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Artigo

A necessidade de pessoas e igrejas evangelizadoras nas favelas

Andrew Mathieson 27 de Abril de 2018 - Igreja e Ministério

Meu bisavô nasceu em 1905 em um conjunto habitacional em Townhead, Glasgow. Ele nasceu em extrema pobreza com um pai alcoólatra, uma vida doméstica caótica e uma mãe que penhorava tudo e qualquer coisa de valor que ela tivesse em mãos. Minha avó e minha mãe contam histórias de como, quando criança, meu bisavô tinha que subir de manhã para pegar um pedaço de pão e margarina de um vizinho bondoso para encher seu estômago antes de ir para a escola. As favelas de Glasgow, no início de 1900, são lendárias. Eu acho difícil imaginar o nível de pobreza que ele e sua família sofreram. Considere isto: no ano de 1900, 16 pessoas no Gorbals morreram de peste. Sim, aquela peste — a que matou 30% da Europa nos anos 1300. Pesquise no Google “favelas de Glasgow” e dê uma olhada nas fotos. As habitações das periferias da Escócia em que servimos hoje foram construídas para substituir aquelas áreas.

Em um domingo à noite, em 1921, um menino que ficava nas ruas de Townhead chamado Bobby Gillies encontrou Jesus no famoso Salão da Tenda de Glasgow. Nos fins de semana, um grupo do Salão da Tenda trazia uma bola, chuteiras e sanduíches e saía para ver os rapazes nas ruas de Townhead. O negócio era simples: se os meninos da rua queriam um jogo de futebol no sábado, eles tinham que comparecer à reunião do evangelho de domingo à noite no Salão da Tenda. Agora, Bobby gostava de futebol (na verdade, ele disse que vendera sua alma por futebol), e gostava mais ainda quando os caras que levaram as chuteiras e a bola lhe davam sanduíche e geleia. Então, naquela noite de domingo, Bobby estava sentado no Salão da Tenda, prestes a ouvir uma mensagem que colocaria seu mundo de cabeça para baixo e moldaria os próximos 60 anos de sua vida. A mensagem foi essa:

“Bobby, tenho más notícias para você. Você é um pecador por natureza e por escolha e está vivendo sua vida em ativa rebelião contra o bom, santo e justo Deus que fez e sustenta você. Por causa do seu pecado e rebelião, Deus está furioso com você, e porque Deus é bom e santo, ele o julgará por sua rebelião, e a sentença de rebelião contra Deus é o eterno tormento do inferno. Menino Bobby, você está em apuros. Deus exige perfeição e você não é perfeito. Deus é justo e deve punir o pecado, e assim você, um pecador, vai enfrentar o julgamento — e você jamais poderá pagar o preço necessário para expiar seus pecados.

Mas Bobby, a história não termina aí. Esse Deus bom, santo e justo também é misericordioso, gracioso e amoroso, e em sua misericórdia, graça e amor, enviou seu único Filho, Jesus, ao mundo para salvar pecadores como você. Jesus veio e viveu a vida perfeita que você não viveu, a vida que Deus requer. Então, numa sexta-feira de manhã, ele foi até uma velha rude cruz e tomou sobre si os pecados de seu povo e o castigo que eles mereciam. Jesus tomou a ira de Deus e morreu no seu lugar. Ele foi colocado em um túmulo, e na manhã de domingo Jesus ressuscitou dos mortos, vitorioso sobre Satanás, o pecado, a morte e a sepultura. Jesus retornou ao Pai Celestial e hoje governa todas as coisas. Um dia ele voltará para estabelecer plenamente seu Reino eterno e julgar os vivos e os mortos. Bobby, a boa notícia é esta: Jesus viveu por você, Jesus morreu por você e Jesus está vivo hoje. Ele é o Rei do Universo e exige que você se arrependa e creia no evangelho para o perdão dos seus pecados e uma nova vida nele”.

Naquela noite, enquanto cantavam “Tal qual estou”, Bobby Gillies foi até a frente do Salão da Tenda, professando fé em Jesus. A notícia que Bobby ouviu naquela noite o cativou e definiu toda a sua vida, e pela graça de Deus definiu a de sua família também. Salvo pela graça somente, em meio à carnificina de uma favela de Glasgow, Bobby se tornaria um marido piedoso, pai, avô, presbítero e um evangelista zeloso. Minha mãe e eu compartilhamos a mesma data de aniversário que meu bisavô, e foi ele quem escolheu os nossos nomes. Ela é Ruth porque ele amava aquela grande figura de redenção do Antigo Testamento, e eu sou Andrew, que era o seu apóstolo favorito, pois quase toda vez que você lê sobre ele, ele está trazendo alguém para conhecer Jesus. Bobby Gillies morreu quando eu tinha apenas três meses de idade. A última lembrança de minha mãe sobre o avô é que ele está sendo levado em uma ambulância para o hospital onde ele partiria. Ele não estava preocupado consigo mesmo e nem com despedidas. Bobby estava falando ao paramédico sobre Jesus. Ele disse: “Filho, estou prestes a morrer, mas não estou preocupado porque sei para onde estou indo. Você sabe para onde você irá quando você morrer? Você conhece o Senhor?”.

Você pode estar se perguntando qual é o sentido desse tocante testemunho familiar? O ponto é esse. As comunidades mais pobres da Escócia, em muitos aspectos, estão em muito melhor condição do que estavam nos dias em que Bobby Gillies nasceu. O padrão de vida e saúde nessas áreas, apesar de ainda estar longe do desejado, é um milhão de vezes melhor do que nas favelas da Escócia no início do século XX. No entanto, da forma mais crítica, as comunidades mais pobres da Escócia estão ainda em pior situação! A grande maioria dos Salões do evangelho da velha escola que serviam aos mais pobres, como aquele em que Bobby se tornou um crente, está fechada há muito tempo. O declínio da igreja na Escócia é mais prevalente em suas periferias. Existem outros artigos nesse site os quais você pode ler para ver os fatos, números e estatísticas que comprovam a veracidade dessa afirmação.

O ponto é este: Eu sou um crente hoje porque Bobby pregou o evangelho ao meu avô, então meu avô pregou o evangelho para a minha mãe, então minha mãe pregou o evangelho para mim, e 9 anos atrás eu, como Bobby, vovô e mamãe antes de mim, arrependi-me e cri no evangelho. A história da minha família foi transformada pelo fato de que havia pessoas nas ruas de Townhead em 1921 que amavam o Senhor e amavam os perdidos. Eles sabiam que os meninos que estavam nas ruas das favelas de Glasgow estavam com fome e vivendo vidas difíceis, mas também sabiam que a sua necessidade de um Salvador era maior do que a necessidade de um sanduíche. O mesmo vale para as pessoas que moram em Possil, Ferguslie, Easterhouse, Pilton, Niddrie, Gracemount, Barlanark e Lochee em 2018. Sua maior necessidade é conhecer Jesus como seu Salvador.

Para que isso aconteça, será necessário que as pessoas que amam o Senhor e amam os perdidos estejam nas periferias da Escócia, pregando o mesmo evangelho que salvou Bobby Gillies. Precisamos de pessoas que abram mão de seu tempo, conforto e vida para levar o evangelho às periferias — pessoas que reconheçam a maior necessidade, não apenas as necessidades físicas. Precisamos de pessoas que reconheçam que a verdadeira evangelização não é meramente cuidado e preocupação sociais, mas é o anúncio do evangelho de Jesus Cristo; pessoas que, como Spurgeon, sabem que são apenas mendigos dizendo a outros mendigos onde encontrar pão. E não nos referimos apenas a um sanduíche com geleia, mas sim Àquele que disse: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” (Jo 6.35).

Tradução: William Teixeira.

Revisão: Camila Rebeca Teixeira.

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Andrew Mathieson
Autor Andrew Mathieson

Andrew é o pastor principal da LBC e um plantador de igrejas de 20schemes, apaixonado por ver Lochee e além alcançados com as boas novas da...



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