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Artigo

Como Homens e Mulheres se Complementam no Discipulado?

Jonathan Leeman 24 de Fevereiro de 2014 - Igreja e Ministério

O complementarismo é crucial para o discipulado cristão porque pastores e igrejas precisam sustentar diferentes retratos de maturidade cristã para os homens e para as mulheres.

O complementarismo ensina que Deus criou o homem e a mulher iguais em valor e dignidade, segundo Gênesis 1; mas ele também deu a eles diferentes papéis relacionados um ao outro, segundo Gênesis 2. Esse equilíbrio entre a igualdade e a diferença significa que alguns aspectos do discipulado serão unissex, enquanto que outros aspectos serão específicos para cada gênero. Então o Apóstolo Paulo pode dizer que não há homem nem mulher em Cristo quando se trata da nossa salvação, enquanto ele também diz que não permite que a mulher ensine ou tenha autoridade sobre o homem quando se trata da igreja local (Gl 3.28; 1Tm 2.12).

É fácil errar em uma direção ou em outra, ou homogeneizando nossas concepções de discipulado ou enfatizando demais as diferenças. Para ser fiel tanto a Gênesis 1 quanto a Gênesis 2, assim como aos diferentes tipos de afirmações do apóstolo Paulo, uma concepção correta da maturidade cristã deve apresentar modelos de maturidades masculina e feminina que tanto são iguais quanto diferentes.

Então todo cristão — macho e fêmea — precisa viver uma vida de arrependimento e fé. Todo cristão precisa crescer no conhecimento de Deus e na conformidade com Cristo. Todo cristão precisa ser unido à comunhão dos crentes. Mas se é só isso que uma igreja ensina sobre maturidade cristã na EBD infantil, nos estudos bíblicos nas casas e nos sermões semanais, isso implicitamente sufocará as diferenças intentadas por Deus entre homens e mulheres e, dessa maneira, representando erroneamente a “maturidade”.

Três coisas são necessárias para ajudar a mover o discipulado para uma direção complementarista (e, creio eu, bíblica): (i) uma visão teológica de como um homem cristão maduro é diferente de uma mulher cristã madura; (ii) exemplos de piedosas masculinidade e feminilidade em nossas igrejas; (iii) e estratégias pastorais para mover a igreja nessa direção. Não vou tomar o tempo aqui para abordar cuidadosamente cada uma dessas coisas. Espero que outros sejam inspirados a realizar um trabalho mais denso, o que é necessário. Mas aqui estão alguns pensamentos para fazer a bola rolar.

A visão teológica e as características dos diferentes domínios

Tudo começa com uma visão teológica complementarista para o discipulado.

No domínio do casamento, eis o que os presbíteros da minha igreja dizem aos casais no aconselhamento pré-nupcial: De acordo com Gênesis 1, o homem e a mulher devem ambos focar em trazer o domínio e senhorio de Deus para a terra. Mas de acordo com Gênesis 2, eles têm diferentes maneiras de fazer isso. O homem é orientado ao Jardim, enquanto a mulher é orientada ao homem e a ser uma auxiliadora idônea para ele. Ela deve empregar toda a concentração de seus dons e talentos para promover o trabalho da administração dele. Ele, por sua vez, deve administrar os dons dela com máxima efetividade, e não enterrá-los no chão como o servo infiel.

Ora, é comparativamente fácil ver o que isso significa em um casamento, onde há um homem e uma mulher em um relacionamento autoritativamente estruturado. Mas o que isso significa para uma mulher solteira em uma igreja que não é chamada a se submeter a todo homem como a esposa o faz ao seu marido? O que isso significa para uma mulher casada no trabalho? O que isso significa para um homem casado com outras mulheres em casa, na igreja, no trabalho ou em praça pública?

Bom, esse é o tipo de pergunta que um homem cristão maduro ajuda um homem mais jovem a responder, e uma mulher cristã madura ajuda uma mulher mais jovem a responder. Esse é o tipo de pergunta que pode ser abordado na EBD, em pequenos grupos ou em estudos bíblicos indutivos na igreja.

Para preencher uma “visão teológica” de masculinidade e feminilidade, nós precisaríamos considerar como Gênesis 2 pode se relacionar com outras passagens da Escritura e, as peculiares características do domínio do lar, do trabalho, da igreja e da praça pública. Depois, precisamos ajudar os nossos irmãos a viver vidas cristãs masculinas e femininas nesses diferentes domínios — não apenas vidas genericamente cristãs.

Exemplo de um domínio: A igreja local

Na igreja local, por exemplo, a masculinidade parece estar amarrada ao ensino da Palavra. Todo homem cristão deveria, portanto, ser ensinado a ter um interesse especial por aprender a Palavra e promover o seu ministério. Nem todo homem tem o dom de ensinar na igreja, mas todo homem deveria equipar-se para ensinar em algum lugar (como em casa). E todo homem tem algum dom (como o dom da administração ou o dom de construir relacionamentos) que ele pode usar para promover o ministério da Palavra na igreja.

Em vez de uma igreja cheia de homens passivos, que rapidamente apressam as suas famílias para o carro quando o culto termina, imagine uma igreja cheia de homens determinados em promover o ministério da Palavra. Imagine homens fazendo isso no púlpito, no ministério de música, no ministério infantil, nos eventos pós-culto, em trabalho evangelístico, em cuidado com visitantes. Eu ouso dizer: essa seria uma igreja onde seria mais fácil para uma mulher piedosa ser uma mulher piedosa.

Em outras palavras, mulheres são frequentemente obrigadas a tomar iniciativa e liderança na igreja, porque os homens falham em fazê-lo. Mas, à medida que os homens trabalham duro no jardim da igreja, plantando sementes e lavrando a terra, as mulheres cristãs têm um bom trabalho a fazer ajudando tais homens. Com os homens cristãos fiéis em seus lugares, as mulheres cristãs podem mais facilmente adotar uma postura de auxílio, assistência, facilitando o ministério da Palavra na igreja. Elas fazem isso ao seguir a liderança de homens dignos. Elas fazem isso ao ampliar o ministério da Palavra para áreas nas quais seria mais difícil para os homens chegarem, como as vidas das crianças ou de mulheres mais jovens.

Note, eu forneci um exemplo de como a masculinidade e a feminilidade bíblica são diferentes em um domínio: a igreja local.¹ Discipular jovens crentes a serem engajados com a igreja local, portanto, não deveria ser unissex. Sim, há pontos em comum: todos devem se interessar em promover o ministério da Palavra. Mas há pontos de diferença: os homens deveriam ser ensinados a tomar iniciativa e liderança, enquanto as mulheres podem ser ensinadas a facilitar, encorajar e auxiliar.

Para ser muito prático por um momento, eu adoro o exemplo de C.J. e Carolyn Mahaney de ensinar o seu filho a sempre ser o primeiro a se voluntariar a orar. Eles estão ensinando a ele não apenas a ser um cristão, mas a ser um cristão biblicamente masculino.

Em todo — penso que é seguro generalizar — as mulheres serão mais capazes de buscar feminilidade piedosa quando estão cercadas por homens que buscam masculinidade piedosa. Quando as mulheres não o fazem, os homens frequentemente só têm a si mesmos para culpar.

Estratégia pastoral

Movendo-se de uma visão teológica para uma estratégia pastoral, os líderes da igreja deveriam ensinar esses diferentes retratos de maturidade nos programas para crianças e jovens, nos ministérios para homens e mulheres, e no ministério regular do púlpito da igreja. O ensino ocorre em vários lugares na vida da igreja, e vale a pena recapitulá-los um por um. A instrução em cada área é uniformemente unissex ou as diferenças bíblicas são promovidas?

Além do ensino, os líderes da igreja deveriam promover bons exemplos de masculinidade e feminilidade bíblicas para o rebanho. Que tipo de homem é reconhecido como presbítero? Quais mulheres são publicamente reconhecidas nas orações pastorais? Quais homens e mulheres são colocados à frente do grupo jovem?

Muito frequentemente, a discussão sobre complementarismo fica presa nos extremos. Por exemplo, as pessoas ficam abandonadas em questões como se é ou não apropriado para mulheres adultas ensinarem homens no Ensino Médio. Onde está o limite?, perguntam. Mas se concentrar nos extremos é mais ou menos como um casal de namorados que pergunta: “O quanto podemos nos aproximar fisicamente? Dar as mãos? Beijar?”.

Há espaço para tais questões, mas o que se precisa primeiro é uma declaração positiva sobre como promover masculinidade e feminilidade bíblicas entre jovens homens e mulheres. O casal de namorados, ao invés de perguntar: “O quão longe podemos ir?”, deveria perguntar: “Como podemos servir um ao outro e melhor preparar o outro para o casamento?” Na igreja, semelhantemente, deveríamos perguntar: “Como podemos melhor ajudar essas mulheres no Ensino Médio a se tornarem mulheres maduras, e esses homens no Ensino Médio a se tornarem homens maduros?” Mas essa é uma questão que a igreja nunca vai pensar em perguntar se ela não tem uma visão positiva para a masculinidade cristã e a feminilidade cristã em primeiro lugar.

Então vamos tentar de novo: Está tudo bem uma mulher adulta ensinar a homens do Ensino Médio? Bom, francamente, não tenho absoluta certeza se é lícito ou não, mas sei que eu quero que esses homens no Ensino Médio aprendam o que significa para os homens tomar iniciativa e liderança bíblica na igreja. E eu quero que as mulheres aprendam o que significa amar, encorajar e apoiar a liderança masculina na igreja. Portanto, serei muito cuidadoso sobre quais modelos eu coloco diante deles. Na maioria das circunstâncias, terei homens adultos que têm iniciativa e amam a Bíblia ensinando todo o grupo, enquanto tenho mulheres maduras que apoiam e auxiliam esse ministério.

O complementarismo e o objetivo do discipulado

Em geral, o complementarismo é crucial para o discipulado cristão, porque dá ao discipulado um objetivo. Como homem, eu quero ajudar outros homens, com os quais passo tempo, a saber o que significa ser um líder e um iniciador, ter coragem, ser protetor, fazer sacrifícios pelos mais fracos, etc. Minha esposa, por outro lado, quer ajudar as mulheres com as quais passa tempo a saber o que significar ser uma apoiadora, auxiliadora, facilitadora, conselheira, entusiasta, ocasionalmente reprovadora, etc.

Eu quero ajudar os homens a saber como fazer isso na igreja, em casa e em qualquer outro lugar, conforme apropriado. Ela quer ajudar as mulheres a saber como fazer isso na igreja, em casa e em qualquer outro lugar, conforme apropriado.

Não faz muito tempo, um rapaz me pediu por conselho a respeito de uma mulher que ele estava cortejando. Nós passamos muito tempo juntos. Ele confia em mim. Então, eu fui capaz e falar muito diretamente: “Irmão, é hora de você dar um passo adiante e ser um homem”. E então eu descrevi como tal masculinidade podia se parecer em suas circunstâncias.

Novamente, isso foi fácil de fazer, porque estávamos lidando com o domínio do cortejo, e muitos cristãos hoje em dia ficam felizes em reconhecer a liderança masculina e a tomada de iniciativa no cortejo, desde os Promise Keepers, a James Dobson e Joshua Harris. A questão mais difícil é: como masculinidade e feminilidade bíblicas se parecem nos muitos outros domínios da vida? Também: o que estamos fazendo para promover tais modelos através do discipulado?

O complementarismo e o evangelho

Enfatizar essas diferenças é realmente tão importante? Sim. Deus amarrou essas distinções na criação em Gênesis 2. Por quê? Para que toda a criação tivesse um retrato do evangelho, que Paulo mais tarde diz que maridos e esposas retratam em seu amor um pelo outro (Ef 5). Quando uma igreja sustenta modelos de masculinidade e feminilidade bíblica, portanto, isso torna o evangelho mais fácil de compreender.

Sem tais modelos, o evangelho é simplesmente mais difícil de explicar, quase como o tradutor da Bíblia que quer descrever Jesus como o “cordeiro” de Deus em uma cultura na selva que nunca ouviu falar de um cordeiro ou um sacrifício. Por acaso é surpresa que o diabo, que odeia o evangelho, queira homogeneizar homens e mulheres, embaçando, assim, um grupo de imagens que retratam o evangelho?

Uma concepção complementarista de discipulado não é essencial ao evangelho, mas com certeza o ajuda.

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Autor Jonathan Leeman

Jonathan Leeman é graduado em Jornalismo, possui mestrado em Divindade pelo Southern Baptist Seminary (EUA) e Ph.D. em Eclesiologia. É diretor de...



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