamos uma estratégia de oração e muito mais.

O resultado final? Ele não fez nada que violasse os seus pontos de vista puristas (esse foi o nosso acordo), mas logo a igreja cresceu, porque foi mobilizada e Deus estava abençoando.

6. Você pode aprender com pessoas que estão alcançando pessoas.

Muitas vezes digo às pessoas que se quiserem obter uma reputação ruim para a sua igreja, comecem a crescer. Os pastores que lideram igrejas que não estão crescendo encontrarão maneiras de explicar o crescimento de outras igrejas como ilegítimo.

Sim, há falsos convertidos. Sim, existem metodologias ruins. Não, não queremos depender do momento. Mas talvez você possa aprender mais perguntando: “O que posso aprender com alguém que está alcançando as pessoas que não estou alcançando?”.

7. Ame Jesus. 8. Pregue o evangelho. 9. Cuide da eclesiologia.

OK. Assumi que todos concordaríamos com estes últimos três. E gostaria que vocês soubessem que nós concordamos em muitas coisas.

Quando Mark e eu falamos sobre isso um dia, eu disse a ele (espero que de uma maneira agradável) que eu cria que ele estava criando uma geração inteira de pastores teologicamente instruídos, mas desinformados na prática, que são menos eficazes do que poderiam ser.

Ele respondeu algo como: Eles estão lendo todos os livros práticos (e ele disse graciosamente que muitos desses livros eram meus). Contudo, não estou convencido de que esse seja sempre o caso (e, Mark, seus livros vendem muito mais do que os meus).

Mas, na resposta dele, encontrei minha esperança. Mark está presumindo que vocês estão tendo ensino prático em algum lugar. Minha preocupação é que puristas 9Marcas não estão — e precisam tê-lo.

Então, aprendam práticas melhores, aprendam como envolver os perdidos, aprendam a liderar sua igreja de modo a envolver a sua comunidade, mas não o façam se afastando do evangelho, das Escrituras e de uma compreensão bíblica sobre a igreja.

Esta é a minha exortação para vocês... meus amigos, puristas 9Marcas!

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: What 9Marks Purists Should Know About Church Planting

Hits: 1964


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Ed Stetzer
Autor Ed Stetzer

Dr. Ed Stetzer é pastor da Grace Church em Hendersonville, Tennessee, EUA, e presidente da LifeWay Research. Ele é o autor de Subversive Kingdom: Living...



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