A Bíblia ensina que existe apenas um Deus; também ensina que Jesus é Deus e, ao mesmo tempo, Filho de Deus. Como pode ser isso? Essa questão intrigou os primeiros cristãos. Ário (c. 260–336), um presbítero de Alexandria, no Egito, tentou resolver o enigma dizendo que Jesus não é Deus da mesma forma que o Criador. Ário ensinou, por exemplo, que Deus Pai é eterno, enquanto Jesus teve um começo, o que significa que ele foi criado. O presbítero de Alexandria até inventou um jingle para explicar sua ideia — “existiu um tempo quando ele não existia” —, o que significava que houve um tempo em que Jesus não existia (o jingle era mais cativante no original grego). Hoje, as testemunhas de Jeová mantêm essa mesma crença. Além disso, os mórmons creem que Jesus foi o primeiro espírito criado, não o Filho de Deus.
Por todo o Império Romano, bispos, presbíteros e pessoas comuns começaram a se posicionar a favor de Ário e contra ele, de tal forma que havia discussões nos mercados e disputas nas ruas. Em 325, o imperador Constantino tentou trazer a paz, convocando uma reunião de bispos na cidade de Niceia (atual Iznik, na Turquia). Essa foi a primeira reunião eclesiástica convocada e presidida por um imperador. Também foi o primeiro concílio ecumênico, uma reunião de representantes de toda a Igreja, tanto do Oriente como do Ocidente.
Cerca de 200 bispos compareceram. Eles discutiram os principais ensinamentos que se divulgavam acerca de Jesus. A grande maioria acreditava que o Pai e o Filho eram um só Deus, mas distinguiam um do outro. Isso explicava por que Jesus podia dizer: “Eu e meu Pai somos um” (Jo 10.30), mas, ao mesmo tempo, orar ao Pai.
No fim, os bispos escreveram uma declaração afirmando que Jesus era da mesma substância do Pai, e Constantino aprovou essa formulação. Constantino deu a Ário a escolha de assinar a declaração ou exilar-se. Ário escolheu o exílio.
O Concílio de Niceia não pôs fim às discussões. Algumas cidades acabaram tendo dois bispos, um a favor de Niceia, e outro, de Ário.
Havia também pessoas que acreditavam que o Pai e o Filho eram dois deuses completamente diferentes, enquanto outros pensavam que o Pai e o Filho eram apenas um deus que aparecia em duas formas diferentes — ora como Pai, ora como Filho. A confusão continuou ao longo do século.
O assunto também se atrelou à política, porque alguns imperadores defenderam os pontos de vista de Ário, ao passo que outros se opuseram a eles. O bispo Atanásio de Alexandria, um dos maiores defensores das decisões tomadas em Niceia, foi exilado cinco vezes por diferentes imperadores, devido à sua firme crença de que Jesus Cristo é plenamente Deus.
Pense nisto
• Algumas pessoas dizem que Jesus nunca declarou especificamente ser o Filho único de Deus. Embora não o tenha feito, Jesus certamente aprovou aqueles que o afirmaram. Por exemplo, quando Pedro declarou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, Jesus lhe respondeu: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que é nos céus” (Mt 16.16-17). Jesus disse a Pedro que sua resposta estava correta. Encontre mais versículos que mostram que Jesus concordava com aqueles que diziam ser ele Deus.
• Criado ou incriado, da mesma substância ou de substância semelhante… Isso realmente importa? Não podemos simplesmente amar Jesus sem compreender quem ele realmente é? Por que não?
• Se Jesus não fosse Deus, sua morte na cruz seria o suficiente para nos salvar? Um homem pode morrer pelos pecados de outra pessoa? Explique sua resposta.
• Se Jesus não era realmente Deus e não podia nos salvar, como devemos vê-lo? Seríamos forçados a tê-lo apenas como um bom exemplo a ser seguido — uma maneira como diversas pessoas querem vê-lo hoje. No entanto, você gostaria de seguir alguém que não é o que alega ser?
• Leia João 1.1, 3, 14; 17.5; 20.8. Como as passagens provam que Jesus é Deus?
O artigo acima é um trecho adaptado e retirado com permissão do livro História da Igreja, de Simonetta Carr, que será lançado em breve pela Editora Fiel.
