domingo, 14 de junho

A definição do que é o homem, segundo as escrituras

Todas as noites, depois do trabalho, sento-me alguns minutos para ler as notícias do dia. Embora seja um repouso de alguns minutos para o meu corpo e mente, preciso admitir que nesses momentos não encontro muito descanso para o meu coração. Isso porque o que vejo nas manchetes me lembra uma realidade profundamente estabelecida: há algo de errado em nosso mundo e mesmo conosco como seres humanos. Mas o que é isso?

As pessoas têm dado respostas diferentes a essa pergunta. Alguns dizem que os problemas são principalmente econômicos, outros, que são sociais, e ainda outros, que são psicológicos. Certamente, essas respostas podem oferecer alguma compreensão sobre alguns dos sintomas do nosso sofrimento, mas a Bíblia ensina que a doença é muita mais intensa e profunda. Em poucas palavras, o problema é o pecado — rebelião contra o Deus criador que nos criou.

O livro de Gênesis descreve como Deus criou o mundo pelo poder do seu mero comando, e de acordo com Gênesis 1.26-28, o coroamento da obra de Deus foi a criação dos seres humanos. Únicos entre todas as criaturas do universo, os seres humanos são feitos “à sua própria imagem”. Ser criado à imagem de Deus significa muitas coisas. Nós, seres humanos, refletimos o caráter e a natureza de Deus em nossa racionalidade, criatividade, e até mesmo em nossa capacidade de nos relacionarmos com Deus e uns com os outros. Mas a imagem de Deus não se refere simplesmente ao que somos; também se refere ao que Deus nos criou para fazer.

Além de viverem em comunhão com Deus, a Adão e Eva foi dado o encargo de governarem e cuidarem da criação de Deus como seus vice-regentes. Assim, Deus lhes disse que deveriam “subjugar” a terra e “ter domínio” sobre ela — não abusando dela ou tiranizando-a, mas “a cultivando e guardando” (Gênesis 2.15). Ao agirem assim, eles comunicariam a toda a criação o amor, poder e bondade do Criador. Talvez, mais fundamentalmente, isso é o que significa ser a imagem de Deus no mundo: como um antigo rei do Oriente Próximo poderia gravar um “retrato” de si mesmo em uma montanha como um lembrete para o seu povo de quem havia se sentado no trono, Adão representava a autoridade de Deus ao mundo sobre o qual lhe fora dado domínio.

Todavia, a autoridade de Adão sobre a criação não era absoluta; era derivada e circunscrita pelo próprio Deus. As pessoas muitas vezes se perguntam por que Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim. A razão é que a árvore lembrava a Adão e Eva que sua autoridade para governar e subjugar a terra não era absoluta. É por isso que o ato de Adão e Eva comerem o fruto foi um pecado tão trágico. Ao comerem o fruto, Adão e Eva estavam tentando fazer exatamente o que a serpente, com falsidade, lhes disse que podiam: eles estavam tentando “ser como Deus” (Gênesis 3.5). Eles estavam se apoderando de mais poder e autoridade do que Deus lhes tinha dado, tentando, assim, obter o elevado trono de Deus.

As consequências do pecado de Adão foram nada menos que catastróficas. Deus havia prometido que se os humanos comessem do fruto da árvore proibida, certamente morreriam. O que Deus quis dizer não era apenas morte física, mas também — e mais terrivelmente — a morte espiritual. Era uma punição justa e correta. Não somente um Deus perfeitamente santo e justo jamais toleraria tal mal e pecado em sua presença, mas também, ao declararem a sua independência de Deus, Adão e Eva separaram a si mesmos da fonte de toda a vida e bondade. Eles mereciam a ira de Deus por sua rebelião contra ele, e o salário do seu pecado foi nada menos que morte eterna, condenação e inferno.

Pior ainda, quando Adão pecou, ??ele o fez como representante de todos os seres humanos. Paulo escreveu aos romanos: “pela ofensa de um só, morreram muitos” (Romanos 5.15). É por isso que cada um de nós confirma repetidamente o ato de rebelião de Adão contra Deus com nosso próprio pecado. Nós também desejamos estar livres da autoridade e governo de Deus, e assim nos entregamos à busca do prazer e da alegria nas coisas criadas como fins últimos. No processo, declaramos que Deus não é digno da nossa adoração, e assim provamos ser dignos da maldição da morte espiritual que Deus pronunciou no princípio.

Se a história da Bíblia terminasse ali — com seres humanos sob a ira de Deus sem uma possibilidade de fuga — viveríamos numa realidade desesperadora. Mas, louvado seja Deus, a história não acaba aí. Em vez de nos deixar morrer em nosso pecado, Deus age para salvar. Por meio da encarnação, morte e ressurreição do seu Filho, Jesus, ele salva o seu povo dos seus pecados e retifica tudo, de uma vez por todas, finalmente e para sempre.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: What is Man?


Autor: Greg Gilbert

Greg Gilbert é o pastor principal da ­Third Avenue Baptist Church, em Louisville (Kentucky). É formado pela universidade de Yale e obteve seu mestrado em teologia pelo Southern Theological Seminary. É preletor de conferências teológicas e escreve frequentemente para o Ministério 9 Marcas.

Parceiro: Ministério Ligonier

Ministério Ligonier
Ministério do pastor R.C. Sproul que procura apresentar a verdade das Escrituras, através diversos recursos multimídia.

Ministério: Ministério Fiel

Ministério Fiel
Ministério Fiel: Apoiando a Igreja de Deus.

Veja Também

Até que ponto devemos obedecer às autoridades?

John Piper responde neste episódio se devemos sempre obedecer às autoridades. Há algum limite? Se sim, como identificarmos que desobedecer seria a atitude correta?