segunda-feira, 27 de maio

A inerrância da Escritura Sagrada – parte 2

Os Pais da igreja e os Reformadores afirmavam a inerrância da Palavra de Deus

Este artigo é um recurso selecionado para a Semana da inerrância bíblica do Ministério Fiel e Voltemos ao Evangelho, uma semana onde estamos, juntos com a igreja verdadeira, proclamando a inerrância, suficiência e autoridade da Bíblia, que é a Palavra de Deus. Aqui no blog do Ministério Fiel postaremos uma série de artigos (A inerrância da Escritura Sagrada) acerca da perspectiva histórica da inerrância bíblica, começando pela redação inicial com Moisés até chegar nos tempos modernos em que estamos.


Os Pais da igreja e os Reformadores afirmam que as Escrituras são as palavras de Deus

Desde seus primórdios, a igreja tem confessado que as Escrituras são as próprias palavras de Deus; e, por essa razão, a igreja tem confessado que as Escrituras são livres de erro em tudo que ensinam. Clemente de Roma escreveu: “Examine cuidadosamente as Escrituras, que são as verdadeiras declarações do Espírito Santo”. Irineu também disse: “As Escrituras são realmente perfeitas, visto que foram proferidas pela Palavra de Deus e por seu Espírito”. Orígenes escreveu: “As Escrituras foram escritas pelo Espírito de Deus”. Agostinho tinha a mesma opinião: “Confesso que tenho aprendido a prestar esse respeito e essa honra somente aos livros canônicos da Escritura; somente a respeito destes eu posso crer firmemente que os autores foram completamente livres de erro”.

Os reformadores protestantes compartilhavam com a Igreja de Roma a opinião de que as Escrituras são as próprias palavras de Deus (embora discordassem de Roma quanto à inclusão dos livros apócrifos no cânon). A famosa declaração de Lutero na Dieta de Worms (1521) negava a infalibilidade dos papas e dos concílios, e se prendia à Palavra de Deus contida nas Escrituras. Lutero nutria grande respeito pelos pais da igreja, mas estava pronto a “confiar neles somente quando provassem sua opinião com base na Escritura, que nunca falhou”. Ele citou com aprovação o Credo Niceno, em sua forma revisada e ampliada do Concílio de Calcedônia (451 d.C.). “No artigo do Credo que trata do Espírito Santo, dizemos: ‘Ele falou por meio dos profetas’. E assim atribuímos toda a Escritura ao Espírito Santo”.

De forma semelhante, Calvino apreciava as Escrituras como as próprias palavras de Deus. Em seu comentário sobre 2 Timóteo 3.16, ele disse: “Este é o princípio que distingue nossa religião de todas as demais: sabemos que Deus falou conosco e estamos plenamente convencidos de que os profetas não falaram impelidos de si mesmos, mas, sendo instrumentos do Espírito Santo, eles proferiram somente o que, do céu, foram comissionados a declarar”. À semelhança de Lutero, Calvino nutria grande estima pelos pais da igreja primitiva, mas reconhecia haver uma grande distinção entre os escritos deles e os escritos dos santos apóstolos que nos deram as Escrituras. “Mas esta, como já disse, é a diferença entre os apóstolos e seus sucessores: os apóstolos eram genuínos e inexoráveis escribas do Espírito Santo; seus escritos devem, portanto, ser considerados os oráculos de Deus”.

O ponto de vista dos reformadores e dos pais da igreja primitiva seria preservado nas grandes confissões e no catecismo que surgiram da Reforma. A Confissão Belga de 1561 diz: “Confessamos que esta Palavra de Deus não foi enviada nem derivada da vontade de homens. Antes, confessamos que homens santos de Deus falaram quando foram movidos pelo Espírito Santo” (artigo 3). A Segunda Confissão Helvética de 1566, escrita por Heinrich Bullinger e que, depois, se tornou uma das confissões reformadas aceitas mais amplamente no século XVI, diz: “Cremos e confessamos que as Escrituras canônicas dos santos profetas e apóstolos de ambos os Testamentos são a verdadeira Palavra de Deus, que têm autoridade de si mesmas, e não de homens. Deus falou aos pais, profetas e apóstolos, e ainda nos fala por meio das Escrituras Sagradas” (cap. 1). A Confissão de Westminster de 1647 declara: “A autoridade da Escritura Sagrada, pela qual deve ser crida e obedecida, depende não do testemunho de qualquer homem ou da greja; depende totalmente de Deus (que é a própria verdade), o autor da Escritura. Portanto, ela deve ser recebida, porque é a Palavra de Deus” (1.4).

Este artigo é uma adaptação de um dos muitos recursos teológicos da Bíblia de Estudo da Fé Reformada, Editora Fiel.

Para ler mais artigos da série A inerrância da Escritura sagrada, CLIQUE AQUI.


Autor: Mark Ross

Mark Ross é deão e professor associado de teologia sistemática no Erskine Theological Seminary, situado na Carolina do Sul, EUA. Ele também é diretor do Institute for Reformed Worship.

Ministério: Editora Fiel

Editora Fiel
A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

Veja Também

Edificadas em Cristo

Quando estivermos enraizadas no evangelho e renovarmos as nossas mentes no evangelho, seremos transformadas pelo evangelho.