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Artigo

Uma visão cristã da economia

Albert Mohler Jr. 03 de Outubro de 2018 - Cosmovisão

Lamentavelmente, muitos cristãos conhecem pouco sobre economia. Além disso, muitos supõe que a Bíblia não tenha nada a dizer sobre essa questão. Contudo, uma cosmovisão bíblica tem, na verdade, muito a nos ensinar sobre assuntos econômicos. O significado e o valor do trabalho, juntamente com outras questões econômicas, fazem parte da cosmovisão bíblica; e os cristãos devem permitir que os princípios de economia encontrados nas Escrituras conformem os seus pensamentos. Aqui estão, portanto, doze teses sobre o que um entendimento cristão da economia deve fazer.

1. Deve ter a glória de Deus como seu maior objetivo.

Para os cristãos, todo o pensamento econômico começa com o objetivo de glorificar a Deus (1Co 10.31). Nós temos, sobre nós, uma autoridade econômica transcendente.

2. Deve respeitar a dignidade humana.

Não importa o sistema de crenças, aqueles que trabalham mostram a glória de Deus quer eles saibam ou não. As pessoas podem acreditar que estão trabalhando por suas próprias razões, mas na verdade estão trabalhando devido a um estímulo que foi colocado em seus corações pelo Criador para sua própria glória.

3. Deve respeitar a propriedade privada e as posses.

Alguns sistemas econômicos tratam a ideia de propriedade privada como um problema, entretanto as Escrituras nunca consideram isso como um problema a ser resolvido. A visão bíblica da propriedade privada implica que possuir propriedades privadas é a recompensa pelo labor e domínio de alguém. O oitavo e o décimos mandamentos nos ensinam que não temos o direito de violar as recompensas financeiras dos diligentes.

4. Deve levar em conta o poder do pecado.

Considerando o ensinamento bíblico sobre os efeitos universais do pecado devemos esperar que coisas ruins aconteçam também em todos os sistemas econômicos, entretanto, um entendimento cristão da economia tende a amenizar os efeitos do pecado nessa área.

5. Deve defender e recompensar a justiça.

Todo sistema econômico e governamental vem com incentivos embutidos. Um exemplo disso é o código tributário americano que incentiva comportamentos econômicos desejados. Se eles funcionam é uma questão de um interminável realinhamento político. No entanto, na cosmovisão cristã, esse realinhamento deve continuamente defender e recompensar a justiça.

6. Deve recompensar iniciativa, indústria e investimento.

Iniciativa, indústria e investimento são três palavras cruciais para o vocabulário econômico e teológico do cristão. Iniciativa vai além da simples ação, é o tipo de ação que faz a diferença. A indústria é o trabalho humano desenvolvido corporativamente. O investimento faz parte do respeito pela propriedade privada encontrado nas Escrituras e, como se vê, é tão antigo quanto o jardim do Éden. Aquilo que acumula valor é honroso e o estímulo para acumular esse valor é também honroso. Assim, um conceito cristão da economia condena qualquer pessoa fisicamente capaz que não trabalhe e qualquer pessoa que não respeite a propriedade privada ou não recompense o investimento.

7. Deve procurar recompensar e incentivar a poupança.

Em um mundo caído, riquezas e investimentos podem ser rapidamente distorcidos para fins idólatras. Por essa razão a prática de poupar é uma questão muito importante na cosmovisão cristã. Em um mundo caído a abundância de um dia pode se transformar em escassez no dia seguinte. O que é poupado nos dias de abundância pode ser o que vai sustentar a sobrevivência em tempos de pobreza.

8. Deve defender a família como a unidade econômica mais básica.

Quando se pensa no princípio econômico contido no início da Bíblia o mandato do domínio é central, mas a instituição divina do casamento também é. O padrão de deixar e unir-se, descrito em Gênesis 2, é fundamental para nossa compreensão econômica. Adão e Eva foram a primeira unidade econômica. O resultado é que a família, biblicamente definida, é a unidade mais básica e essencial da economia.

9. Deve respeitar a sociedade.

A maioria dos pensadores e economistas seculares começa com a sociedade e depois passa para a família. Entretanto, pensar partindo de unidades econômicas maiores para as menores não apenas não funciona em teoria, mas também falha na prática. Começar com a unidade familiar e depois trabalhar em direção à sociedade é uma opção muito mais inteligente. O princípio da subsidiariedade - que emergiu da teoria da lei natural - ensina que o significado, a verdade e a autoridade residem na menor unidade significativa possível. Se a unidade familiar é deficiente, nenhum governo pode atender adequadamente às necessidades de seus cidadãos. Quando a família é forte, o governo pode ser pequeno, no entanto, quando a família é fraca, o governo deve compensar a perda. Quando colocamos o foco na família passamos a respeitar e melhorar a sociedade.

10. Deve recompensar a generosidade e a mordomia apropriada.

Cristãos que estão comprometidos com a economia do reino e o bem da próxima geração devem viver com uma perspectiva financeira voltada para o futuro. Cada um de nós tem a responsabilidade, quer tenhamos muito ou pouco, de cuidar para que nossa generosidade perdure muito além do nosso tempo de vida. A generosidade entusiasmada, tão clara nas Escrituras, é essencial para uma cosmovisão cristã da economia.

11. Deve respeitar a prioridade da igreja e sua missão.

Os cristãos devem adotar prioridades econômicas de uma forma que o resto do mundo simplesmente não entenderá. Cristãos devem investir em igrejas, seminários e missões internacionais. Estas são obrigações financeiras distintas dos cristãos. Nosso compromisso financeiro, em última instância, não é para nós mesmos ou para nossos próprios investimentos, mas para o reino de Cristo. Assim, os cristãos devem estar sempre prontos para experimentar inversões nas prioridades e arranjos econômicos porque questões urgentes do reino podem sobrevir a qualquer momento.

12. Deve manter o foco no juízo e na promessa escatológicos.

Esta vida e seus recursos não podem proporcionar alegria definitiva. A cosmovisão cristã nos lembra que devemos viver com a consciência de que prestaremos contas ao Senhor pela forma como praticamos a mordomia dos recursos confiados a nós. Ao mesmo tempo, os cristãos devem olhar para a promessa escatológica do novo céu e nova terra como nossa esperança econômica definitiva. Devemos acumular tesouros no céu e não na terra.

 

Tradução: Paulo Reiss Junior.

Revisão: Vinicius Musselman Pimentel.

Original: Toward a Christian View of Economics.

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