domingo, 18 de agosto
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Tornando-se o que vemos

No fundo de todo verdadeiro cristão há um desejo de ser mais semelhante a Cristo. Nós não estamos contentes como somos; nós queremos ser mudados. Este anseio vem do Espírito Santo, que não somente dá o novo nascimento (Jo 3.5-8), mas também preenche pessoas regeneradas com um zelo para glorificar a Deus (Rm 8.1-5).

A questão é: como podemos nos tornar mais semelhantes a Cristo? A resposta bíblica para isso pode ser surpreendente para nós, pessoas modernas e pragmáticas. Nós tendemos a procurar métodos, estratégias e planos de ação. Mas a Bíblia ensina que nos tornamos como Jesus quando adoramos a Jesus.

Para entender por que isso é verdade, precisamos entender como os seres humanos são feitos. Deus nos projetou para sermos os portadores de sua imagem:

“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. (Gn 1.26, 27)

Greg Beale observa: “Deus fez os humanos para o refletirem, mas se eles não se comprometerem com ele, eles não o refletirão, mas refletirão alguma outra coisa. . . Ou nós refletimos o Criador ou refletimos algo na criação”. Em outras palavras, é da nossa natureza levarmos a imagem de algo. Se não for Deus, então será de ídolos. Se não for o Criador, então será a criação.

E isso é exatamente o que vemos na história da humanidade. Ao longo do Antigo Testamento, o povo de Deus recorre repetidamente a ídolos – e os escritores bíblicos mostram que eles se tornam semelhantes a esses ídolos. Quando Israel se curva ao bezerro de ouro no Monte Sinai, Deus os chama de “dura cerviz” (Êx 32.9), como uma vaca teimosa. Em Isaías 6.10, Deus amaldiçoa o seu povo com um torpor sensorial que espelha os seus ídolos: “Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos”. Segundo Reis 17.15 explica o exílio dizendo de Israel, “seguiram os ídolos, e se tornaram vãos”.

Quando adoramos deuses falsos, nos tornamos semelhantes a eles. Nossa adoração ao dinheiro nos torna gananciosos e mesquinhos. Nossa adoração do poder nos torna severos e exigentes. Nossa adoração de aprovação nos deixa ansiosos e temerosos. Nossa adoração ao sucesso nos deixa ocupados e inquietos. Quanto mais desviamos nosso olhar do verdadeiro Deus e seguimos esses ídolos, mais ímpios nos tornamos. Você vê isso em sua própria vida? Que falsos deuses você se vê perseguindo? Como você se vê como eles, em vez de amar a Cristo?

Felizmente, não precisamos nos conformar à imagem de falsos deuses. Podemos nos conformar à imagem de Cristo. Considere 2Coríntios 3.17–18:

“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”.

Como nos transformamos na imagem de Cristo? Por contemplar a glória do Senhor. Quem nos faz contemplar essa glória? O Espírito. E onde contemplamos essa glória? Principalmente nas Escrituras. O Espírito Santo é tanto a fonte da Escritura (Ef 6.17; 2Pedro 1.20-21) quanto aquele que ilumina seu significado (At 10.44; 1Co 2.4; 1Ts 1.5). Contemplamos a glória do Senhor permitindo que o Espírito nos fale através da Palavra, trazendo a verdade de Deus para nossos corações com novo poder e urgência.

Mas talvez isso ainda pareça bastante abstrato. Será que isso significa “apenas deixar acontecer?” Em certo sentido, sim, pois é um dom da graça. Mas em outro sentido, contemplar a glória de Deus envolve esforço intencional. “O SENHOR, tenho-o sempre à minha presença”, disse o salmista (Sl 16. 8). “escolhei, hoje, a quem sirvais”. Josué exigiu (Js 24.15). A linguagem de adoração nas Escrituras é sempre a linguagem do compromisso, devoção e entrega.

Aqui, então, estão três maneiras bíblicas pelas quais podemos propositadamente adorar ao Senhor e ser transformados à sua semelhança.

  1. Contemplação / meditação (refletindo sobre o valor de Deus). A Bíblia nos incita a pensar no Senhor (Sl 1.2; Fp 4.8). Na contemplação, desaceleramos nossas mentes e corações para ponderar a bondade de Deus. Nós refletimos sobre suas promessas, permitindo que elas se aprofundem em nossas almas. Nós lemos sua Palavra pensativamente, ponderando suas implicações para nossas vidas.
  2. Louvor / agradecimento / canto (declarando o valor de Deus). As Escrituras nos encorajam a tornar nosso louvor explícito cantando e salmodiando ao Senhor (Sl 96; Ef 5:19). Quando cantamos, juntamos nossas vozes para testemunhar o valor e a beleza de Deus. Cantar também ilumina o coração e envolve o corpo na adoração intencional de Deus.
  3. Obediência / ação / serviço (mostrando o valor de Deus). A Bíblia é clara quanto a que nossa adoração a Deus deve encontrar expressão tangível nas obras do amor misericordioso ao próximo (Is 58; Tg 1.27). Quando servimos à igreja, ajudamos os pobres e satisfazemos as necessidades dos outros, demonstramos que Jesus é o nosso verdadeiro tesouro (Mt 6.21) e aprendemos de novo que “é mais abençoado dar do que receber” (At 20:35).

Nós nos tornamos no que vemos. Assim, capacitados pelo Espírito Santo, contemplemos a glória do Senhor Jesus meditando em sua Palavra, cantando em seu louvor e obedecendo aos seus mandamentos. Quanto mais claramente o vermos, mais nos tornaremos como ele.

Tradução: Paulo Reiss Junior.
Revisão: Filipe Castelo Branco.
Fonte: Becoming What We Behold.


Autor: Bob Thune

Bob Thune é pastor fundador e sênior da Coram Deo Church em Omaha, Nebraska, e membro do conselho do The Gospel Coalition. Bob e sua esposa, Leigh, tem 4 filhos.

Parceiro: Ministério Ligonier

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Ministério do pastor R.C. Sproul que procura apresentar a verdade das Escrituras, através diversos recursos multimídia.

Ministério: Ministério Fiel

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Ministério Fiel: Apoiando a Igreja de Deus.

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