segunda-feira, 27 de maio

O lembrete do descanso no deserto

Um sinal constante do relacionamento amoroso entre Deus e seu povo

Ao lermos no primeiro capítulo de Êxodo que “os filhos de Israel foram fecundos, e aumentaram muito, e se multiplicaram” (v. 7), fica evidente que, de fato, Deus havia tornado fecundos os descendentes de Abraão. Mas eles certamente não estavam no descanso. Eles eram escravos, provavelmente trabalhando sete dias por semana para o faraó egípcio. Assim, quando eles saíram do Egito, atravessaram o mar Vermelho e, imediatamente, receberam o mandamento de guardar o sábado, aquilo deve ter-lhes parecido um grande presente (Êx 16.22-30). Posteriormente, Moisés desceu do monte Sinai trazendo duas tábuas de pedra que diziam ao povo de Deus como eles deveriam viver ao se estabelecerem na terra que Deus lhes estava dando. Naquelas tábuas de pedra, estava inscrito o seguinte mandamento:

Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou. (Êx 20.8-11)

O sábado semanal destinava-se a refrescar a memória coletiva de Israel quanto à suficiência e à provisão de Deus no passado e quanto à sua promessa no que diz respeito ao futuro. Eles deveriam lembrar-se de seu trabalho na criação, bem como de seu trabalho na redenção. O sábado serviria como  um  sinal constante do relacionamento amoroso entre Deus e seu povo. Antes de Moisés descer do monte com as tábuas, Deus reiterou o mandamento: “Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente, guardareis os meus sábados; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SenHor, que vos santifica” (Êx 31.13). A guarda do sábado separaria o povo de Deus como um povo tão bem cuidado por seu Deus a ponto de poder tirar um dia de descanso. O sábado os separaria como um povo que tinha uma expectativa diante de si: um descanso eterno e todo abrangente na presença do único Deus verdadeiro. Não era apenas seu ritmo semanal que deveria ser moldado pelo sábado. Todo o seu tempo, bem como todo o seu sistema socioeconômico, deveria tomar essa forma (veja Lv 23 e 25). A cada sete anos, a terra teria seu descanso. Não haveria semeadura nem colheita. Deus prometeu proporcionar no sexto ano uma colheita suficiente para três anos, a fim de que eles pudessem dar descanso à terra, mas também contar com o estoque de alimento necessário. Desse modo, eles seriam lembrados da terra superior que Deus estava preparando e da provisão que Deus estava fazendo para o descanso deles.

A cada sete anos, deveria haver um ano sabático. Durante tal ano, eles deveriam perdoar uns aos outros as dívidas contraídas nos últimos seis anos (Dt 15.1). Assim, eles seriam lembrados da liberdade e do perdão que desfrutariam no descanso vindouro. Então, a cada sete vezes sete anos, haveria o Ano do Jubileu. Naquele período, toda propriedade perdida ou vendida retornaria à tribo ou ao clã a quem Josué, originalmente, a houvesse concedido quando eles entraram na Terra Prometida. Assim, eles seriam constantemente lembrados de que Deus seria fiel em preservar a herança deles, não apenas a Terra Prometida de Canaã, mas também a terra prometida final, o novo céu e a nova terra, onde eles experimentariam o descanso definitivo e eterno. Deus conduziu seu povo à Terra Prometida de Canaã com a promessa de que eles seriam fecundos, sujeitariam o reino animal e exerceriam domínio:

Estabelecerei paz na terra; deitar-vos-eis, e não haverá quem vos espante; farei cessar os animais nocivos da terra, e pela vossa terra não passará espada. Perseguireis os vossos inimigos, e cairão à espada diante de vós. Cinco de vós perseguirão a cem, e cem dentre vós perseguirão a dez mil; e os vossos inimigos cairão à espada diante de vós. Para vós outros olharei, e vos farei fecundos, e vos multiplicarei, e confirmarei a minha aliança convosco. (Lv 26.6-9)

Talvez Israel, como o filho primogênito de Deus, coletivamente realizasse o trabalho que Adão falhara em realizar.

Talvez Israel habitasse nessa terra paradisíaca, adorando e servindo a Deus, multiplicando a imagem de Deus e seu culto por toda a terra, e, havendo completado seu trabalho, entrasse no eterno descanso sabático de Deus. Talvez o presente do descanso, dado no sábado, mantivesse, diante de seus olhos e bem junto ao seu coração, um senso do significado e do propósito de sua vida.

Ou talvez não.

Este artigo é um trecho adaptado com permissão do livro Ainda melhor que o Éden, de Nancy Guthrie, Editora Fiel.


Autor: Nancy Guthrie

Nancy Guthrie ensina na Christ Presbyterian Church, em Nashville, TN, EUA. É palestrante ativa em conferências teológicas e autora de diversos livros.

Ministério: Editora Fiel

Editora Fiel
A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

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