terça-feira, 16 de julho
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Os crentes precisam do evangelho

Paulo nunca estivera na cidade de Colossos. Nem pregara ali em ocasião alguma. Ele jamais havia orado com os crentes daquela cidade, nem se reunido com eles para momentos de comunhão nas coisas de Deus.

Contudo, quando Paulo ouviu sobre a dificuldade que causava problemas àquela igreja, sentiu-se profundamente preocupado e escreveu a Epístola aos Colossenses, expressando sua preocupação.

Alguns crentes de Colossos podem ter sido tentados a dizer a Paulo: “Não se intrometa aqui”. Aquela igreja não tinha qualquer ligação com Paulo, e nas igrejas fundadas por ele já havia problemas suficientes para mantê-lo ocupado.

Esse tipo de atitude seria inaceitável para o grande apóstolo. Ele nos diz: “Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas” (2 Co 11.28). Esta preocupação marca a distinção entre o verdadeiro servo de Deus e o pregador de carreira ou (o que é pior) o falso pastor.

O problema na igreja de Colossos era falsa doutrina. Não temos muita certeza sobre qual era exatamente a heresia de Colossos, mas sabemos como Paulo lidou com ela. A heresia foi combatida de maneira positiva e emocionante — por meio da exaltação do Senhor Jesus Cristo.

Os problemas de hoje

Nossas igrejas estão infestadas de problemas. Às vezes, os problemas são causados por falsa doutrina; às vezes, por mundanismo; e, freqüentemente, por conflitos de personalidades. Não importa qual seja a causa, os problemas precisam ser encarados e expostos.

No entanto, a resposta não é usar o bordão e trazer os crentes de volta à linha. Esse procedimento não produz resultados; serve apenas para tornar alguns crentes mais insensíveis e obstinados, enquanto outros ficam desanimados. O que precisamos hoje é algo que amoleça o coração dos crentes e não que os endureça.

Os problemas das igrejas não são causados apenas por que os crentes são tolos e inexperientes. Por trás de todo problema está a mão de Satanás. É verdade que os crentes da Galácia eram insensatos, mas se deveu ao fato de que haviam sido fascinados pelas palavras astutas de falsos mestres (Gl 3.1).

Quando Paulo os chamou de insensatos, ele não estava, como disse John MacArthur, “falando sobre a falta de inteligência, e sim sobre o uso errado da inteligência”. O diabo, que havia cegado o entendimento daquelas pessoas, antes de se tornarem crentes, estava tentando usar o mesmo artifício, e elas lhe permitiram ter sucesso.

Exaltando a Cristo

Exaltar a Cristo foi a resposta de Paulo para todos os problemas. Ele lembrou o evangelho aos crentes de Colossos (1.23) e prosseguiu mostrando-lhes a beleza e a amabilidade de Jesus. Ele escrevia a pessoas crentes, e suas palavras deixam evidente o fato de que os crentes também precisam do evangelho. E os pastores têm de pregá-lo com regularidade.

Sabemos que somente o evangelho pode salvar pecadores perdidos. Mas também sabemos que somente o evangelho pode restaurar crentes errados e aprofundar nos crentes comprometidos o amor pelo Salvador? O calor do evangelho é a ferramenta mais capaz de tornar os crentes mais úteis na vida da igreja.

A velha, velha história

Em nossos dias, é comum ouvirmos alguns freqüentadores de igrejas evangélicas queixando-se de que nunca ouviram sermões sobre a cruz ou o sangue de Cristo. Isto ocorre porque os pastores, por sua vez, têm outra queixa: não existem incrédulos em sua congregação! Portanto, que proveito existe em pregar o evangelho para os convertidos?

Em vez de pregarem o evangelho, os pastores se concentram em pregar sermões sobre a santidade, a oração, os relacionamentos familiares e assim por diante. Estes são assuntos bíblicos e, por isso, assuntos indispensáveis que os crentes precisam ouvir. Contudo, eles também precisam ouvir o evangelho. É uma falácia total admitir que os sermões sobre a cruz e o sangue de cristo têm valor apenas para os incrédulos.

Os crentes precisam do evangelho

Quer sejamos salvos há duas semanas ou há vinte anos, todos precisamos ouvir regularmente a mensagem da cruz, da graça e do amor de Deus, em e por meio do Senhor Jesus Cristo.

Precisamos do evangelho, porque todas as outras coisas da vida cristã resultam e dependem dele para obter vitalidade e frescor. Esta é a razão por que não existe nada mais emocionante para um crente do que ouvir o evangelho sendo pregado no poder do Espírito Santo.

Essa pregação enternece o coração do crente e estimula sua alma. Leva-o a desejar, se fosse possível, ser convertido novamente. Se perdermos de vista tudo o que o Novo Testamento ensina a respeito do significado e importância da pregação do evangelho, tropeçaremos espiritualmente.

Podemos até fingir atividades cristãs, mas nós mesmos seremos espiritualmente estéreis e frios. O evangelho é essencial a uma vida cristã saudável — essa é a razão por que os crentes precisam do evangelho.

Repletos do evangelho

Muitos pastores reconhecem isto e incluem um pouco do evangelho em cada sermão, de modo que os pecadores sejam desafiados e os crentes, encorajados. Todavia, precisamos de mais do que um pouco do evangelho em um sermão. Precisamos de sermões inteiros, que só exaltem a Cristo como Salvador. Necessitamos de sermões repletos do evangelho e de Jesus.

Charles Spurgeon disse aos pregadores, em certa ocasião: “Vocês precisam ter um desejo autêntico pelo bem das pessoas, se desejam ter grande influência sobre elas”. Um pregador não fará maior bem às pessoas, crentes ou não-crentes, do que falar a elas sobre Jesus.


Autor: Peter Jeffery

Ministério: Ministério Fiel

Ministério Fiel
Ministério Fiel: Apoiando a Igreja de Deus.

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