domingo, 17 de novembro
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Quatro fundamentos da masculinidade bíblica

Artigo adaptado do livro Homens de Verdade, da Editora Fiel.

Quando se trata de praticamente todas as perguntas sobre as intenções de Deus para homens e mulheres, a resposta quase sempre é a mesma: voltar para o jardim. Quando indagaram a Jesus sobre casamento (Mt 19.4–6), ele respondeu a partir de Gênesis 2. De forma semelhante, quando Paulo estava discutindo o papel das mulheres em relação aos homens (1Tm 2.11-14), encontrou suas respostas em Gênesis 2. O Novo Testamento vê as questões de gênero e de relacionamento entre homens e mulheres respondidas nos capítulos iniciais da Bíblia: o ensino básico sobre a Criação em Gênesis 1 e o registro do tratamento específico de Deus em relação ao primeiro homem e à primeira mulher em Gênesis 2. É aí que devemos procurar o ensinamento mais básico da Bíblia sobre masculinidade.

Masculinidade: quem, onde, como e o quê
Assim como nunca entenderemos as regras de Deus para o casamento e seu chamado para esposos e esposas sem o entendimento de Gênesis 2, também nunca entenderemos o que significa ser homem — solteiro ou casado — sem estudar este capítulo de importância vital. Gênesis 2 nos diz quatro coisas essenciais sobre o homem: quem ele é, onde está, o que é e como deve cumprir sua vocação. Obviamente, isso é algo muito importante, essencial para uma compreensão correta de nosso chamado como homens.

Quem somos: criaturas espirituais
Gênesis 2.7 fala de como Deus formou o homem de maneira especial: “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”. Essa criação do homem é única de duas maneiras.

Primeiro, Deus não fez nenhuma outra criatura com esse cuidado manual. Para criar os animais, Deus simplesmente falou, e sua declaração foi suficiente. Mas Deus formou o homem do pó, moldando-nos com cuidado paternal.

Segundo, Deus soprou no homem seu próprio sopro — o sopro da vida eterna. Devemos perceber que isso significa que Deus fez o homem para ser diferente. Não somos apenas mais um tipo de criatura entre muitas. Homens e mulheres são criaturas espirituais. Antes, a Bíblia diz que Deus fez o homem “à sua imagem” (Gn 1.27). Tanto em nossos corpos mortais como em nossos espíritos imortais (aquele sopro de vida de Deus), fomos capacitados a conhecer a Deus e chamados a carregar sua imagem no mundo criado.

Deus nos deu uma natureza espiritual para que pudéssemos carregar sua imagem como seus adoradores e servos. Isso é quem somos como homens.

Onde Deus nos colocou: aliança
O próximo versículo, Gênesis 2.8, nos dá informações importantes que são facilmente ignoradas. Depois de Deus ter feito esse homem como algo único — uma criatura espiritual —, onde, no grande globo terrestre, o colocou? Afinal, havia apenas um Adão, que só poderia estar em um lugar, e, durante todo o processo de criação, Deus estava claramente sendo bastante intencional em todas as suas ações. Certamente, o posicionamento do homem seria igualmente intencional. A resposta é: “E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado”.

O jardim do Éden é descrito na Bíblia como um pequeno canto do mundo originalmente criado que Deus tornou rico e belo. Adão foi colocado no jardim, juntamente com Eva, com o seguinte mandamento: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28).

O que devemos pensar sobre esse jardim? O jardim é o lugar no qual Deus se relaciona de maneira pactual com sua criatura humana, e onde Deus leva o homem a relacionamentos e obrigações pactuais. Em termos da história bíblica do homem, o jardim era originalmente o lugar no qual toda a ação acontecia. Adão deveria inserir-se na obra de criação de Deus, a começar pelo jardim, que ele deveria cultivar e trabalhar, a fim de que a glória de Deus crescesse e se espalhasse, e para que o conhecimento de Deus se estendesse por todo o cosmos. O onde do homem, pelo menos antes da queda de Adão no pecado (Gn 3), é o jardim: o reino feito por Deus de relacionamentos e deveres pactuais para a glória do Senhor.

O que somos: senhores e servos
“Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a”, disse Deus a Adão e a Eva em conjunto (Gn 1.28). Aqui começamos a ver “o quê” da masculinidade, ou seja, que Adão foi colocado no jardim para ser seu senhor e servo. Adão deveria glorificar a Deus ao se dedicar a frutificar em nome de Deus, começando no jardim e estendendo-se por toda a criação. Por essa razão, Adão era o assistente de Deus, exercendo autoridade sobre a criação: “dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28).

Essa é a vocação da humanidade como um todo, tanto dos homens como das mulheres, mas especialmente dos homens. Deus colocou Adão em um papel de liderança em relação a Eva, referindo-se a ela como a “auxiliadora” de Adão (Gn 2.18, 20). Deus fez a mulher para Adão, e foi Adão quem deu nome à mulher, como havia nomeado todas as outras criaturas; pois ele era o senhor do jardim, servindo e representando o Senhor, seu Deus, que está acima de tudo. Adão não deveria dedicar-se, portanto, a infindáveis buscas por sua identidade masculina; ele deveria ser o senhor e o guardião do reino criado por Deus, trazendo glória ao Criador ao buscar espelhar a imagem de Deus como um servo fiel.

Como obedecemos a Deus: cultivar e guardar
Gênesis 2.7–8 nos diz quem o homem é, uma criatura espiritual feita para conhecer e glorificar a Deus; onde o homem está, colocado por Deus no coração do jardim que ele fez; e o que o homem é, o senhor e servo da glória criada por Deus. Finalmente, avançando alguns versículos até Gênesis 2.15, aprendemos como o homem deveria cumprir seu chamado: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar”.

Cultivar e guardar: aqui está o como da masculinidade bíblica, o mandato da Escritura para os homens:

Cultivar. Cultivar é trabalhar para fazer com que as coisas cresçam. Envolve nutrir, cultivar, cuidar, construir, orientar e governar.
Guardar. Guardar é proteger e sustentar o progresso já alcançado. Envolve defender, proteger, vigiar, cuidar e manter.
Conceitualmente, há alguma sobreposição entre esses termos e, na prática, as ações de cultivar e de guardar frequentemente se misturam. Parece que Deus estava usando esses dois termos complementares para indicar o conjunto de atitudes e comportamentos que constituiriam a masculinidade como ele desejava que funcionasse. É útil, portanto, ver “cultivar” e “guardar” em Gênesis 2.15 como papéis separados, embora relacionados. Duas palavras que servem como bons resumos de ambos os termos são serviço e liderança, palavras modernas que se relacionam intimamente com as palavras bíblicas servo e senhor.

Com base no ensinamento de Gênesis 2, os homens devem entrar no mundo que Deus criou como os homens que ele nos fez para ser, senhores e servos sob sua autoridade, a fim de que possamos cumprir nosso mandato: cultivar e guardar.

A aventura começa
Deus tem algo muito mais empolgante para você e para mim; pois é em obediência às Escrituras que a aventura da vida de um homem realmente começa. Deus nos chama para carregar sua imagem no mundo real, neste jardim que foi corrompido pelo pecado, mas está sendo redimido pelo poder da graça de Deus em Cristo. Ele nos chama para fazer isso na condição de líderes e servos na causa definitiva de espelhar a glória de Deus e frutificar o amor de Deus em relacionamentos reais. Este é o Mandato Masculino: que sejamos homens espirituais colocados em relacionamentos definidos por Deus no mundo real, como senhores e servos sob Deus, para dar o fruto de Deus ao servir e liderar.


Autor: Richard Phillips

Parceiro: Ministério Ligonier

Ministério Ligonier
Ministério do pastor R.C. Sproul que procura apresentar a verdade das Escrituras, através diversos recursos multimídia.

Ministério: Editora Fiel

Editora Fiel
A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

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