quarta-feira, 25 de novembro
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O valor das Escrituras

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Todos os cristãos, certamente, afirmam que a Bíblia é a revelação de Deus e que ela é valorosa. O fato de concordarmos com esta afirmação evidencia que reconhecemos seu valor, mas se não a utilizamos, fica evidente, que é um valor irreal – apenas um discurso. A Bíblia é a Palavra de Deus e é valorosa, no entanto, ela terá um valor irreal se o fato de possuirmos um exemplar, a lermos constantemente, a estudarmos, ouvirmos mensagens e explicações sobre seus textos, não transformar nossa forma de viver e não alterar nossa ética. Observe alguns valores que a Escritura Sagrada tem para nos motivar a olharmos de forma diferente:

As Escrituras Sagradas têm valor profético. O conceito de profeta não é o de um vidente que vê o futuro, mas é o de ser a “boca de Deus” – mesmo que muitas vezes tenha revelado o futuro. Na antiguidade, quando Deus tinha um recado para a nação, Ele levantava um homem para ser Sua voz. A palavra hebraica que qualifica o profeta é “Nabiy”, que literalmente significa “porta-voz” (1Sm 3:20). Quando um profeta dizia algo em nome de Deus, era como ouvir o próprio Deus.

A Bíblia que temos nas mãos foi inspirada pelo Altíssimo e é Sua própria voz sendo compreendida (2Pe 2:21). Quando você lê um versículo consegue “ouvir” Deus falando? Se você lê e estuda a Palavra de Deus é um caso de teologia, mas se você anda escutando a voz de Deus é caso de psiquiatria. Há muitos tentando ouvir Deus com a Bíblia fechada. A voz de Deus não é um som ecoando no beco, mas é um versículo lido do texto. Cada frase que encontramos no texto sagrado é a voz de Deus. Alguns cristãos transformaram a Bíblia em frases poéticas, bonitas para os adesivos, para as camisetas ou para o rodapé de uma imagem do facebook. Ela não é isso, ela é a voz de Deus. Você vê este valor nela? Você se dobra em reverência quando descobre as verdades nela? Seus princípios são levados a sério? Se sua resposta foi negativa é porque ainda não reconhece o valor profético das Escrituras.

As Escrituras Sagradas têm valor transformador. Uma verdade universal é que todo tipo de ensino transforma, mas somente a Bíblia transforma à medida de Deus. Todo indivíduo que se submete a algum ensino, este aprendizado o conduzirá a uma transformação. Outra verdade universal é que qualquer forma de conhecimento expande a mente, de modo que uma vez submetida ao novo conhecimento, nunca mais volta ao “tamanho normal”. O ensino bíblico transforma à medida de Deus e o conhecimento bíblico expande a mente em critérios espirituais.

Um cuidado que devemos ter a fim de reconhecermos este valor das Escrituras é ficarmos atentos para não nos habituarmos a uma cultura religiosa e utilizarmos a Bíblia como mero ritual. Certa vez, Jesus foi cobrado pelos judeus por ter curado um paralítico no sábado (Jo 5.10). Jesus os respondeu afirmando que eles examinavam as Escrituras sabendo que havia vida eterna nelas, mas mantinham a tradição acima das Escrituras – pois O recusaram – sendo que as próprias Escrituras testificavam a respeito Dele (Jo 5.39). Observe que aqueles homens eram zelosos com a forma de viver judaica, respeitavam as tradições, mantinham o uso das Escrituras, mas não reconheciam seu valor transformador, pois eles não aceitaram que elas modificassem suas vidas (Jo 5.37-38). O resultado foi que Jesus disse que eles nunca haviam ouvido a voz de Deus.

Devemos tomar cuidado para não sermos pessoas que recusam mudar quando o ensino bíblico contraria nossa forma de viver e pensar. Se fizermos isto, seremos pessoas zelosas pelas tradições, com a Bíblia nas mãos, porém sem ouvir a voz de Deus.

As Escrituras Sagradas têm valor moral.  Se a Bíblia tem valor profético, então ela é o próprio Deus falando. Quando Deus fala não é a voz de qualquer um, é algo transformador, logo, o resultado, é que ela deve ser obedecida. O valor moral das Escrituras consiste na aplicação das verdades ditas por Deus a fim de que o homem as obedeça, ou seja, a Bíblia define nossa ética.

Os homens e até mesmo os animais têm ética. A frase: “fulano não tem ética,” não faz sentido. Alguém pode ter uma ética diferente da sua, ou do padrão normal aceitável e ser um antiético, ou seja, ter seus valores contrários ao esperado, mas nunca será sem ética. Ética é o resumo dos valores e princípios intrínsecos que nos faz julgar todas as coisas. Os animais o fazem com base em seus instintos, já os homens, são os únicos seres vivos com valores morais para este julgamento. É exatamente neste ponto, que afirmo que as Escrituras têm um valor moral, que deve definir nossa ética.

Quando Paulo escreve aos Coríntios e por duas vezes diz que tudo lhe era lícito, mas nem tudo convinha (1Co 6.12; 10.23), ele estava falando de ética. Há três princípios gerais que definem as questões da vida e que refletem a base de nossa ética: Quero, Devo e Posso. Muitas vezes estes princípios se tornam conflitantes: eu quero, mas não posso, posso mas não devo, e devo mas não quero. Paulo estava dizendo que havia coisas que ele podia, mas que não devia, e que havia coisas que queria, mas não iria se deixar dominar.

Reconhecer o valor moral das Escrituras é saber que não poderemos fazer tudo que nos é lícito porque não devemos. Não devemos porque os princípios morais determinados nas Escrituras devem superar nossas vontades. É algumas vezes obedecer às determinações bíblicas quando afirmarem que devemos fazer mesmo não querendo, e outras vezes não fazermos mesmo querendo.

O cuidado que devemos tomar neste aspecto é o de não tentar harmonizar os princípios bíblicos com os outros valores e princípios que já temos ou adquirimos. As Escrituras competem com estes valores; é a voz de Deus em meio a outras vozes existentes. Estes valores podem ser culturais, familiares, oriundos de tradições, padrão da maioria, etc. Se ouvirmos estas vozes quando estiverem em conflito com a voz de Deus, teremos desprezado o valor moral das Escrituras e, logo, fechado os ouvidos ao que diz o Senhor.

Quando um cristão reconhece o valor profético das Escrituras, ele vê nelas mais que um livro de sabedorias – vê a boca de Deus. Ao reconhecer a voz de Deus, ele não é apenas iluminado com a verdade, mas é transformado por esta voz poderosa. Se isso acontece, todo seu ser é transformado tornando-se uma pessoa madura e com princípios éticos mais puros, logo, o que ele quer será o que pode e também o que deve.


Autor: Paulo Henrique Tavares

Ministério: Ministério Fiel

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Ministério Fiel: Apoiando a Igreja de Deus.

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