segunda-feira, 15 de julho

Um desejo genuíno de obedecer

A sua vida está de acordo com os seus lábios?

Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as pratica […] é semelhante a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha. (Lc 6.47-48)

Cristãos são aqueles que confessam Jesus como Senhor. Porém, conforme Jesus está prestes a dizer, nem todo aquele que confessa Jesus como Senhor é um cristão. A questão crucial, portanto, e a que Jesus apresenta ao chegar à conclusão desse que é um dos sermões mais desafiadores, é a seguinte: a sua vida está de acordo com os seus lábios?

Não passe muito rapidamente por essa pergunta, nem suponha que ela é endereçada aos outros, mas não a você. Lucas nos disse bem no início de seu registro da mensagem de Jesus que ele estava falando a “muitos discípulos seus e grande multidão do povo, de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidom” (v.17). Eles tinham vindo “para o ouvirem e serem curados de suas enfermidades” (v.18). Em outras palavras, Jesus dirigia-se a um grupo que poderia ser vagamente descrito como “seguidores”. Os que o ouviam naquele dia não eram diferentes daqueles que você encontraria em uma igreja normal, em um domingo normal, nos dia de hoje: os interessados, os ávidos, os intrigados, os cheios de expectativa, os confusos, complacentes, os fiéis. De fato, esses “seguidores” não eram diferentes daqueles que provavelmente pegarão e lerão este livro. Você encontrará a si mesmo entre eles, assim como eu encontro a mim.

E é a essa grande mistura de pessoas que Jesus quer deixar esta pergunta: baseado em que, eu posso saber que Jesus é verdadeiramente meu “Senhor e Mestre”? Baseado em que, eu posso saber que realmente estou no Reino dele? Jesus queria que aquelas pessoas e nós não tivéssemos nenhuma dúvida sobre o que significa verdadeiramente tê-lo como nosso Rei.

Jesus já nos mostrou o tipo de vida que será emblemático para aqueles que podem dizer com exatidão que realmente seguem Jesus. Em primeiro lugar, é uma vida que abraça uma inversão daqueles valores que dominam nossa cultura, e que dominaram todas as culturas ao longo da história. É valorizar o que o mundo considera deplorável e questionar o que o mundo considera desejável: aceitar que haverá uma sensação de dissonância entre a forma como nós e os outros vemos o mundo, o que nós e os outros enfatizamos na vida e como nós e os outros escolhemos falar. É ser capaz de dizer: “Eu costumava ficar feliz em concordar com isso. Eu costumava ser capaz de falar dessa maneira. Eu costumava ser capaz de rir dessas piadas. Eu costumava ser capaz de ignorar essa injustiça. Mas agora não posso ser assim. De fato, não quero ser assim, porque Jesus é o Senhor da minha vida”.

Em segundo lugar, aqueles que são capazes de declarar justificadamente o senhorio de Jesus também demonstrarão um amor bastante excepcional: não um “amor” recíproco – um tipo de relacionamento “uma mão lava a outra” – nem um “amor” superficial, que não passam de cortesias comuns da interação. É um amor que se assemelha ao de Deus; um amor que é gentil com os ingratos e os maus, e um amor marcado pelo perdão e pela generosidade.

Em terceiro lugar, a vida de alguém cujo Senhor realmente é Jesus será marcada por uma integridade que é rápida em confessar suas próprias deficiências e pecados, gentil em ajudar os outros a vencer o pecado deles e que está preparada para enfrentar o desafio de que “a boca fala do que está cheio o coração” (v. 45).

Agora, em quarto lugar, Jesus diz que aqueles que realmente o conhecem deixarão isso claro por meio de um desejo genuíno de lhe obedecer.

Portanto, aquilo que fazemos com as palavras de Jesus é um grande sinal de nossa verdadeira identidade e de nosso destino eterno. Jesus é a bifurcação da estrada. Foi isso que Simeão percebeu profeticamente ao segurar o bebê Jesus em seus braços: “Eis que este menino”, disse ele a Maria e José, “está destinado tanto para a ruína quanto para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição […] para que se manifestem os pensamentos de muitos corações” (v. 34-35). Isso foi o que João Batista revelou profeticamente ao apontar para aquele que viria após ele: “A sua pá, ele a tem na mão, para limpar completamente a sua eira e recolher o trigo em seu celeiro; porém queimará a palha em fogo inextinguível” (3.17). Simeão e João estavam dizendo que aqueles que se curvarem diante do senhorio de Jesus serão reunidos por ele e ascenderão a tudo o que está preparado para que seu povo desfrute na eternidade. Aqueles que se recusarem a curvar-se diante de seu senhorio, no entanto, cairão, serão expulsos e passarão a eternidade sem ele.

Portanto, não pode haver pergunta mais importante do que a que diz respeito a como lidamos com Jesus. E, assim, voltamos à questão sobre a qual paira a eternidade: será que realmente temos Jesus como nosso Senhor?

Este artigo é um trecho adaptado e retirado com permissão do livro A vida cristã segundo Jesus, de Alistair Begg, Editora Fiel.

Para ler outros artigos que também são trechos deste livro, CLIQUE AQUI.


Autor: Alistair Begg

Alistair Begg serviu duas igrejas na Escócia, sua terra natal, antes de responder, em 1983, ao chamado para se tornar o pastor principal na Parkside Church, em Cleveland (Ohio). Graduado pela London School of Theology, Begg já escreveu vários livros. Além disso, é ouvido diariamente no programa nacional de rádio Truth for Life. Ele e sua esposa, Susan, se casaram em 1975 e têm três filhos adultos.

Ministério: Editora Fiel

Editora Fiel
A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

Veja Também

10 versículos-chave da Bíblia sobre Morte e Ressurreição

Para o crente, a vida não termina na morte, mas prossegue eternamente, como uma infindável vida de comunhão com Deus.