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Artigo

A importância do perdão para o ministério pastoral

Dave Harvey 12 de Agosto de 2016 - Igreja e Ministério

Quando um cara é selecionado na Liga Nacional de Futebol Americano dos EUA, ele está agudamente ciente que o futuro dele inclui algumas dores sérias. Ele sabe que os treinamentos de verão serão quentes e que os técnicos irão triturá-lo. Ele sabe que os jogadores oponentes estão pedindo por uma oportunidade de atingi-lo com força violenta. Ele sabe que os seus ligamentos serão distendidos e suas juntas sentirão dor. E como se isso não fosse suficiente, ele está ciente que seus maiores erros serão reprisados pela televisão, enquanto milhões de espectadores riem de seu desempenho inadequado em campo.

Sem qualquer dúvida: se um cara quer ser bem-sucedido no futebol americano, precisa estar pronto para os riscos do ofício.

Um homem que busca o ministério pastoral precisa também estar agudamente ciente dos riscos do ofício que o esperam. Pense nisso dessa forma: a igreja é um ajuntamento de pecadores sendo liderados por pecadores. E em qualquer lugar onde os pecadores se reúnam, o pecado acontece. Algumas vezes, em negrito e com letras garrafais! O Novo Testamento certamente confirma isso. Quando os coríntios não estavam justificando a imoralidade sexual (1Coríntios 5.1), estavam levando uns aos outros aos tribunais (1Coríntios 6.1). Os gálatas estavam se desviando do evangelho com Pedro, o mesmo discípulo que testemunhou tanto a transfiguração quanto a ressurreição, liderando a hipocrisia (Gálatas 2.12-14).

Eu acho que foi Colson que disse que a igreja local é como a arca de Noé: o cheiro seria insuportável, se não fosse a tempestade do lado de fora.

Eis o meu ponto: se você está esperando entrar no ministério pastoral, você precisa estar pronto para lidar com o pecado – o seu, o meu, o nosso, o de todo mundo! Como um líder, haverá tempos nos quais você vai se achar num papel familiar, de alguém pecar contra você. Haverá julgamentos, raiva, fofoca, deslealdade, e-mails cruéis, comentários sem carinho, piadas cínicas e comentários sobre a sua família que são como facadas. Algumas vezes, pode ser bem feio.

Como um pastor responde ao fato de pecarem contra ele determina a direção do seu ministério. Eu acho que é porque a maneira pela qual o pastor age quando pecam contra ele revela a compreensão que ele tem do evangelho. É por isso que um homem chamado para pregar é um homem chamado para entender algumas coisas sobre perdão.

Vamos começar com a coisa mais importante.

UM HOMEM CHAMADO É UM HOMEM MUITO PERDOADO

Em Mateus 18.21, vemos Pedro colocando a seguinte pergunta diante de Jesus: “Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?”.

É difícil saber exatamente o que incitou a pergunta de Pedro. Um amigo o provocara, e agora ele estaria se perguntando quantas vezes ele teria que perdoar antes que pudesse atingi-lo na cabeça? Talvez esteja sendo oferecido a nós um pequeno insight da visão própria de Pedro sobre perdão (“sete vezes, tudo bem. Mas ai do tolo que falhar comigo oito vezes!”). Qualquer que seja a razão para a pergunta, Jesus acaba com todo o paradigma de Pedro quando responde dizendo: “Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18.22).

Então, o tsunami mental vem. Jesus sistematicamente destrói todo o conceito de perdão de Pedro com uma parábola incrível sobre o cancelamento de uma dívida. Deixe-me resumir. Na cena um da parábola, um rei perdoa uma dívida absurda de 10 mil talentos. Para entender o escopo verdadeiro desse cancelamento, você precisa entender que apenas um talento era aproximadamente 20 anos de salário. Um talento era a medida de mais alto valor. E Jesus não pegou o número 10 mil aleatoriamente. Esse número era o numeral grego mais alto. Em outras palavras, a dívida que foi perdoada era ininteligível, astronomicamente alta. Jesus está tentando ilustrar o perdão num nível quase incompreensível.

Jesus então se dirige à cena dois, na qual o devedor recentemente perdoado encontra um homem que deve a ele uma quantia pequena de dinheiro. O primeiro devedor ficou incontroladamente zangado para com o segundo devedor, dando a ele um aperto de pescoço bem forte e exigindo que fosse paga a dívida. O segundo devedor não podia pagar de volta essa dívida pequena, e o primeiro devedor o atirou na prisão.

Quando o rei fica sabendo das ações mesquinhas do homem que ele recentemente perdoou, ele o chama para que as explicasse, e aí o atira na prisão.

Para assegurar que Pedro, que sempre era meio lento para entender as coisas, não se perdesse na argumentação, Jesus resume o ponto da parábola dizendo: “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” (Mateus 18.35).

O que essa passagem longa tem a ver com o ministério pastoral? Apenas isso: os pastores são os primeiros (e mais importantes) pecadores perdoados, e pecadores perdoados perdoam muito.

Se você entrar no ministério pastoral, as pessoas inevitavelmente pecarão contra você. Na verdade, como um líder, as pessoas vão pecar contra você de forma única, porque você traçará a direção e falará a verdade, e as pessoas reagirão e responderão numa variedade de maneiras. Algumas vezes, você vai ser o para-raios do pecado e do criticismo. Você deve viver ciente de tudo que foi perdoado em você para que haja rapidez para perdoar quando pecarem contra você. Pecadores perdoados perdoam o pecado.

Para o perdão ser real, não pode se limitar a você. Para que o perdão frutifique no seu ministério, você precisa passá-lo às outras pessoas. A coisa engraçada sobre o perdão é que ele vem com uma redundância divina anexa. Você é chamado para reproduzir a outros o perdão que você recebeu.

Isso levanta uma pergunta importante. Enquanto considera o chamado para o ministério, você está preparado para abraçar o chamado para pecarem contra você e perdoar? E quanto a exatamente agora – há algum pacote cheio de falta de perdão em sua vida? Há pessoas em seu passado contra as quais você guarda algum rancor sério? Se sim, agora é a hora de lidar com isso. A falta de perdão, como gangrena, tem uma maneira de apodrecer em nossas almas. Como calúnia para a alma, fala-nos e murmura para nós, lembrando-nos de injustiças cometidas e rancores não resolvidos. Se você não lidar com a falta de perdão, isso irá dificultar seriamente sua eficácia no ministério.

Mas eu não vou simplesmente dizer a você para “superar isso”, como se o perdão fosse como uma ferida menor que você pode ignorar. Entretanto, há coisas para serem feitas. Por exemplo, eu quero encorajar você a meditar em Efésios 4.32, que diz: “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou”. O caminho em direção ao perdão está em considerar a grande dívida da qual Deus perdoou você. Deus nos perdoou, cada um de nós, de uma dívida incrível, impressionante e incompreensível. Nós fomos muito perdoados, mas estamos dispostos a amar muito (Lucas 7.47)? Você está disposto a passar esse perdão a outros?

Se você está prosseguindo no ministério pastoral, você precisa encarar essa realidade fundamental: pecadores perdoados perdoam o pecado. Sua eficácia como um pastor irá requerer de você acreditar nisso e aplicar isso para que outros possam experimentar e desfrutar disso.

 

Tradução: João Pedro Cavani

Revisão: Yago Martins

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