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Artigo

Um Roteiro para Reformar uma Igreja

Greg Gilbert 01 de Dezembro de 2014 - Igreja e Ministério

O trabalho de reforma da igreja pode parecer um pouco com estar no meio de uma floresta. Para onde eu vou agora? Onde é mesmo que eu começo? O que você faz primeiro? O que você deve ignorar? Qual é o alvo que eu devo me esforçar para alcançar?

Um roteiro para a reforma da igreja

Com certeza, cada situação será diferente, mas eu penso também que há um padrão geral que estabelece uma boa trajetória para caras que estão tentando liderar uma igreja no processo de reforma. Aqui está um pequeno roteiro que pode ajudá-lo a não se perder enquanto caminha.

1. Pregue a Palavra.

Primeiro, pregue a Palavra. Isso não é apenas o primeiro passo, é o ar que você respira. Em todo tempo, e enquanto o Senhor lhe der fôlego, pregue a Palavra. É a Palavra de Deus que dá vida e é a Palavra de Deus que o Espírito Santo usa para moldar uma igreja à imagem de Jesus. Se você não fizer isso – fielmente, acuradamente e bem –, reformar a igreja não valerá de nada.
Ao mesmo tempo, uma parte importante de reformar uma igreja é constantemente ensinar a sua congregação acerca dos fundamentos bíblicos daquilo que você está fazendo. A cada passo ao longo do caminho, você precisará ensiná-los – sobre membresia, sobre presbíteros, sobre diáconos, sobre congregacionalismo e até mesmo sobre o significado da própria igreja. O elemento do ensino, na reforma, nunca está acabado. De fato, ele limpa o caminho para tudo o mais.

2. Aprenda sobre o governo da igreja.

Segundo, aprenda sobre o governo da sua igreja. Se você vai reformar uma igreja, em vez de começá-la do zero, você precisa conhecer o seu governo. Você precisa saber como mudar as coisas. O que você precisa saber para mudar as regras? Para eleger líderes? Para receber ou excluir membros? Como tudo isso funciona? Você, como o pastor reformador, precisa conhecer as regras existentes melhor do que qualquer outro na igreja. Se não fizer isso – se você simplesmente tentar passar por cima das coisas –, você criará grandes problemas para si mesmo, porque as pessoas se sentirão traídas. Geralmente é mais fácil engolir a derrota quando se sente que ela aconteceu de maneira honesta. Quer criar uma rebelião contra si mesmo? Ignore as regras.

3. Conheça os vigias.

Terceiro, conheça os vigias. Toda igreja tem “pontos de pressão” de autoridade, pessoas que estão em posições chaves de liderança, sejam formais ou informais. Em uma situação que precisa de reforma, um bom número desses vigias – por definição – será problemático. De outra sorte a igreja teria reformado a si mesma antes de você chegar lá.
Para reformar uma igreja, então, conheça essas pessoas. Dedique tempo a elas, antes de ofendê-las, e descubra o valor delas, como elas se comunicam e como elas podem ser persuadidas. É útil saber quais dessas pessoas podem influenciar outras dentre elas e onde essas pessoas serão úteis a você em diferentes pontos da reforma. Se o principal dos diáconos gosta da idéia de presbíteros, mas odeia a idéia de membresia significativa, confie nele ao estabelecer presbíteros, mas não conte com ele quando estiver lidando com membresia.

4. Procure alguma ajuda.

Quarto, procure alguma ajuda. Você não pode fazer uma reforma sozinho. Você quer que outras pessoas se engajem no processo, que tenham idéias e identifiquem os noventa por cento delas que são ruins, que o dissuadam de fazer coisas idiotas e que o convençam a fazer as coisas que são boas, apesar de desagradáveis. Não precisa ser algo formal; você não precisa eleger homens para desempenhar esse papel. Mas você quer que eles “comprem” a idéia da reforma, quase tanto quanto você mesmo comprou. Você quer que eles sintam o peso dela, que se preocupem profundamente com ela, e que nem sequer passe pela cabeça deles deixá-lo sozinho se o processo se tornar difícil. Procure homens que você nomearia presbíteros se pudesse. Eles precisam ser não apenas grandes vozes, mas pacificadores e persuasores, encorajadores e fortalecedores. Se você puder achar ao menos um ou dois homens como esses para estarem ao seu lado, seu trabalho será imensuravelmente mais fácil de carregar.

5. Torne a membresia significativa.

Quinto, torne a membresia significativa. Essa é uma das primeiras coisas que você pode fazer em uma reforma e a boa notícia é que a maioria dos pastores pode fazer pelo menos parte desse trabalho sem nenhuma mudança formal das regras. Provavelmente não será necessária uma votação congregacional. Mesmo que seja culturalmente exigido que você receba pessoas na membresia depois de elas “virem à frente” num apelo, a maioria dos pastores poderá pelo menos defender que seria bom conversar com membros em potencial antes de eles serem aceitos no rol. Então, ao reunir-se com eles, você pode se assegurar de que eles entendam o evangelho e sejam de fato cristãos. Não apenas isso, mas você também deve começar, logo no início da reforma, a fazer com que o seu rol de membros reflita mais acuradamente a freqüência da igreja. Se há pessoas no rol que não têm freqüentado a igreja por décadas, você provavelmente deve removê-las. As decisões acerca dos vários passos da reforma na sua igreja devem ser tomadas por pessoas que de fato tenham um firme interesse na igreja, não por pessoas que simplesmente aparecem nas votações importantes e, depois, desaparecem de novo.

6. Reforme as regras.

Sexto, reforme as regras. Uma vez que o rol de membros esteja limpo e reflita acuradamente a sua freqüência, você deve avançar cuidadosamente para reformar as regras da igreja, se isso for necessário. Geralmente, isso significa emendar ou substituir a constituição ou estatuto. É importante observar que reformar as regras é, na verdade, um ponto avançado na agenda da reforma. Você deve pensar nisso como o fruto que brota de muito arado, às vezes anos de arado, que precisa ser feito antes. Uma vez que esse trabalho esteja feito, contudo, ele pavimenta o caminho para reformas ainda mais benéficas.

7. Reconheça presbíteros.

Sétimo, reconheça presbíteros. Se a sua congregação estiver pronta para mudar as suas regras e abrir caminho para uma pluralidade de pastores, ela provavelmente estará pronta a reconhecer homens como presbíteros. Por outro lado, o específico é sempre mais difícil do que o abstrato, e decidir que homens nomear é, às vezes, uma decisão difícil. Você deve ter alguns homens na igreja que estão obviamente qualificados a exercerem aquele papel, mas também é provável que haja alguns que estejam quase qualificados. Também pode haver alguns homens que a congregação esperaria que fossem reconhecidos como presbíteros, mas que não estão qualificados de modo algum. Como em qualquer outro passo da reforma, você precisará dispender uma grande medida de ensino acerca do papel e do caráter dos presbíteros, antes de nomear um grupo de homens.

8. Desenvolva uma cultura de discipulado e construa estruturas que lhe dêem suporte.

Oitavo, desenvolva uma cultura de discipulado e construa estruturas que lhe dêem suporte. Uma vez que você tenha um grupo de homens reconhecidos como presbíteros, o passo seguinte é começar a edificar sobre o fundamento da reforma que você já lançou. Esse não é apenas um passo em um processo; é um processo contínuo de liderar a igreja em seu crescimento espiritual. Construir uma cultura de discipulado é crucial para esse crescimento. Por meio do exemplo e do ensino, você deseja mostrar à sua congregação o que significa ser um cristão e como a igreja funciona de modo a ajudar os cristãos a crescer.
Não apenas isso, mas você deve construir estruturas que dêem suporta a essa cultura de discipulado. Igrejas diferentes fazem isso de maneiras diferentes, é claro. Na minha igreja, nós temos uma estrutura de grupos caseiros que dão suporte ao discipulado de cerca de oitenta e cinco por cento de nossos membros. Outras igrejas repousam em outras estruturas. A coisa importante a lembrar é que o discipulado não acontece de modo espontâneo; ele precisa ser conduzido e promovido.

9. Pregue a Palavra.

Nono, pregue a Palavra. Nós terminamos onde começamos. O passo mais fundamental na reforma da igreja – e é mais do que um passo; é o que sustenta e permeia tudo o mais –é ter certeza de que a Palavra de Deus está sendo proclamada e aplicada a cada área da vida da igreja. Quando a membresia estiver limpa, as regras, reformadas, os oficiais, eleitos e as estruturas de discipulado, estabelecidas, o que resta é uma vida inteira de pregaçãoda Palavra e de oração para que Deus traga crescimento. Nós podemos plantar e regar, mas, se há de haver vida, isso acontecerá apenas pelo poder gracioso de Deus.

Reformar a igreja é mais como criar filhos do que como construir uma máquina

Eu apresentei aqui uma lista numerada de passos e eles são, grosso modo, os passos que nós seguimos enquanto trabalhávamos para reformar a Third Avenue Baptist, em Louisville (EUA). Mas, é claro, uma igreja não é uma máquina, e reformar a igreja não é uma questão de simplesmente encaixar as peças em seus lugares. Situações diferentes podem exigir uma ordem diferente de passos e é aí que entra a sabedoria pastoral. No fim das contas, reformar uma igreja é muito mais como criar um filho do que como construir uma máquina. Você se deixa gastar na igreja, ama-a, serve-a, instrui-a e a lidera – e você ora o tempo todo para que Deus a faça amadurecer e torne-a uma testemunha viva e vibrante do seu Filho.

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Greg Gilbert
Autor Greg Gilbert

Greg Gilbert é o pastor principal da ­Third Avenue Baptist Church, em Louisville (Kentucky). É formado pela universidade de Yale e obteve seu...



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