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Artigo

O exercício da autoridade na igreja local

Mez McConnell 13 de Setembro de 2016 - Igreja e Ministério

O que se segue é uma série de quatro partes baseada principalmente no trabalho de Jonathan Leeman e seu livro “Disciplina na igreja: como a igreja protege o nome de Jesus” (Vida Nova). [Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4]

 

Nós vivemos em uma cultura antiautoritária que se rebela contra o pensamento de autoridade e disciplina. Nós nem mesmo gostamos dessas palavras. Elas têm significados muito negativos para nós. Na verdade, elas estão tão entrelaçadas com a noção de abuso que é difícil separá-las. O problema, contudo, é que encontramos essas palavras por toda Bíblia, logo, seria melhor descobrirmos o que elas ensinam sobre esse tópico, se quisermos entendê-lo em seu mais verdadeiro sentido.

Uma questão como essa levantará muitas perguntas. Elas não serão todas respondidas nessa postagem. Essa é a primeira de quatro, e eu vou supor que as respostas que você quer aparecerão em um ponto mais tarde. Então, se você puder, espere. Eu farei o meu melhor para responder. A disciplina eclesiástica é um assunto tão complicado e precisa de uma quantidade tão grande de sabedoria que eu quero apenas construir as coisas lentamente e com segurança, para que estejamos todos com o mesmo pensamento. 

Autoridade

Nós vivemos em um mundo onde muito da autoridade é exercida por várias pessoas diferentes. O Estado exerce autoridade sobre seus cidadãos através de leis etc. Em casa, nós temos pais que exercem autoridade (ou não) sobre as suas crianças. A polícia exerce autoridade. A Bíblia exerce autoridade sobre a vida cristã. E a igreja? Que autoridade, se houver alguma, a igreja deveria ter em nossas vidas?

A Igreja

A igreja local é simplesmente uma organização voluntária? Nós podemos ir e vir como quisermos e fazer como quisermos? O que procuramos em uma igreja? Boa pregação? Coisas para as criança? Faz-nos sentir bem? Quando escolhemos uma igreja local, quantos de nós fazemos nossa escolha baseados no fato de que é um lugar que exerce a disciplina divina entre seus membros? Eu estou disposto a apostar que esse pensamento nunca passou pelas mentes da esmagadora maioria dos frequentadores de igreja no Reino Unido hoje. Isso porque gostamos de pensar em nossa igreja local como um clube ou uma sociedade voluntária. O pensamento da igreja exercendo qualquer autoridade sobre nossas vidas faz muitos de nós ficarmos apreensivos. Isso soa como pastoreio pesado ou algum tipo de seita com controle de comportamento. O que dá a igreja ou a sua liderança o direito de dizer a qualquer um o que deve fazer? Boas perguntas. A resposta a elas está na membresia da igreja. Então, antes de chegarmos aos detalhes práticos da disciplina, ao longo das próximas quatro postagens, nós precisamos gastar algum tempo aprendendo a lidar com os conceitos básicos de membresia da igreja.

Mas, antes disso, nós precisamos lidar com o quadro bíblico geral quando se trata da noção de autoridade.

O quadro geral

Gênesis 1.27 nos ensina que Deus criou a raça humana para ser portadora da imagem de Deus. Foi ali, naquele jardim perfeito, que o céu e a terra se encontraram como homem e Deus desfrutando de um relacionamento perfeito. O problema foi que Adão e Eva não se comportaram como deveriam e assim foram excluídos do jardim e afastados dos benefícios do reino do céu. Céu e terra viviam juntos no Éden e, então, eles foram separados depois da Queda. Agora, ao invés de governar a terra, como foram criados para fazer, essa autoridade especial passou para quem?

Mateus 4.8-9 nos dá uma indicação: “Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E lhe disse: ‘Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar’”.

Depois da Queda, Deus comissionou um povo especial para mostrar Sua glória para a terra (Levítico 19.2). Eles tinham que ser santos e obedientes. Eles receberam autoridade para determinar quem estava apto ou não para o reino de Deus (Números 15.30-31). Mostrando e protegendo o nome santo de Deus, Israel corrigiu e excluiu pessoas através do uso da lei. Mesmo Israel foi separado de Deus por causa de seus abusos.

Então Jesus vem no evangelho de Mateus falando sobre juntar céu e terra novamente. Jesus veio para ser o perfeito e sem pecado portador da imagem de Deus. O filho é o resplendor da glória de Deus e a exata representação do seu ser. Porém, à medida que Jesus aparece, a mudança de governo se aproxima. Por que Israel está sendo expulso?                               Mateus 23.13: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!”. Eles fecham o reino dos céus nos rostos das pessoas. Então, quem na terra vai representar o céu agora? Israel, uma vez, representou Deus e seus interesses. Quem representa Deus no planeta terra neste momento? A quem as pessoas podem ir que fala por Deus? A quem o povo pode recorrer à medida que se aproxima da autoridade suprema no universo?

  1. Jesus. Mateus 3.17: “E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. O céu confirma Jesus assumindo a autoridade de Deus na terra. Mateus 11.27: “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. 
  2. Os Apóstolos. Em Mateus 16.6, Jesus adverte os discípulos a não confiarem nos líderes de Israel. Olhe em 13-16. Quando Jesus foi à região da Cesaréia de Felipe, perguntou aos seus discípulos, “Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?”. Qual é a resposta de Pedro no v.16? Tu és o Cristo. Jesus afirma isso no v.17. Depois, nós temos o verso de Pedro e da igreja. Jesus, então, diz algumas coisas estranhas no v.19: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”. O que isso tudo quer dizer? Eu te darei as chaves! Jesus está passando a sua autoridade para Pedro. Que autoridade? Para fazer declarações em nome do céu sobre Jesus ser o Cristo, o salvador do mundo. O que um juiz faz? Ele não cria a lei. Ele avalia as pessoas à luz da lei já revelada. É isso que os apóstolos têm que fazer, mas os apóstolos estão mortos agora. Então, essa autoridade passa para mais alguém? 
  3. A igreja. Mateus 1815-17: “Se teu irmão pecar [contra ti], vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano”. 

 

Somos informados que quando há pecado entre o povo de Deus, isto deve ser dito à igreja para que esta pessoa seja retirada da comunidade da aliança. Note a linguagem usada no v.18: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus”. O que ligardes e o que desligardes. Os dois ou três reunidos em seu nome agem em seu nome nessas questões. Parece que a igreja local detém a autoridade das chaves do reino. Estamos diante dos confessantes julgando se as suas confissões são reais ou não. Quem vocês dizem que Jesus é? Então, nós os julgamos como Jesus julgou Pedro.

Recapitulação

Adão e Eva deveriam ter refletido Deus, mas eles falharam quando pecaram. Israel deveria ter refletido Deus, mas ele falhou quando pecou. Jesus veio como a imagem perfeita de Deus e não falhou, porque nunca pecou. Ele representou o reino do céu perfeitamente. Ele passou essa autoridade para os apóstolos, que a passaram a igreja. Assim, qual é a tarefa da igreja local? Como podemos exercer a nossa autoridade dada por Jesus aqui na terra?

A igreja local tem a autoridade para declarar às nações quem pertence a Jesus e é um cidadão do céu e quem não é. Nós não podemos fabricar cristãos, mas nós podemos declarar quem os cristãos são. Quando mudamos nossos passaportes, a pessoa que carimba o nosso selo nos torna um cidadão daquele novo país? Não, pois nós já o somos. Eles estão simplesmente confirmando aquilo que já somos. Mas se a pessoa carimbando o passaporte não está convencida da nossa situação, então ele pode se recusar a carimbar. Isso significa que poderemos continuar vivendo no país, mas não teremos nenhum dos benefícios da cidadania, em termos de voar para outros países. Isso é semelhante à autoridade passada a igreja local, quando se trata de quem está no reino de Deus. As pessoas vêm a nós e declaram as suas cidadanias celestiais. A igreja local carimba ou não o passaporte espiritual delas.

Uma vez que uma confissão correta tenha sido feita, batizamos as pessoas e as convidamos para a mesa do Senhor. Assim, em outras palavras, nós não somos apenas um edifício ou uma organização voluntária. Somos muito mais que isso. Somos o povo de Deus na terra.

Isso significa que não somos nós que dizemos se a nossa conversão é genuína ou não. A igreja local que diz isso. Ser um membro de uma igreja é dizer que você é um seguidor bona fide de Jesus. O cristão, então, se submete àquele corpo local. Mas o que isso significa? Significa mais do que apenas fazer o que os presbíteros dizem. Significa submeter-se um ao outro, se importar um com o outro, cuidar um do outro, compartilhar a vida juntos. Em Atos 2 44-45, todos os crentes estavam juntos e tinham tudo em comum. Eles vendiam propriedades e bens para dar a qualquer um que tivesse necessidade. Eles se submetiam a igreja e viviam juntos. É assim que a igreja deveria funcionar.

A maioria dos cristãos vê a igreja como nada mais que um lugar para preencher as suas necessidades espirituais, mas é muito mais do que isso. Nós somos um povo que tem autoridade e somos responsabilizados por isso. É aí que a disciplina entra. Desse modo, nós modelamos a autoridade cristã uns aos outros. Eu faço isso para os hóspedes que visitam minha casa enquanto me observam com minha esposa e filhos. E se eu gritar com a minha mulher e as meninas? O que eu estou dizendo? O que a igreja está dizendo se ela não intervier? Eu estou dizendo que um homem cristão pode ser abusivo, a não ser que a igreja intervenha e diga você não pode se comportar desse jeito. Nesse caso, o testemunho da igreja é claro sobre o que um cristão é e não é. Se a igreja ignora isso, aí as pessoas pensam que esse é um comportamento cristão aceitável. Se nós somos embaixadores de Cristo, quem vai puxar nossas credenciais quando trouxermos vergonha ao reino? O corpo local.

É por isso que a membresia da igreja é um compromisso sério. Tem várias aplicações.

 

  1. Ajudar a preservar o testemunho do evangelho em um determinado lugar.      Gálatas 1.6-9: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”. Paulo está admirado que eles estejam se desviando. Eles não estavam cumprindo seu trabalho de afirmar e proteger o evangelho. Isso não é trabalho só dos líderes. Isso tudo é nosso trabalho.
  2. Afirmar quem é um cristão e quem não é. Jesus deu essa autoridade a nós. Em 1 Coríntios 5.5, Paulo se dirige a igreja, dizendo que tal homem deveria ser entregue ao reino de Satanás. Veja o v.4. Quando nós fazemos isso? Quando estamos reunidos no nome de Jesus, quando o espírito está presente, com o poder de Jesus. Nessa reunião, tanto Jesus está presente em espírito, quanto nós operamos em seu poder. Veja o v.12. Ele está falando com a igreja toda aqui. O trabalho do pastor é equipar as ovelhas para entenderem bem o evangelho e como ele funciona em nossas vidas, para que elas possam exercer a sua autoridade dada por Deus cuidadosamente e responsavelmente. Nós protegemos o evangelho juntos.
  3. Discipular outros membros da igreja.
  4. Evangelizar não cristãos.

 

Portanto, nós temos uma autoridade para julgar uns aos outros como testemunhas do evangelho. Nós podemos dizer quem está dentro e quem está fora do reino. Nós podemos tomar essa decisão porque nos foi dada autoridade para tomá-la. Não é trabalho apenas dos presbíteros, esse é o trabalho de todo membro. É um trabalho sério, com consequências eternas. Mas temos a plena autoridade de Deus por trás de nós. Vamos manter isso em mente enquanto entramos nos detalhes, na próxima vez, do por que a disciplina é mesmo necessária em primeiro lugar.

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Mez McConnell
Autor Mez McConnell

É pastor sênior da Niddrie Community Church, Edimburgo, Escócia. É fundador do 20schemes, um ministério voltado para...



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