segunda-feira, 1 de junho
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O perigo do sermão incompleto! 4 elementos essenciais da pregação

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A pregação tem muitas dimensões importante. Quero ver com você quatro elementos essenciais sem o qual temos o perigo de um sermão incompleto. Iremos considere as dimensões do sermão de Pedro no dia de Pentecostes (At 2:14-40 – considerar ler o texto antes de prosseguir).

4 elementos essenciais da pregação

1) A pregação precisa ser bíblica

A pregação do apóstolo é bíblica, citando Joel 2, Salmo 16 e Salmo 110 e aludindo a outros textos do Antigo Testamento. Em alguns pontos, ele explica um texto que citou. Por exemplo, Pedro mostra como as palavras de Davi afirmando que Deus não “deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (v. 27) não podem ser aplicadas a Davi (que morreu e cujo corpo sofreu decadência), mas apontam profeticamente para a ressurreição de Cristo (vv. 27-31). Pedro faz isto por meio de teologia bíblica, apelando às promessas da aliança de Deus com Davi.

2) A pregação precisa ser doutrinária

A pregação de Pedro é também doutrinária, afirmando e declarando o “determinado desígnio e presciência de Deus” (v. 23), o decreto soberano de Deus, pelo qual ele usou as mãos de homens ímpios para levar seu Filho à morte por nossa salvação (vv. 22-23). Pedro ensina a ressurreição de Cristo e sua exaltação à direita de Deus (vv. 32-33) como fatos históricos e demonstração de que, pela vontade de Deus, Jesus é “Senhor e Cristo”, capacitado com toda a plenitude do Espírito Santo (vv. 33, 36). Portanto, o sermão de Pedro aborda as doutrinas do decreto eterno, de sua execução em providência, da promessa da aliança de Deus, da encarnação de Cristo, de seu ministério na terra, de sua humilhação na morte como uma oferta pelo pecado e de sua exaltação em sua ressurreição e ascensão ao trono no céu, bem como a pessoa e a obra do Espírito Santo em relação à pessoa e à obra de Cristo.

3) A pregação precisa ser experiencial

O sermão no dia de Pentecostes é também experiencial em conteúdo, explicando e justificando, com base nas Escrituras Sagradas, a experiência de derramamento do Espírito Santo sobre os discípulos (v. 16). É experiencial em sua discriminação espiritual, declarando a impiedade daqueles que mataram Jesus como inimigos de Deus e de seu Cristo, mas confortando e elogiando aqueles que se arrependeram e se identificaram com Cristo como recipientes do Espírito (v. 38). Também é experiencial em seu efeito, atingindo o coração de muitos ouvintes, de modo que clamam: “Que faremos [para sermos salvos]?” (v. 37).

4) A pregação precisa ser prática

O sermão de Pedro é também prático, ordenando a seus ouvintes: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (v. 38). A aplicação é muito maior do que a mensagem registrada em Atos, porque o texto diz que Pedro os exortou com “muitas outras palavras” para salvá-los “desta geração perversa” (v. 40).

O perigo de um sermão incompleto

Pense em quão incompleto seria o sermão de Pedro sem todos estes elementos. E se todo o sermão fosse apenas experiencial em sua ênfase? Sem o apelo ao testemunho da Escritura, Pedro não teria autoridade diante de seus patrícios judeus. Sem a dimensão prática, ele não daria resposta à pergunta urgente: que devemos fazer para sermos salvos? Sem a dimensão doutrinária, os ouvintes de Pedro não veriam que os fenômenos espirituais do Pentecostes indicavam que o plano soberano de Deus culmina em Jesus, que, como o Cristo ressurreto, está entronizado como Senhor de todos. O sermão não se centralizaria em Cristo, mas apenas em fenômenos ou conceitos abstratos.

Precisamos pregar sermões enriquecidos por todos estes elementos: bíblico, doutrinário, experiencial e prático.

Artigo adaptado do livro Pregação Reformada, de Joel Beeke.


Autor: Joel Beeke

Joel Beeke é presidente e professor de teologia sistemática no Puritan Reformed Theological Seminary (EUA) e pastor da Heritage Netherlands Reformed Congregation. Beeke é Ph.D. em teologia pelo Westminster Theological Seminary. Publicou 50 livros, dentre eles, “Vivendo para a Glória de Deus” e “Vencendo o Mundo” (Fiel).

Ministério: Editora Fiel

Editora Fiel
A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

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