terça-feira, 6 de janeiro
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Como os nazistas tentaram roubar o Natal

A resistência da Igreja Confessante

No tratado assinado em Versalhes, na França, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi responsabilizada como principal causadora do conflito e proibida de produzir armamentos. Muitos alemães se consideraram injustiçados. Sentimentos de nacionalismo se fortaleceram, dando origem ao Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais bem conhecido como Partido Nazista.

A partir de 1921, Adolf Hitler passou a liderar o partido, tornando-se chanceler em 1933. Com esse cargo, consolidou uma ditadura na Alemanha. Os alemães o chamavam de Führer, que significa “guia”. Para ampliar seu domínio na Europa, Hitler aliou-se a outros líderes de ideologia semelhante: Benito Mussolini (1883–1945), na Itália, e Francisco Franco (1892–1975), na Espanha.

No início, Hitler apresentou seu movimento como cristão, mas isso logo mudou. Assim como Nietzsche, Hitler achava que o cristianismo enfraquecia as pessoas. Embora permitisse que igrejas continuassem existindo, o líder alemão queria que elas fossem controladas pelo Estado. Vários de seus oficiais desejavam erradicar totalmente o cristianismo. Heinrich Himmler (1900–1945), líder da Schutzstaffel (SS), a guarda de elite do regime, chamou o cristianismo de “a pior praga que já enfrentamos na história, que nos enfraqueceu em todos os conflitos”.

A maioria das igrejas foi cativada pela personalidade forte de Hitler e por sua promessa de combater o comunismo, que parecia uma ameaça perigosa. Algumas chegaram a inserir símbolos nazistas em seus templos, pois não perceberam que o plano de Hitler era igualmente destrutivo.

Com o tempo, Hitler convenceu a população de que os alemães eram uma raça superior e que precisavam eliminar todas as “impurezas”, como judeus e pessoas com deficiência. O chanceler alemão alegava que os judeus estavam secretamente tentando dominar o país, de modo que retirou seus direitos civis e começou a expulsá-los de suas casas. Disse que seriam levados a locais onde poderiam viver juntos. Na realidade, estavam sendo enviados a campos onde sofreriam abusos brutais e seriam assassinados. Essa perseguição e genocídio ficaram conhecidos como Holocausto.

Nem todos os cristãos aceitaram o plano de Hitler. Em 1934, cerca de 2 mil pastores alemães assinaram um manifesto chamado Confissão de Barmen, afirmando: “Jesus Cristo, como nos é testemunhado nas Sagradas Escrituras, é a única Palavra de Deus que devemos ouvir, em quem devemos confiar e a quem devemos obedecer, tanto na vida quanto na morte.”

Com o tempo, mais pastores se juntaram ao movimento. Os que assinaram a declaração passaram a se identificar como Igreja Confessante, pois declaravam fidelidade exclusiva a Cristo, cuja autoridade excede a de qualquer governo. Muitos deles acabaram sendo demitidos do cargo pastoral, perseguidos ou forçados ao exílio.

Como os nazistas tentaram roubar o Natal

Depois de incitar a população alemã contra os judeus, algumas autoridades nazistas passaram a considerar contraditório celebrar, ano após ano, o nascimento de um judeu — Jesus de Nazaré. Por esse motivo, começaram a incentivar os alemães a retornarem às crenças pagãs de seus antepassados, promovendo, por exemplo, a substituição do Natal por festividades pagãs ligadas ao solstício de inverno. Alguns chegaram a reescrever hinos, removendo qualquer menção a Belém e a Jesus. O regime também promoveu uma nova canção natalina chamada “Noite Exaltada”, que proclamava que a salvação do mundo viria por meio da fé no sistema nazista — e não em Jesus.

Em 1937, o Papa Pio XI (1857–1939) fez uma condenação ao racismo e ao nacionalismo. Ele declarou: “Quem exalta a raça, o povo, o Estado, uma forma específica de governo, os detentores do poder ou qualquer outro valor essencial da sociedade humana — por mais necessária e respeitável que seja sua função no mundo —, e eleva essas coisas acima de seu valor legítimo, atribuindo-lhes um caráter quase divino, está distorcendo e corrompendo a ordem do mundo estabelecida por Deus; está longe da verdadeira fé em Deus e do modo de vida que essa fé inspira.”

Apesar dessa declaração, a principal preocupação de Pio XI era garantir que os católicos tivessem liberdade para praticar sua fé na Alemanha. Seu sucessor, Pio XII (1876–1958), não se pronunciou diretamente contra o massacre dos judeus, mas orientou os católicos a os protegerem sempre que possível. Sessenta anos depois, o Papa João Paulo II (1920–2005) pediu desculpas publicamente pelo silêncio da Igreja Católica, reconhecendo que ela devia ter se manifestado com mais firmeza durante o Holocausto.

O artigo acima é um trecho adaptado e retirado com permissão do livro História da Igreja, de Simonetta Carr, que será lançado em breve pela Editora Fiel.


Autor: Simonetta Carr

A premiada autora Simonetta Carr nasceu na Itália e viveu e trabalhou em diferentes culturas. Ex-professora do ensino fundamental, ela é mãe que educa seus filhos em casa há muitos anos. Como escritora, ela contribuiu para jornais e revistas do mundo todo e traduziu obras de diversos autores cristãos para o italiano. Atualmente, vive em San Diego com o marido, Thomas, e dois de seus oito filhos. Além de escrever e traduzir, ela ensina italiano como segunda língua. Ela é membro da Christ United Reformed Church e colaboradora assídua da revista Modern Reformation . Também escreve uma coluna regular, "Cloud of Witnesses" , para o site Place for Truth (parte da Alliance of Confessing Evangelicals) e dirige o podcast Kids Talk Church History . Simonetta já palestrou em igrejas, escolas e outros locais nos Estados Unidos, Canadá, Indonésia e Itália. Os temas de suas palestras incluem o ensino da história da igreja para crianças, saúde mental e a igreja, e questões relevantes levantadas por mulheres na história da igreja.

Ministério: Editora Fiel

Editora Fiel
A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

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