A eternidade é um dos temas centrais das Escrituras, revelando quem Deus é e qual é o destino final da humanidade. Estes dez versículos mostram o Senhor como o Rei eterno, cujo trono está firme desde a antiguidade, e apresentam a gloriosa promessa da vida eterna concedida em Cristo. Da imutabilidade de Jesus à vitória definitiva sobre a morte e à esperança de novos céus e nova terra, a Bíblia aponta para a segurança, a perseverança e a comunhão eterna dos redimidos com Deus.
Confira 10 versículos bíblicos sobre a Eternidade, acompanhados de comentários da nossa Bíblia de Estudo da Fé Reformada com Concordância, que ajudam a perceber como essa temática percorre toda a Escritura:
Jeremias 10.10
Mas o Senhor é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação.
Sobre “verdadeiramente… Deus vivo” ver Deuteronômio 5.26.
Sobre “Rei eterno” ver nota no versículo 7; cf. Êxodo 15.18; 2 Samuel 7.13. A eternidade do reino de Deus é afirmada, embora a casa de Davi esteja prestes a chegar ao seu fim histórico. furor… indignação. Cf. Salmos 97.5.
Salmo 41.13
Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, da eternidade para a eternidade! Amém e amém!
Uma doxologia que conclui o Livro 1 (Introdução: Características e Temas Principais). Com toda a probabilidade, a doxologia é um poema independente.
Deus é bendito em resposta a todas as bênçãos que já concedeu nos Salmos 1–41.
Salmo 94.2
Desde a antiguidade, está firme o teu trono; tu és desde a eternidade.
Deus não tem princípio; ele é incriado. Essa concepção do eterno reinado de Deus está em perfeito contraste com a teologia da Mesopotâmia e de Canaã. Nessas regiões vizinhas, o poder dos deuses variava segundo as mudanças na arena política.
João 3.16
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Alguns têm insistido que Deus enviou Jesus para morrer, a fim de tornar a salvação possível a todos, sem exceção. Não obstante, Jesus deixa claro que a salvação daqueles a quem o Pai lhe deu não é uma mera possibilidade, mas, sim, uma certeza absoluta. Todos aqueles a quem o Pai escolheu virão a Cristo, o qual deu sua vida somente por suas ovelhas, e não pelos que não foram escolhidos desde a fundação do mundo (6.37-40; 10.14-18; 17.9). A questão central que gira em torno de “o mundo” é que a obra salvífica de Cristo não se limita a um só tempo ou lugar ou povo (os judeus), mas se aplica aos eleitos do mundo inteiro, não importa a era em que vivam ou sua etnia. Além disso, em João, “o mundo” frequentemente se opõe a Deus (1.10; 7.7; 17.17; 15.18, 19), de modo que a maravilha do amor de Deus é exibida na indignidade de seu objeto. Os que não recebem o remédio que Deus preparou em Cristo perecerão. Permanece verdadeiro que todo aquele que crê em Cristo não morrerá (ser separado de Deus), mas viverá na presença de Deus para sempre. Ver nota teológica “A Bondade de Deus” na p. 991.
João 4.14
Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.
Aqui, é expressa a origem divina da bênção: “fonte a jorrar” é sua grande abundância; “vida eterna” é sua duração infindável.
Hebreus 13.8
Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.
Embora líderes humanos saiam de cena, Jesus Cristo é “o mesmo” (1.12), “ontem” (quando Deus falou pelos profetas — 1.1), “hoje” (quando Deus nos chama a entrar em seu descanso pela fé — 3.7, 13; 4.7) e “para sempre” (1.8; 7.17, 21, 24, 28). Ele é a âncora forte em meio aos sofrimentos e às incertezas (6.19).
1 Coríntios 15.54-55
E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
Essa é uma das passagens mais eloquentes e mais poderosas na Escritura. Com paráfrases de Isaías e Oseias (baseadas na Septuaginta), Paulo alude ao seu argumento anterior nos vv. 24-28 e nos assegura vigorosamente a completude da destruição da morte no dia da ressurreição. Esse dia também marcará a destruição do “pecado” e da “lei” como instrumento de pecado. Na carta aos Romanos, Paulo explica, em detalhes, como o pecado é o veneno que traz morte a todos (Rm 5.12) e como a lei, embora seja ela mesma santa, torna-se um instrumento por meio do qual o pecado pode enganar (Rm 7.7-12).
João 10.27-28
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.
“As minhas ovelhas” ou seja, as ovelha de Jesus o ouvem (vv. 3-5) e o seguem (v. 4). Esses crentes exibem renovação na nova diretriz e no compromisso de suas vidas. Observe Mateus 25.31-46, passagem em que o Filho do Homem age como um pastor a separar suas “ovelhas” dos “cabritos”, conduzindo as primeiras à vida eterna e enviando os últimos à punição eterna.
O Senhor dá às suas ovelhas vida infindável de comunhão com Deus (17.2, 3; cf. Ap 7.14-17). Ele as protege de perecer, em conformidade com a infalibilidade da graça divina, e não permite que nenhuma delas seja arrebatada de sua mão. Os santos perseveram porque Deus os preserva. As ovelhas não podem escapar da mão de Deus, porque o Pastor divino guardará todas as suas verdadeiras ovelhas do extravio (cf. 17.12). As advertências solenes da Escritura contra a apostasia não se destinam a suscitar dúvida sobre a perseverança divina em relação àqueles a quem ele salvou (cf. 1Jo 2.19). Ver nota teológica “Perseverança dos Santos”, na p. 1994.
Romanos 6.23
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
O contraste triplo entre salário, pecado e morte em relação a dom, Deus e vida eterna leva o argumento de Paulo a um foco memorável. Especificamente, o pecado paga a seus escravos o salário que eles merecem, ou seja, a morte, enquanto Deus dá graciosamente àqueles que creem em Cristo um dom que nunca poderiam merecer: a vida eterna.
Apocalipse 21.1, 3
Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.
Alguns pensam que o novo universo será um mundo totalmente novo, sem qualquer conexão com o velho. Mas Isaías 65.17-25 e Romanos 8.21-23 indicam que uma transfiguração do mundo antigo está em vista, à semelhança de como nosso corpo será a transfiguração do velho (1Co 15.35-57). Tudo é novo (v. 5), o que indica a inteireza da transfiguração, mas o resultado é redenção, e não abolição do antigo. Ver nota teológica “Céu”.
Edição por Renata Gandolfo.

Este artigo faz parte da série Versículos-chave.
Todas as seções de comentários adaptadas da Bíblia de Estudo da Fé Reformada com Concordância, Editora Fiel.
