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Artigo

Santidade Prática

A. W. Pink 18 de Abril de 2003 - Crescimento

Temos de nos sentir muito agradecidos a Deus, depois que o Espírito Santo iluminou o entendimento de um homem, dispersou a névoa do erro e o firmou na Verdade. Mas isto é apenas o começo. As Escrituras Sagradas são proveitosas não somente para o “ensino”, mas também "pa-ra a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3.16). Observe bem esta ordem: antes de estarmos prontos para ser instruídos na “justiça” (fazer o que é correto), há muito em nossa vida que Deus reprova e que Ele tem de corrigir. É necessário que seja assim, pois, antes de nossa conversão, tudo estava errado em nossa vida. Tudo que fazíamos tinha em vista a satisfação de nosso “eu”, sem nos preocuparmos com a honra e a glória de Deus. Portanto, a primeira grande necessidade e o principal dever de todo novo convertido não é estudar as figuras do Antigo Testamento, ou quebrar sua cabeça com profecias, e sim examinar com dedicação as Escrituras, a fim de descobrir o que é agradável a Deus e o que não é, aquilo que Deus nos proíbe e o que Ele nos ordena.

Se você foi verdadeiramente convertido, sua primeira preocupação tem de ser determinar os detalhes de sua vida — no lar, na igreja, no mundo — de modo que agrade a Deus. E, ao realizar isto no presente, a ordem será esta: “Cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem? (Is 1.16-17); “Aparta-te do mal e pratica o que é bom” (Sl 34.14; cp. Sl 37.27). Tem de haver uma destruição, antes de ocorrer uma edificação (Ec 3.4). Tem de haver um esvaziamento do “eu”, antes de acontecer o enchimento do Espírito. Precisa ocorrer um desaprendizado, antes de acontecer o verdadeiro aprendizado. Tem de haver um aborrecimento do “mal”, antes de existir o amor pelo “bem” (Am 5.15; cp. Rm 12.9). 

Ora, se o novo crente realmente utiliza as Escrituras Sagradas, de uma maneira prática, para regular seus pensamentos, seus desejos e suas ações, por intermédio das advertências e dos conselhos, das proibições e dos preceitos das Escrituras, isso determinará a medida em que ele desfrutará da bênção de Deus em sua vida. Deus, o Governador do mundo, observa nossa conduta e, mais cedo ou mais tarde, manifesta seu desprazer contra os nossos pecados, bem como sua aprovação sobre um andar de retidão, concedendo a medida de realização que contribui para o nosso bem e para a glória dEle mesmo. Em guardar os mandamentos de Deus, “há grande recompensa” (Sl 19.11), nesta vida (1 Tm 4.8). Oh! quantas bênçãos temporais e espirituais muitos crentes perdem, por causa de um conduta negligente e desobediente! (ver Is 48.18)

O fato trágico é que, ao invés de o novo crente estudar diligentemente a Palavra de Deus, a fim de descobrir para si mesmo os detalhes da vontade divina, o crente novo faz muitas outras coisas. Muitos se envolvem em uma “obra pessoal” ou em alguma forma de “serviço cristão”, enquanto têm a vida repleta de coisas que desagradam a Deus. A presença dessas coisas desagradáveis, em suas vidas, obstrui a bênção de Deus sobre suas almas, corpos e afazeres temporais. E, para tais pessoas, precisamos dizer: “Os vossos pecados afastam de vós o bem” (Jr 5.25). A mensagem de Deus para seu povo é: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2. 12). Oh! quão pouco deste “temor e tremor” pode ser visto em nossos di- as! Ao invés disso, encontramos auto-estima, autoconfiança, vanglória e confiança na carne.

Há outros que se dedicam ao estudo diligente de doutrinas, porém, freqüentemente, falham em compreender que a doutrina das Escrituras não é uma série de proposições intelectuais, e sim a doutrina “segundo a piedade”. A “doutrina” ou “ensino” da santa Palavra de Deus é concedido não para a instrução de nosso intelecto, e sim para regular todos os detalhes de nossa vida diária; e isto acontece para que adornemos, “em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tt 2.10). Mas isso pode se realizar tão-somente por meio de uma constante leitura da Palavra, acompanhada pelo elevado propósito de descobrirmos aquilo que Deus proíbe e aquilo que Ele ordena; bem como por meio de nossa freqüente meditação naquilo que lemos e de oração fervorosa suplicando graça sobrenatural que nos capacita a obedecer. Se no início de sua vida cristã, o novo crente não forma o hábito de trilhar o caminho da obediência prática em relação a Deus, então, quando ele orar, não terá os ouvidos de Deus a escutá-lo. O apóstolo João afirmou com clareza uma das principais condições com as quais temos de buscar graça, para que as nossas petições recebam aceitação: “E aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável” (1 Jo 3.22). Mas se, ao invés de nos submetermos às santas exigências de Deus, seguirmos nossas próprias inclinações, então, poderá ser dito sobre nós: “As vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2). Isto é extremamente solene! Oh! que diferença faz o desfrutarmos ou não de acesso experimental à presença dEle!

O novo crente, ao seguir o caminho da auto-satisfação, não somente reduz as suas orações a palavras vazias, mas também traz sobre si mesmo a vara de Deus e todas as conseqüências erradas de sua vida. Esta é uma das razões por que muitos crentes estão sofrendo tão dolorosamente quanto as infelizes pessoas mundanas: Deus está insatisfeito com os caminhos deles e não se mostra forte para com eles (2 Cr 16.9). Neste sentido, procuramos mostrar o remédio, que nos convoca à verdadeira humilhação diante do Senhor, à contrição santa, ao verdadeiro arrependimento, à confissão irrestrita, à firme determinação de corrigirmos nossos caminhos. Este remédio é: somente quando estivermos andando no caminho da completa submissão a Deus (e não antes), a fé poderá contar com a misericórdia dEle e com a paciente expectativa de que Ele realizará maravilhas por nós.

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A. W. Pink
Autor A. W. Pink

Arthur W. Pink (1886-1952) foi um dos autores evangélicos mais influentes da segunda metade do século XX. Erudito bíblico de persuasão...



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