sábado, 7 de dezembro
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Como um cristão escolhe um trabalho?

Artigo adaptado do livro Homens de Verdade, de Richard D. Phillips.

As pessoas mundanas medem o valor de um emprego pelo dinheiro que paga ou pelo prestígio que oferece. Certamente, os cristãos pensam de outra maneira. Nossas preocupações devem ser:

  • Este trabalho glorifica a Deus?
  • Beneficia meu próximo?
  • Eu me considero chamado para este trabalho, ou pelo menos consigo fazê-lo bem e encontrar prazer nele?
  • Ele provê as necessidades materiais?
  • Ele me permite levar uma vida equilibrada e piedosa?

Glorificar a Deus

O Senhor nos fez e nos redimiu para que pudéssemos carregar sua imagem e servir à causa de sua glória. É por isso que existimos. Uma vez que nosso trabalho é tão central para quem somos, devemos perguntar se ele se opõe a esse propósito ao nos levar a associações ou atividades que são pecaminosas. As exigências do meu trabalho me levam a comprometer padrões verdadeiramente bíblicos de comportamento? Um exemplo negativo seria um trabalho de vendas que envolva engano ou uma posição de gerência que exija abuso de funcionários. Uma boa pergunta é: “Eu me sentiria constrangido se meu pastor visitasse meu local de trabalho?”.

A Bíblia diz: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6.5). Portanto, devemos perguntar: “Meu trabalho honra a Deus com integridade e decência?”.

Servir aos outros

Os cristãos também devem buscar ganhar a vida fazendo algo que beneficie outras pessoas. Ao mandamento do Antigo Testamento de amar a Deus, Jesus acrescentou: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39). Com isso em mente, não vejo como os cristãos podem ganhar a vida fazendo um trabalho que não gere nenhum benefício real para outras pessoas. Os vendedores de remédios ou aparelhos modernos que oferecem produtos que sabem ser inúteis ou excessivamente caros são um bom exemplo. Outro exemplo seria um especulador no mercado de ações que dedica todas as suas energias a comprar e vender suas próprias ações para ganho pessoal, sem nenhuma intenção de usar os lucros para ajudar os outros. (Isso é muito diferente dos corretores de ações, que usam seus conhecimentos para administrar, de forma hábil, o dinheiro de outras pessoas.)

Existem muitas maneiras pelas quais podemos usar nossos dons e habilidades para beneficiar os outros. Certamente, como cristãos, podemos encontrar algo para fazer que beneficie outras pessoas e honre a Deus, mesmo que, ao final, ganhemos um pouco menos. Como Jesus disse de maneira direta: “Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24).

Vocação e prazer

Os apóstolos foram especialmente vocacionados por Jesus para servir a ele, e sabiam disso. Paulo descreveu-se assim: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1; cf. At 9.15). Os ministros do evangelho devem ter esse senso de vocação especial ao seu trabalho. Pastores e missionários devem encontrar em seu trabalho um senso de chamado divino — extraído tanto da motivação interna como da preparação espiritual — que seja confirmado pela igreja.

Em outras profissões, é possível alguém ter a sensação similar de ser a “pessoa certa” para uma posição específica ou tipo de carreira. Muitas vezes isso é verdade para aqueles que servem aos outros de maneiras muito diretas — médicos e enfermeiros, bombeiros e policiais, por exemplo. No entanto, obviamente, esse senso de vocação mais explícito não é universal. Assim, se, como cristão, seu emprego ou carreira não ministerial não parece vir com um “selo de aprovação” evidente, isso não é necessariamente motivo de preocupação. Para você, a pergunta pode resumir-se a: “Quando faço bem este trabalho, é algo satisfatório?”. Uma resposta positiva a essa pergunta é uma boa indicação de que o que você faz cumpre o mandato de Gênesis 2.

Necessidades materiais

Se você se encontra em um trabalho em que é constantemente incapaz de atender às necessidades materiais básicas — para si mesmo como homem solteiro ou como chefe de sua família —, com margem apenas para poupar alguma coisa e dar o dízimo à sua igreja, deve fazer a si mesmo duas perguntas. Primeira: estou me esforçando por um estilo de vida que é irreal à luz do meu potencial de gerar renda? Se você não está exagerando nessa área nem cedendo às poderosas e frequentemente ilusórias tentações do materialismo, então a segunda pergunta torna-se muito significativa. Por que estou obviamente subempregado, e o que preciso fazer a esse respeito?

Vida piedosa e equilibrada

Se alguns homens estão subempregados, outros estão no que pode ser chamado “excesso de emprego”. Trata-se de homens que se encontram tão envolvidos em seus empregos que suas vidas estão geralmente em desequilíbrio. Como disse anteriormente, todos nós podemos esperar ter de fazer horas extras ou viajar a negócios vez ou outra. Mas Deus nunca espera que fiquemos por longos períodos tão consumidos pelo trabalho que sejamos obrigados a negligenciar a família, os amigos, a vida na igreja ou o tempo diário com Deus.


Autor: Richard Phillips

Richard D. Phillips servir por trinta anos no exército até que o Senhor o chamou para o ministério pastoral. Doutor em Divindade pela Greenville Presbyterian Theological Seminary, Phillips serve como ministro sênior da Second Presbyterian Church, em Greenville, Carolina do Sul, EUA, e é membro do conselho do The Gospel Coalition.

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A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

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