Este artigo faz parte da série Gênero e Características literárias dos livros da Bíblia, que são artigos retirados e adaptados com permissão da Bíblia de Estudo da Fé Reformada, Editora Fiel.
O conhecimento do gênero literário de um livro bíblico visa conduzir o leitor ao melhor entendimento das Escrituras, já que a Palavra de Deus é inspirada e que o próprio Deus planejou a escrita de cada gênero para um determinado fim. Esperamos que conhecer o gênero e a estrutura literária de cada livro ofereça ao leitor uma leitura e estudo bíblico mais profundo e proveitoso.
O livro de 1ª. Crônicas
Gênero e estrutura literária
O livro de 1ª. Crônicas combina narrativa e genealogia para registrar a história do povo de Deus e destacar a fidelidade do Senhor à aliança davídica. Este artigo mostra como o cronista reuniu diversas fontes históricas e proféticas para instruir a comunidade pós-exílica e reafirmar que Deus continua governando sobre seu povo.
Gênero
O gênero primário de Crônicas é a narrativa histórica, com uso generoso de genealogia. Como história, o Livro de Crônicas foi composto tanto por razões históricas como por razões teológicas, respectivamente. O uso extenso que o cronista faz de documentos históricos e sua devoção a detalhes numéricos e cronológicos (p. ex., 1Cr 5.18; 2Cr 14.1, 9; 16.1, 12, 13) indicam que sua intenção era proporcionar aos leitores um acurado registro histórico. No entanto, ele não oferece meramente informação sobre o passado; também escreve para comunicar uma relevante mensagem teológica. Comparar Crônicas com Samuel e Reis revela que esse relato do passado de Israel é formatado para falar às necessidades da comunidade que regressara recentemente do exílio babilônico.
Características literárias
O cronista combina informações de mais de uma fonte. Ele depende de uma série de textos bíblicos, especialmente Samuel e Reis (ou, possivelmente, as fontes das quais foram compilados), mas também do Pentateuco, de Juízes, Rute, Salmos, Isaías, Jeremias e Zacarias. Há citações específicas de diversas fontes régias de outro modo desconhecidas, como, por exemplo, “as crônicas do rei Davi” (1Cr 27.24), “o Livro dos Reis” (2Cr 24.27), “o Livro da História dos Reis de Israel” (1Cr 9.1; 2Cr 20.34), “o Livro dos Reis de Judá e de Israel” (2Cr 16.11; 25.26; 28.26; 32.32) e “o Livro dos Reis de Israel e de Judá” (2Cr 27.7; 35.27; 36.8). O cronista usa fontes proféticas, inclusive os escritos de Samuel (1Cr 29.29), Natã (29.29; 2Cr 9.29) e Gade (1Cr 29.29), entre outros (2Cr 9.29; 12.15; 13.22; 26.22; 32.32). Variações de estilo e conteúdo na obra pressupõem que talvez ainda houvesse outras fontes não especificadas que o cronista, habilidosamente, compreendeu e amalgamou em um relato coerente.
Como um tema proeminente na obra é a importância da dinastia davídica, ele omite extensa documentação no que diz respeito aos reis do reino do norte de Israel. A descrição do reinado do primeiro rei, Saul, é confinada a um relato de sua morte, armando, assim, o cenário para Davi sucedê-lo. Mesmo ao descrever os reis davídicos, o cronista condensa seu relato para focar os temas específicos que deseja examinar.
Edição por Renata Gandolfo.

Este artigo foi retirado e adaptado com permissão do material de estudo da Bíblia de Estudo da Fé Reformada, Editora Fiel e Ligonier.
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