quarta-feira, 18 de setembro
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Silenciando a mente de Marta

O trecho abaixo foi retirado do livro Refresh, de David e Shona Murray, publicado pela Editora Fiel.

O mundo de Marta

Recentemente, uma revista trouxe a seguinte manchete: “As mulheres estão se matando de trabalhar”, com base em um estudo realizado pela Ohio State University, em parceria com a Mayo Clinic, comparando quase oito mil homens e mulheres por um período de 32 anos. Essa pesquisa revelou que trabalhar por mais de quarenta horas por semana causa sérios danos à saúde da mulher — aumenta o risco de doenças cardíacas, câncer, artrite e diabetes. Trabalhar por sessenta horas por semana ou mais triplica o risco. O principal autor do estudo, o professor Allard Dembe, advertiu: “As pessoas não costumam pensar sobre como suas primeiras experiências com o trabalho podem afetá-las no longo prazo […] Mulheres com 20, 30 e 40 anos estão lançando as bases para os problemas que vão aparecer depois”. Inesperadamente, os riscos só são altos para as mulheres, e não para os homens. Algumas análises posteriores levaram os pesquisadores a concluir que o risco maior para as mulheres não se explica necessariamente pelo fato de as mulheres serem mais fracas, mas porque estão fazendo muito mais do que os homens:

Segundo os sociólogos, além de trabalhar fora, as mulheres frequentemente enfrentam um “segundo turno” de trabalho, no qual têm a responsabilidade de cuidar das crianças, fazer as tarefas domésticas e muito mais. Todo esse trabalho dentro e fora de casa, além de todo o estresse que isso causa, está prejudicando severamente as mulheres. Pesquisas indicam que as mulheres costumam assumir mais responsabilidades familiares e, portanto, têm mais chances de se sentir mais sobrecarregadas do que os homens.

O professor Dembe também identificou que as mulheres se sentem menos satisfeitas com o trabalho porque precisam conciliar o emprego com as muitas obrigações domésticas. Mas isso não é um problema somente na cultura geral; também é um problema entre os cristãos. Uma pesquisa realizada com mais de mil mulheres cristãs, patrocinada pela revista Woman, constatou que 60% das mulheres cristãs trabalham em tempo integral fora de casa. Joana Weaver, autora do livro Como ter o coração de Maria no mundo de Marta, fez a seguinte observação a esse respeito: “Acrescente tarefas e obrigações domésticas a uma carreira que exige quarenta horas semanais, e você terá a receita para a exaustão”. Mas ela também alertou as donas de casa: “As mulheres que escolhem ficar em casa têm uma vida tão agitada quanto as que trabalham fora. Correr atrás dos bebês, levar as crianças ao futebol, fazer trabalho voluntário na escola, ficar com os filhos dos vizinhos — a vida parece agitada em todos os sentidos”. Talvez você esteja vendo a Sra. Frenética no espelho ou ouvindo-a em seu coração e em sua mente.

Nossa orquestra interior

Todo cristão quer conhecer mais a Deus; poucos são aqueles que lutam em prol do necessário silêncio para conhecê-lo. Em vez disso, passamos o dia tocando címbalos que destroem a quietude e o conhecimento que deveriam ocupar nossos ouvidos e nossa alma. E, com tantos gongos e estrondos em nossa vida, às vezes fica difícil diferenciá-los e identificá-los. Então, quero ajudar você com isso e, em seguida, presenteá-la com alguns abafadores.

Primeiro, há o barulho da culpa e da vergonha de nossos tenebrosos segredos morais: “Eu deveria… eu não deveria… eu deveria… eu não deveria…”, tudo isso soa em alto e bom som nas profundezas de nosso ser, destroçando nossa paz e perturbando nossa tranquilidade.

Depois a ganância começa a bater com força em nossos corações com baquetas implacáveis: “Eu quero. Eu preciso. Eu preciso ter. Eu vou ter. Eu tenho. Eu quero. Eu preciso”. E assim por diante.

E o que é essa batida metálica e raivosa? É o ódio incitando malícia, má vontade, ressentimento e vingança: “Como é que ela pôde…? Eu vou pegá-la! Ela vai me pagar por isso!”. É claro que, com bastante frequência, a ira se insere no címbalo da controvérsia, provocando discórdia, debate, briga e divisão. A vaidade também acrescenta sua batida orgulhosa e altiva, abafando todos os que competem com nossa beleza, nossos talentos e nosso status: “Eu subo… ele desce, eu subo… ela desce, eu subo… todos descem”. A ansiedade também tilinta bem lá no fundo para nos distrair, olhando rapidamente para o passado, o presente e o futuro, em busca de coisas sobre as quais possamos nos preocupar: “E se… e se… e se…”. E será que estou escutando aquele pequeno triângulo prateado da autocomiseração? “Por que eu? Por que eu? Por que eu?

A repetitiva e incessante barulheira da expectativa vem de todas as direções — membros da família, amigos, empregadores, igreja e, especialmente, de nós mesmas. Ah, se eu tivesse alguns segundos de alívio da tirania das exigências de outras pessoas, especialmente de minhas próprias exigências e de minha consciência supersensível. E, esmagando nossa vida, para onde quer que nos voltemos, estão os címbalos gigantes da mídia e da tecnologia: local e internacional, no papel e em pixels, som e imagem, áudio e vídeo, bip e tweet, notificações e lembretes, e assim por diante.

Causa-nos surpresa o fato de algumas vezes nos sentirmos como se estivéssemos ficando loucas? Vivemos em meio a constantes rangidos e barulhos, balanços e quebras, batidas ensurdecedoras e abafadoras — uma grande orquestra de instrumentos barulhentos que perturbam a paz e desmontam a alma.

Então, lemos: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.” Mas como?

Silenciando os címbalos

Podemos silenciar os címbalos da culpa por meio da fé no sangue de Cristo, dizendo: “Creia!”. Creia que seus pecados foram todos pagos e perdoados. Não há razão alguma para um sussurro sequer de culpa. Olhe para o sangue até conseguir entender quanto é precioso e eficaz. Ele pode tornar você mais alva do que a neve e pode deixar sua consciência mais calma do que o orvalho da manhã.

Não é fácil silenciar a ganância. Talvez o máximo que podemos esperar é que seja abafada. Tente viver com menos do que aquilo ao qual você está acostumada, tente passar algum tempo comprando somente o necessário e tente passar um tempo à sombra do Calvário. Você verá que sua necessidade é muito menor quando se der conta de quanto Cristo nos deu! Faça seu orçamento diante da cruz (2Co 8.9).

Nossa ira nada santa pode ser reduzida pela ira santa de Deus. Quando sentimos a ira ardente de Deus contra todo pecado e toda injustiça, começamos a nos acalmar e relaxar.

“A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).

A doutrina da depravação total do homem é o abafador supremo da vaidade pessoal. Quando me vejo como Deus me vê, meu coração, minha mente e até mesmo minha postura mudam. Deixo de competir pelo lugar mais alto e começo a aceitar a posição inferior. “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).

Ei! Agora estou começando a ouvir um pouco de silêncio. Mas ainda há uma ansiedade inquietante tinindo por aí. Ah, como eu quero me livrar disso!

Paternidade. O quê?

Sim, a paternidade de Deus pode diminuir o volume da ansiedade para zero. Ele conhece, ele cuida e ele proverá tudo aquilo de que você precisa. Silencie seus “e se…” diante daquele que alimenta até os passarinhos (Mt 6.25-34). Sarah, que é mãe de dois filhos, me disse o seguinte: “Às vezes, as coisas que começam a deixar você cansada ou exausta são aquelas que você não tem como abandonar. Só porque você está se sentindo estressada com as responsabilidades relacionadas ao seu marido e aos seus filhos, isso não significa que você possa simplesmente levantar e sair — às vezes, nem por uma tarde sequer! Em algumas ocasiões, você simplesmente tem de abaixar a cabeça e persistir, mas, ao mesmo tempo, é importante colocar nossas emoções, nossas fraquezas e nosso cansaço nas mãos do Pai celestial”.

Ah, chame de novo a depravação total quando a autocomiseração bater à porta. A indagação “Por que eu?” não pode subsistir diante de “Por que não eu?”.

“Ela fez o que pôde” (Mc 14.8). Você ama essas palavras de Cristo sobre Maria, quando ela ungiu a cabeça dele? Que expectativa fulminante! Toda vez que o diabo despótico, as outras pessoas ou sua consciência tirânica exigirem mais do que você possa dar, lembre a eles as palavras tranquilizadoras de Jesus: “Ela fez o que pôde”.

Esse silêncio cada vez maior não é maravilhoso? Pode tornar-se ainda melhor se você andar mais uma milha para lidar com os intrusos barulhentos da mídia e da tecnologia. É nisso que pretendo focar nas próximas páginas.


Autor: Shona Murray

Ministério: Editora Fiel

Editora Fiel
A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

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