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Artigo

O que é e por que a vida cristã inclui prestação de contas

Miriam McConnell 23 de Maio de 2018 - Igreja e Ministério

Esta é a primeira parte de um artigo sobre prestação de contas. Este é um termo que pode evocar diferentes emoções. Algumas pessoas têm medo dele; pensam que outra pessoa vai se intrometer em suas vidas e podem não gostar do que encontrarem. Algumas pessoas acham que é ótimo; quem não quer alguém andando ao seu lado enquanto vive a vida cristã? Outros gostam da teoria, mas não da prática. Muitas pessoas visitam Niddrie por algumas semanas e, muitas vezes durante a visita, dizem: “Eu gostaria de ter esse tipo de comunidade e prestação de contas em casa”. No entanto, muitas vezes as mesmas pessoas, depois de voltarem para ficar, dizem após alguns meses: “Por que as pessoas não podem me deixar em paz? Eu não quero mais falar sobre questões pessoais”.

Se você esteve envolvido em algum tipo de relacionamento que envolve prestação de contas, tenho certeza de que encontrou essas atitudes ou realmente as teve. Então, por que nos incomodamos com isso? Por que nos preocupamos com o incômodo de encontrar alguém regularmente? Por que as pessoas deveriam contar os seus segredos mais profundos e sombrios? Por que nos incomodamos quando a maioria das pessoas não consegue nem se dispor, se preparar ou realmente ouvir o que você tem a dizer? Afinal, todos os cristãos têm o Espírito Santo vivendo neles e eles têm uma Bíblia, então não é suficiente? E a nossa relação com Deus não é algo privado?

Espero que até o final desta série você conheça a resposta dessas perguntas e tenha uma compreensão maior da importância da prestação de contas. Pensei que a melhor maneira de resolver isso era fazer algumas perguntas simples: Por que deveríamos prestar contas? Como é um relacionamento que envolve prestação de contas?

Por que deveríamos prestar contas?

Se você olhar na concordância da sua Bíblia, não encontrará o termo “prestação de contas”. Mas encontrará princípios e exemplos de relacionamentos disciplinares nas Escrituras. Eu acho que o lugar mais óbvio para começar é com o próprio Jesus. Ele escolheu doze discípulos que deveriam segui-lo durante o seu ministério terreno. Eles comiam juntos, viajavam juntos, dormiam juntos e eram ensinados pelo Senhor (Jo 12.16; Mc 3.7, 20; 6.1, 30-32). Jesus foi intencional com esses homens; ele investiu tempo, energia e esforço neles. Tenho certeza de que eles não eram o grupo de pessoas mais fáceis de se amar — eles brigavam entre si, tentavam ser os melhores amigos de Jesus, e demoravam a entender o que ele os estava ensinando. Um deles era muito cabeça-quente, outro deles o traiu por um pouco de dinheiro, ainda outro deles duvidou que ele era quem disse que era. Eu não teria sido tão paciente com eles como Cristo foi! No entanto, porque Jesus os amava, continuou a conviver com eles. Que exemplo para nós, que muitas vezes queremos jogar a toalha depois da primeira vez que nos contrariam.

Ou pense no apóstolo Paulo. Ele é famoso por seus escritos, suas viagens missionárias e plantações de igrejas. Mas ele também investiu em alguns homens durante sua vida. Pense em Timóteo e Tito. No início das epístolas para esses homens, Paulo os chama de “meu amado filho” e “meu verdadeiro filho”. Isso mostra que ele tinha um amor genuíno e preocupação por esses jovens; ele era o pai espiritual deles (Fp 2.22). Paulo passou tempo com esses dois homens, ensinando o evangelho e sendo um modelo de vida piedosa para eles, a fim de que eles pudessem ser enviados para fazer o mesmo em diferentes lugares. Em última análise, esse deve ser o nosso objetivo em nossas relações de prestação de contas: devemos desejar ver as pessoas crescerem e, em seguida, ter o mesmo relacionamento com outra pessoa. Deve haver um efeito cascata.

Há também muitos versículos que falam sobre “um ao outro” espalhados pelos escritos de Paulo. Há versículos que nos dizem para sermos devotados uns aos outros (Rm 12.10), amarmos uns aos outros (Rm 13.8; 1Pe 1.22, 3.8; 1Jo 3.11, 3.23, 4.7,11,12), vivermos em harmonia uns com os outros (Rm 12.16), instruirmos uns aos outros (Rm 15.14), encorajarmos uns aos outros (2Co 13.11; 1Ts 4.18, 5.11; Hb 3.13), estimularmos uns aos outros (Hb 10.24), admoestarmos uns aos outros (Cl 3.16) e confessarmos pecados uns aos outros (Tg 5.16).

Porém, para os propósitos de hoje, pensei que deveríamos nos concentrar em Tito 2.1-11. Pare e leia-o.

Agora separe um momento para pensar em um ou dois cristãos que têm sido influentes em sua vida, pessoas que você realmente conhece. Espero que todos tenham pensado em pelo menos uma pessoa. A razão para fazer isso é ilustrar que a vida cristã é um assunto comunitário. Não apenas uma pessoa foi responsável por ajudar você ou eu a crescer. Todos nós devemos ser capazes de nos levantar e falar sobre aqueles que têm sido influentes em nossa caminhada cristã. Se esse não for o caso, você pode ter quase certeza de que não está crescendo como um crente além de sua própria espiritualidade e opiniões pessoais. Mais cedo ou mais tarde, vamos nos meter em problemas se pensarmos que podemos viver sozinhos. Ou endurecemos os nossos corações ou nos desviamos para heresias teológicas de cada blog perigoso e novos ensinos que surgem. Seja o que for que pensemos de nossa igreja local, precisamos uns dos outros. Esse é o ponto principal. Precisamos que pessoas nos desafiem e nos incentivem. Precisamos de pessoas que se importem conosco. O livro de Tito é todo sobre isto: Paulo alertando um jovem pastor para que proteja o seu povo de falsos mestres que buscam causar dano ao rebanho.

Veja o capítulo 1. 11: “É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem”. Veja em 1.13: “repreende-os severamente, para que sejam sadios na fé”. Tito 1 termina com essa lista dos pecados dos falsos mestres. Nós os conhecemos não apenas pelo seu ensino, mas também pelo fruto de suas vidas. E assim que iniciamos o capítulo 2, vemos Paulo alertando Tito nas linhas introdutórias, dizendo: “Tu, porém” deve ser diferente.

Como ele deve ser diferente, e como nós devemos ser diferentes enquanto aguardamos a bendita esperança, a aparição de nosso Senhor Jesus? Você e Tito devem ouvir os versículos 1-11 enquanto esperamos que 2.13 (leia-o agora) se torne uma realidade em nossas vidas. Então, vamos extrair alguns princípios desses versículos. Versículo 1: As palavras-chave aqui são “sã doutrina”. Essa expressão pode ser traduzida literalmente como “ensino saudável”. Se desejamos crescer fisicamente, precisamos observar o que comemos e bebemos. Não podemos simplesmente nos alimentar de comida de má qualidade e esperar que nenhuma consequência venha disso. O mesmo é verdade quanto às nossas almas. Se não observarmos o que ingerimos e digerimos, isso terá um efeito sobre nós espiritualmente. Se apenas ouvirmos e lermos lixo, o resultado final será lixo. Paulo quer que Tito “fale o que convém”. Doutrina saudável deve ser a base para todo o verdadeiro discipulado no corpo de Cristo.

Isso é tão aplicável às mulheres quanto aos homens. Muitas vezes as mulheres acham que não precisam se preocupar com a doutrina porque isso é “assunto para os homens”. Nós mulheres apenas precisamos amar e cuidar das pessoas. Mas na verdade, isso é uma tolice total. Não estamos amando bem ou nos importando com as pessoas se não estamos ensinando a elas uma doutrina bíblica sã. Paulo aqui não está falando apenas sobre o ensino da liderança da igreja, ele está falando sobre a linguagem cotidiana. Ele está falando sobre os contextos comuns nos quais Tito se encontra como um jovem pastor e em que nos encontramos enquanto interagimos com outras mulheres.

Tito é incentivado a falar na vida diária das pessoas usando um ensino saudável. Portanto, ele deve estudar doutrina, não apenas por causa do conhecimento, mas também por causa do discipulado. Afinal, se a nossa leitura e o nosso conhecimento não estão sendo postos em prática, o que há de bom nisso? É assim que o conhecimento começa a inchar. E se evitamos aprender e estudar a Bíblia e algumas de suas doutrinas difíceis, então, que utilidade nós temos? Esse também é um perigo sério. Se não tivermos uma abordagem saudável à doutrina, não poderemos ensinar nada a ninguém. Observe que no versículo 7, Paulo desafia Tito para que a doutrina não seja apenas aprendida e ensinada, mas também seja exemplificada.

Logo, esse é o “porquê”. Na Parte 2, veremos o “como”: Como deve ser um relacionamento de prestação de contas; além de algumas dicas para ajudá-lo a se desenvolver sem problemas.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira.

Revisão: William Teixeira.

Original: Accountability, The Why And The How 1: Why Have Accountability.

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Autor Miriam McConnell

Miriam McConnell tem servido em Niddrie desde 2007. Durante esse tempo ela esteve envolvida em praticamente todos os diversos ministérios da igreja. Nos...



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