quarta-feira, 23 de outubro
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Deus se importa e nós também deveríamos nos importar

 

Falando em um debate na Universidade de Oxford, em 1998, Peter Atkins, na época professor de físico-química na universidade Lincoln College, ridicularizou os teístas por crerem que “existe algo lá fora, algo desconhecido lá em cima com que temos que gastar nosso tempo”. Esse foi o modo de refletir o seu ateísmo incondicional, e quando foi solicitado na televisão, alguns anos depois, para expressar seus pontos de vista sobre a existência ou não de Deus, ele respondeu: “Bem, é bastante simples: Não há um Deus”. A pergunta “Deus se importa?” é um subterfúgio para aqueles que concordam com Atkins.

Os deístas são diferentes. Eles creem na existência de Deus, mas afirmam que depois de ele ter criado o mundo, se afastou da criação. Eles o veem como alguém que faz as marcações de um campo de futebol e coloca as traves, depois assiste ao jogo da arquibancada, sem torcer por nenhum dos times e sem ter interesse no resultado. Especificamente, eles negam que Deus se preocupa com as nossas fraquezas e fracassos, e que podemos orar por sua ajuda.

A Bíblia pinta um quadro muito diferente e as primeiras pinceladas surgem logo no início. Após nossos primeiros pais deliberadamente terem virado as costas para Deus e destruírem o seu relacionamento com ele, as primeiras palavras registradas por Deus para Adão foram: “Onde estás?”. Como Deus é onisciente (ele conhece tudo), essa foi uma pergunta retórica. Deus estava dando aos primeiros pecadores do mundo uma oportunidade de confessarem os seus pecados e buscarem o perdão divino. Quando eles se recusaram, Deus os castigou justamente, mas mostrou o seu amor ao homem caído, prometendo que, embora houvesse uma nova ordem mundial arruinada, enviaria um Redentor para resgatar o homem de seu desastre auto-infligido: uma promessa cumprida pelo Senhor Jesus Cristo, quem “veio ao mundo para salvar os pecadores” (1Tm 1.15; veja Gn 3.15).

O cuidado de Deus por seu povo, tanto como nação quanto como indivíduos, é visto como um fio de prata através do registro bíblico da história humana. Ele assegura a um dos salmistas: “Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei” (Sl 91.14-15).

Depois de Deus ter resgatado de modo miraculoso o seu povo da escravidão no Egito, eles passaram quarenta anos vagando pelo deserto a caminho da terra prometida. Apesar de sua frequente rebelião, Deus proveu todas as suas necessidades. Algum tempo depois, eles foram lembrados: “estes quarenta anos o SENHOR, teu Deus, esteve contigo; coisa nenhuma te faltou” (Dt 2.7). Como disse outro escritor, quando eles “na sua angústia clamaram ao SENHOR, ele os livrou das suas tribulações” (Sl 107.6).

Repetidamente, os indivíduos testemunharam o cuidado infalível de Deus. Um crente próspero chamado Jó passou por um trauma terrível, incluindo a perda repentina de todo o seu rebanho, a morte de seus dez filhos em uma tempestade violenta, doenças horríveis e desfiguração que o tornaram irreconhecível. Tudo isso o levou a clamar: “O meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão apagando, e só tenho perante mim a sepultura” (Jó 17.1). Contudo, embora a sua fé tenha sido severamente abalada, ele nunca a perdeu, e confessou a Deus: “Vida me concedeste na tua benevolência, e o teu cuidado a mim me guardou” (10.12).

Um dos profetas de Deus assegurou aos seus ouvintes: “o SENHOR dos Exércitos tomará a seu cuidado o rebanho” (Zc 10.3), e o rei de Israel, Davi, cuja vida teve sérios baixos e grandes altos, testemunhou: “O Senhor é meu pastor” (Sl 23.1).

Quando pensamos no modo como às vezes tratamos Deus, o seu cuidado infalível por nós certamente é surpreendente. Não é de admirar que Davi pergunte: “que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites?” (Sl 8.4). Nunca seremos capazes de entender plenamente a resposta a essa pergunta, mas a verdade a que ela aponta deve nos encorajar a responder com gratidão a esta promessa: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus… lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.6-7).

Além disso, a Bíblia diz que a religião que é “pura e sem mácula, para com o nosso Deus” inclui “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações” (Tg 1.27). Essa é a descrição resumida da Bíblia quanto à nossa responsabilidade de ajudar a atender às necessidades dos pobres, dos desprovidos, dos desprivilegiados, dos doentes, dos incapacitados, dos solitários, dos vulneráveis ??e de muitos outros cujas necessidades são muito maiores que as nossas. Deus se importa, e nós também deveríamos nos importar.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira.

Revisão: William Teixeira.

Original: Does God Care?


Autor: John Blanchard

Dr. John Blanchard iniciou um ministério cristão de tempo integral após 13 anos no Serviço Civil de Gguernsey. Hoje é um autor conhecido internacionalmente, trabalha como professor e conferencista. Aproximadamente quinze milhões de cópias de suas publicações estão sendo impressas em mais de quarenta idiomas. Foi preletor na 8ª Conferência Fiel para Pastores e Líderes, no Brasil, em 1992. Além deste, tem vários livros traduzidos para o português: Convite para Viver, Em busca da Paz, Onde Está Deus Quando as Coisas Vão Mal?, Perguntas Cruciais, Rock in... Igreja?!

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