Este artigo faz parte da série Gênero e Características literárias dos livros da Bíblia, que são artigos retirados e adaptados com permissão da Bíblia de Estudo da Fé Reformada, Editora Fiel.
O conhecimento do gênero literário de um livro bíblico visa conduzir o leitor ao melhor entendimento das Escrituras, já que a Palavra de Deus é inspirada e que o próprio Deus planejou a escrita de cada gênero para um determinado fim. Esperamos que conhecer o gênero e a estrutura literária de cada livro ofereça ao leitor uma leitura e estudo bíblico mais profundo e proveitoso.
O livro de II Crônicas
Gênero
O Cronista prossegue com a abordagem que empregou para o reinado de Davi, e estrutura sua narrativa como uma história da corte em que o destino da nação é determinado pelas ações de seus reis. Não obstante, o relato não enfatiza, primariamente, as atividades militares ou econômicas, mas, sim, o bem-estar religioso do povo. Essa é uma apresentação da história pactual com o fim de motivar a comunidade restaurada em Judá a uma fidelidade mais profunda na condução de sua vida individual e nacional.
Características literárias
A aliança davídica (1Cr 17) e a oração de Salomão (2Cr 6) são usadas pelo Cronista para ajudar seus leitores a integrar bem a compreensão dos fatos em sua história nacional como fatos posteriores, conforme as estruturas inicialmente descritas. Quando o rei pactual e seu povo enfrentavam o perigo, a oração ao Senhor, como proposta por Salomão (p. ex., 6.21, 25), dava acesso ao perdão e à assistência divinos (12.6; 13.14; 14.11; 18.31), mesmo em prol de um caráter malfeitor como o de Manassés (33.12, 13).
O Cronista presume que seu público está tão familiarizado com os relatos em Reis que o que ele diz não seria adequadamente compreendido sem esse conhecimento (p. ex., 32.24-33). Entretanto, o Cronista extrai sua fonte material de Reis para salientar sua mensagem primária de que a obediência pactual traz a bênção divina, enquanto a infidelidade pactual acarreta castigo divino. Esse último resultado ficou tragicamente evidente na vida de alguns reis; e, para Jeorão (21.4-20), Acazias (22.1-9), Acaz (28.1-27), Amom (33.21-25), Jeoacaz (36.2-4), Jeoaquim (36.5-8), Joaquim (36.9-10) e Zedequias (36.5-8), o Cronista se contenta em manter a caracterização negativa de Reis. Enquanto retém a avaliação mista feita anteriormente em relação a Asa (14.2–16.14) e Josafá (17.1–21.3), ele apresenta outros monarcas mais positivamente do que em Reis: Roboão (10.1–12.16), Joás (22.10–24.27), Amazias (25.1-28), Uzias (26.1-33), Josias (34.1–36.1) e Manassés (331-20). Ignorando seus fracassos e fornecendo outros exemplos bem-sucedidos não mencionados em Reis, ele descreve Abias (13.1–14.1), Jotão (27.1-9) e Ezequias (29.1–32.33) de uma forma favorável, em parte para criar no auditório uma esperança da vinda do Rei que preenche o ideal apresentado em seu perfil positivo desses reis.
Edição por Renata Gandolfo.

Este artigo foi retirado e adaptado com permissão do material de estudo da Bíblia de Estudo da Fé Reformada, Editora Fiel e Ligonier.
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