quinta-feira, 18 de julho
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A grande batalha

Em 1944, depois de muita relutância e algumas reviravoltas políticas, e após ser atacado por submarinos alemães na costa do nordeste brasileiro, o governo de Getúlio finalmente envia um grupo de 5000 homens de seu primeiro batalhão à Europa, para juntar-se aos soldados aliados na luta contra o Eixo nazi-fascista. Esses eram os homens da FEB (Força Expedicionária Brasileira). Mais tarde, um total de 25,000 soldados brasileiros participou da II Guerra Mundial.

Quando os brasileiros desembarcaram na Europa, porém, tiveram de enfrentar muitos inimigos além dos nazistas: o frio estarrecedor – neve e muita chuva por todos os lados; o desconhecimento do terreno inimigo; a inexperiência em batalhas; as condições precárias de equipamentos e a falta de um treinamento adequado (até então os brasileiros aprendiam teoria de guerra pela escola francesa, que previa montaria em tempos de caças e tanques…)..

Em novembro daquele ano, os pracinhas brasileiros receberam a incumbência de dominar uma montanha chamada Monte Castelo. Contudo, milhares de soldados alemães dominavam aquela estratégica montanha, e não tinham a menor disposição em cedê-la. Aos aliados, porém, era de mui grande importância que o Brasil fosse bem sucedido no cumprimento dessa missão.

A batalha de Monte Castelo durou muitos meses. O frio rigoroso, a impressionante resistência do poderoso regimento alemão destacado na montanha e as condições precárias para a batalha tornaram essa missão uma das mais importantes e estratégicas daquele momento da guerra.

Agora, peço que você faça um esforço para se imaginar como um soldado nessa batalha. Imagine-se no lugar desses pracinhas. Sim, imaginem-se fazendo parte do batalhão que enfrentou durante mais de 3 meses os experientes e poderosos soldados alemães para tomar aquela montanha.

Muito bem, feito esse esforço ou exercício mental, agora peço que imagine aquele dia do desembarque na Europa. Imagine que, ao chegar lá, não havia tropas aliadas. O Eixo (contendores encabeçados pela Alemanha) contava com cerca de 3,5 milhões de soldados. A primeira expedição dos pracinhas brasileiros tinha aproximadamente 5000….

Quero chamar sua atenção com essa ilustração para uma batalha que não pode ser vencida por nossas próprias forças! A batalha contra Satanás e suas hostes malignas.

Desejo considerar alguns versículos do capítulo 6 da epístola de Paulo aos Efésios. Mas, antes de nos adentrarmos no texto, penso ser interessante lembrarmos alguns fatos acerca dos destinatários desta carta:

1. Paulo havia passado 3 anos entre eles (como se vê nos Caps. 19 e 20 de Atos). Ali, naquela importante cidade, considerada a capital da Ásia, estabeleceu um dos mais importantes e frutíferos trabalho de formação de líderes e plantou igrejas. Tinha pelos efésios grande afeição, como vimos tempos atrás na oportunidade de sua despedida e orientações aos líderes que ficaram.

2. Na oportunidade em que escreveu para eles agora, anos após haver partido, está preso em Roma. Prisão domiciliar (o quanto você poderia, aliás, produzir se estivesse privado de sua liberdade); 3.1

3. Paulo dirige-se a uma igreja madura: “que tinha fé no Senhor Jesus e amor entre os irmãos…” 1.15;

4. Por eles estava sempre em oração – 1.16; 3.14.

5. Escreve-lhes uma carta riquíssima em conteúdo doutrinário onde apresenta-nos a Igreja – sua natureza e sua edificação; o antes e o depois da salvação; a vida no Espírito: admoestações práticas para o viver diário.

Após haver dado conselhos de mui grande praticidade nos versículos finais do capítulo 5 e os iniciais do capítulo 6, o apóstolo então introduz o capítulo 6 com as seguintes palavras:

Efésios 6.10-12

“10 Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força de seu poder; 11Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; 12 porque nossa luta não é contra sangue e carne, e sim conta os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes“.

O quadro pintado pelo Apóstolo com essas palavras, não é muito diferente daquela ilustração que do início desse texto. Tente se imaginar na pele daqueles pracinhas brasileiros, chegando à Europa e tendo de enfrentar de cara as intempéries do tempo; o medo da batalha; a inexperiência e inaptidão; e, ao chegar, encontra-se sozinho. Imagine que não havia ninguém ali senão o exercito nazi-fascista com seus milhões. Qual seria sua sensação?

O apostolo Paulo fala-nos de uma batalha não muito diferente daquela. O versículo 12 fala-nos de uma guerra que por nós mesmos não pode ser vencida. Nosso inimigo é mais poderoso do que nós. Ele luta em uma esfera que não está em nosso controle. Ele tem um exército mui grandioso e poderoso, muito maior e mais forte do que os nazi-fascistas. A respeito desse poderoso inimigo, o poeta Henry Law proferiu as seguintes palavras[1]:

“Através do engano, ele obteve o seu primeiro triunfo sobre nossa raça. Por meio do engano, ele continua a exercer seu domínio. Sua arte principal consiste em manter-nos na cegueira quanto a ele mesmo e quanto ao grande Libertador. Tenho certeza disso, porque vejo muitos que passam seus dias sem desconfiar que o inimigo está sempre bem perto, a maquinar a miséria deles. Ouvem, e talvez falem o nome dele, como se fora um nome vazio, e não um forte e mui maligno poder. (…)

Medita sobre a natureza do diabo através de seus títulos. Ele é o príncipe desse mundo (Jo. 12.31), portanto sua esfera de autoridade é mundial. Todas as milhões de criaturas nascidas em seu reino são escravos seus. Sem exceção. Já entraram na vida com as algemas de Satanás nos pulsos; com o trono dele erigido em seus corações; poderão obter a liberdade por si mesmos? (…) Desejam eles esta liberdade? (…). Ele também é o deus deste mundo (2 Co. 4.4). Ele estabelece o ídolo da fama, dos prazeres e do dinheiro. E os homens o prostram e o adoram (…). Ele é o líder de exércitos incontáveis. Não há lugar, ou casa, em todo o mundo, que ele deixe desocupados. Avançaríamos? Estamos cercados. Buscaríamos solidão?Somos seguidos. (…). Ele é um espírito [como vemos nesse texto], portanto, tem acesso ao recanto secreto de nossos corações. Pode plantar na mente a semente de todo mal. Se fecharmos as portas externas dos sentidos, ainda sim ele pode entrar e macular os pensamentos, tornando toda imaginação tão ímpia como ele mesmo.”

Ao nos depararmos com um inimigo tão assustadoramente poderoso, ficamos assustados. Essa é a natureza de nosso inimigo, conforme vimos pelas vivas palavras do poeta. As expressões: “principados e potestades”; “dominadores deste mundo”; “forças espirituais do mal, nas regiões celestes”, são sinônimos, repetidos para enfatizar a natureza espiritual do inimigo contra o qual lutamos. O apostolo não tenta argumentar sobre a existência destas forças. Ele as admite e nos alerta contra elas naturalmente. Nossa sociedade ocidental tem a tendência de racionalizar tudo e tenta mitificar o diabo e suas hostes. Essa, talvez, seja uma de suas principais estratégias. Passar desapercebido. Fingir que não existe. É lenda…

A esfera de ação de Satanás é espiritual. “Nossa luta não é contra sangue e carne” (homens). Calvino diz em seu comentário aos Efésios que Paulo usa a carne e o sangue como contraste à natureza de nosso verdadeiro inimigo.

Diante de um inimigo com tais características, é necessário compreender que a esfera dos danos que ele causa também é, principalmente, a espiritual.

Ao homem que não conhece o Libertador – Jesus Cristo -, Satanás o açoita como quer, sendo limitado somente por aquela graça refreadora de Deus. Mas, basta olharmos o campo de batalha, este mundo, e notaremos que o inimigo tem feito estragos de todo tipo. Não precisamos ir longe. Não é preciso citar as religiões pagãs do oriente, como todo seu exoterismo e misticismo; nem o animismo e religiões de origem africana; basta olharmos para nosso próprio país, e logo notaremos que há algo demoníaco ao nosso redor: Violência desenfreada – bandidos ateando fogo em pessoas; crime organizado fazendo frente ao estado; tráfico de drogas e de armas; os governantes, atônitos, não sabem como agir; pensam em medidas meramente humanistas como forma de conter a onda de violência. Temos, por exemplo, um ordenamento jurídico fortemente baseado nas premissas iluministas. Sua visão é baseada na crença de Rosseau de que homem nasce bom (como se vê em seu “Contrato Social”), e, portanto, é corrigível. Assim, tentam ressocializá-lo empreendendo esforços vãos e ineficientes; a corrupção é grassante. Por todos os lados, desde o menor ao maior, vê-se corrupção. O sujeito que reclama do congressista que recebe mensalão é o mesmo que paga propina ao guarda para não ser multado ou que fornece informações mentirosas ou imprecisas ao fisco do imposto de renda. A imoralidade nunca esteve tão presente. Não há pudor. No país do carnaval, tudo é liberado. Os programas de televisão exibem toda sorte de impureza, ativando os sentidos mais sórdidos que há no coração do homem; Não há valores definidos: o homossexualismo é padrão; o divorcio é normal; o aborto é defendido; o hedonismo está em todo canto; o materialismo é sufocante.

Satanás tem sua esfera de domínio. Não é pequena. Não podemos ignorar seu poder !

Mas, seu poder não está limitado àqueles a quem ele domina. Aqueles que têm sido libertos pelo bom Salvador estão também sujeitos aos seus dardos inflamados – venenosos e ardentes [v. 16 ]! A Igreja está sob ataque. Mas lembremos que as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Mas o ponto é que o Senhor nos alerta que esse astuto inimigo está em derredor. Ataca-nos de por vários meios. O próprio apóstolo Paulo informa-nos que estamos sujeitos a atribulações, perseguições, abatimentos, etc. Mas, há ainda aquela categoria de ataque ainda mais perigosa que Satanás inflige contra os crentes. Ele ativa os sentimentos mais pecaminosos de nossa natureza caída remanescente. Sabe que o pecado é ofensa contra o nosso Deus. Ele ofende a Deus em co-participação conosco. Ou, nós ofendemos a Deus com nossos pecados em co-participação com o diabo. Ele sabe quais são nossas fraquezas, e é justamente ali que ele atacará com mais ímpeto. Precisamos estar alertas ainda, para o fato que ele se camufla, no meio do matagal de nosso coração. Ele é sutil e nos atacará em doses homeopáticas, infiltrando em nós seu veneno mortífero. Ativando em nossos corações, no nosso dia-a-dia, em nossos relacionamentos diários, com a família, no trabalho em nossas obrigações sociais. Ele agiu assim com Ananias e Safira (despertando neles a ganância e o orgulho altivo).

Cuidado. Estamos em uma batalha. Ela dura noite e dia e não tem tréguas. [2]

Nossa Defesa:

Voltando ao texto, o apóstolo realmente nos apresenta um inimigo que por nós não pode ser vencido. Mas, declara também, para nosso ânimo e consolo, que este poderoso inimigo já foi vencido. O propósito do apóstolo nesta conhecida passagem, ao apresentar-nos um inimigo com predicados tão assustadores e inexoráveis, é o de alertar-nos para sairmos o menos ferido possível desta batalha, pois ela já está ganha!

Na II Grande Guerra, que já mencionamos aqui, a vitória das tropas aliadas contra o Eixo foi decretada no famoso dia “D”, quando as forças aliadas desembarcaram na Normandia pelo ocidente enquanto a URSS dominava a parte oriental da Europa. Os nazistas, porém, resistiram o quanto puderam, e causaram muitos estragos mesmo depois de derrotados. Somente 11 meses depois do dia “D” é que foram finalmente derrotados e renderam-se.

Assim, embora a vitória esteja ganha e garantida, como vemos no vs. 13, somos alertados a nos revestirmos com toda armadura de Deus para não sermos feridos pelas tropas derrotadas.

Note que o apóstolo diz várias vezes no texto, inclusive nos próximos versículos, que intende que fiquemos firmes. O profeta Jeremias usa o exemplo de uma árvore, com fortes raízes, que não se abala diante das intempéries (Jer. 17.7,8). Davi, no Salmo 1, usa a mesma ilustração. Eles não negam que a árvore esteja sujeita às intempéries, mas afirmam que permanecerá inabalável.

Assim deve ser o crente. Como a árvore plantada junto a corrente de águas. Com fortes raízes e produtora de bons frutos. Assim, quando Satanás busca ativar aqueles sentimentos remanescentes que o apostolo nos fala em Romanos 7 (vs. 7 a 24), teremos defesa. Pois Deus, em sua generosidade e graça, providenciou-nos uma armadura que é capaz de resistir a tais ataques.

Quando somos feridos, é sinal de que não estamos nos valendo de toda armadura de Deus. O texto que estamos considerando fala de uma armadura que pode refrear os ataques satânicos, mas muitas vezes, em nossa indolência, apanhamos a espada e esquecemos o capacete… Assim, devido à sutileza do inimigo e à nossa indolência no uso dos recursos que Deus coloca à nossa disposição, pecamos contra Deus sem ao menos nos aperceber disso. Temos de estar vigilantes, orando o tempo todo; medindo nossos pensamentos, palavras e ações com a régua das Escrituras.

Somos ainda informados que nossa força é proveniente de Deus. no v. 10, o verbo está na voz passiva:Sede fortalecidos no Senhor e na força de seu poder. Ele nos anima com o fato de que a força com a qual lutamos é a força do Senhor. Assim, Gideão teve ânimo e fé [confiança] para enfrentar as miríades do temível e poderoso exercito filisteu com apenas 300 homens; assim, Davi encontrou forças para enfrentar ao gigante Golias. Na força do Senhor.

Tenhamos ânimo para batalha. Não é possível fugir dela. Estamos no front, diariamente. Usemos toda a armadura de Deus e lutemos com bravura para honrar ao nosso Comandante.

Notas:

[1] Law, Henry – 1864. Editora Fiel, São José dos Campos, SP, 2ª edição em 1994. pp 33,34.

[2] Além de atacar ao crente, individualmente, Satanás quer levar confusão à Igreja de Cristo. O falso ensino, a heresia, as dissensões são, no muito dos casos, fruto de ação do maligno. Embora este não seja o enfoque desta meditação, desejo chamar a atenção para este aspecto e recomendar a leitura do bom livro do Pr. John MacArthur sobre os ataques que a igreja sofre: “A Guerra pela Verdade”, publicado pela Editora Fiel em 2008.


Autor: Tiago Santos

Bacharel em Direito pela Universidade do Vale do Paraíba. Atualmente faz seu Mestrado em Divindade no Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É presbítero na Igreja Batista da Graça, em São José dos Campos-SP, editor-chefe da Editora Fiel e diretor pastoral do Seminário Martin Bucer.
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