sábado, 18 de janeiro
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Um antídoto contra a inveja

Em resposta a seus seguidores que se ressentiam da crescente proeminência de Jesus, João expôs este princípio-chave para servir ao Senhor: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (Jo 3.27). O argumento de João era que os homens devem contentar-se com o lugar e a provisão que o Deus soberano lhes confere, procurando apenas ser fiéis ao chamado particular de cada um.

Aqui está o antídoto para a inveja e a discórdia entre os cristãos, pois a declaração de João nos lembra que tudo o que temos é dádiva do céu. Se temos grandes dons e uma grande vocação, eles foram dados por Deus para seu serviço. Se temos dons modestos e uma vocação modesta, eles também foram dados por Deus para seu serviço. Saber disso deve afastar-nos dos desafios do ciúme, por um lado, e da vanglória, de outro. Paulo pergunta: “E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (1Co 4.7). Então, se temos dons, eles vieram de Deus. Se somos bem-sucedidos, é por causa da graça de Deus. Se fomos diligentes, até mesmo isso é um dom celestial. Por essa razão, não devemos glorificar aqueles que vemos como cristãos bem-sucedidos, mas, em vez disso, dar toda a glória a Deus. Por outro lado, se Deus nos concedeu um sucesso menor, não devemos ter inveja daqueles que têm mais. Tudo o que temos vem de Deus e é para sua glória.

Essa compreensão nos ajuda a distinguir entre a ambição piedosa e a ambição ímpia. Sim, os cristãos devem ser ambiciosos, mas pelas coisas certas. Nós devemos ter disposição e zelo pelo reino de Deus. Devemos aspirar a cultivar e guardar como cristãos: prover aqueles que estão sob nossos cuidados, fazer o bem no mundo, proteger e sustentar os fracos e, especialmente, levar as pessoas à fé em Cristo e discipulá-las para a maturidade cristã.

Quaisquer que sejam os dons que você tenha, deve ser ambicioso sobre o que Deus pode fazer com eles e através deles. É claro que isso está muito longe da ambição egoísta que tantas vezes é muito mais natural para nós. Tendemos a estar mais preocupados com nossa reputação e bem-estar. É daí que vêm nossos conflitos e inveja: queremos ser glorificados e admirados — caso contrário, por que nos preocuparíamos com o fato de os outros terem mais destaque do que nós? Queremos desfrutar ou adquirir posição elevada, riquezas e luxos mundanos — caso contrário, por que, então, ficamos ansiosos quando essas coisas são ameaçadas? O princípio de João é fundamental tanto para nossa utilidade a Deus como para nosso bem-estar espiritual. Se pudermos substituir a ambição egoísta pela ambição centrada em Deus, estaremos livres da inveja e do conflito.

O talentoso pregador F. B. Meyer lutou contra a inveja. Deus o chamou para servir em Londres ao mesmo tempo que Charles Haddon Spurgeon, possivelmente o maior pregador que já viveu. Assim, apesar de sua habilidade e de seu trabalho duro, Meyer ficava do lado de fora de sua igreja e observava as carruagens passarem direto para o Tabernáculo Metropolitano, de Spurgeon. Mais tarde em sua vida, isso aconteceu novamente, quando G. Campbell Morgan eclipsou o sucesso de Meyer. Quando eles pregavam na mesma conferência, multidões escutavam Morgan, depois saíam quando Meyer estava pregando. Reconhecendo seu espírito amargo, Meyer se comprometeu a orar por Morgan, raciocinando que o Espírito Santo não permitiria que ele invejasse um homem por quem orava. E ele estava certo. Deus permitiu que Meyer se alegrasse com a pregação de Morgan. As pessoas o ouviam dizer: “Você já ouviu Campbell Morgan pregando? Você ouviu a mensagem desta manhã? Deus está sobre esse homem!”.[1] E, em resposta às orações de Meyer, a igreja de Morgan ficou tão cheia que as pessoas vieram e encheram a sua igreja também.

É uma glória para João Batista que ele, aparentemente, não tivesse tais lutas no tocante a Jesus. Ele sabia que não era o Salvador: “Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor” (Jo 3.28). João entendeu seu lugar e papel; o tempo todo, ele estava preparando e depois direcionando as pessoas para que seguissem Jesus, o verdadeiro Cordeiro de Deus e Salvador. Assim, ele se alegrou quando elas fizeram isso. Não o incomodava nem um pouco o fato de sua estrela estar se apagando com a luz ascendente de Cristo. João sabia que Deus é soberano. Para cada um de nós, Deus distribui obras e os dons para realizá-las. O que importa é que cumpramos fielmente nosso chamado particular para a glória de Deus, buscando sua aprovação, e não o louvor dos homens.

Essa é uma das razões pelas quais entender o mandato da Bíblia para os homens é tão importante. João disse que apenas queria cumprir o que o Senhor havia ordenado a ele. O que o Senhor ordenou que você faça? Qual é o seu chamado? Para começar, você pode estar certo de que tem o chamado de Gênesis 2.15: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar”. Desde as raízes da humanidade e as primeiras páginas da Escritura, a essência do nosso chamado é clara. Devemos cultivar e guardar em qualquer canto do reino no qual Deus nos tenha colocado. Entender e abraçar esse aspecto essencial de nosso chamado é a chave para viver produtivamente como um servo-discípulo de Cristo.

[1] R. Kent Hughes, John (Wheaton, IL.: Crossway, 1999), 95.

Artigo adaptado do livro Homens de Verdade, de Richard D. Phillips.


Autor: Richard D. Phillips

Richard D. Phillips servir por trinta anos no exército até que o Senhor o chamou para o ministério pastoral. Doutor em Divindade pela Greenville Presbyterian Theological Seminary, Phillips serve como ministro sênior da Second Presbyterian Church, em Greenville, Carolina do Sul, EUA, e é membro do conselho do The Gospel Coalition.

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A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

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