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Artigo

Como a igreja deve lidar com membros excluídos de outras igrejas?

Mez McConnell 26 de Outubro de 2016 - Igreja e Ministério

Esta é a quarta e última parte de uma série de postagens sobre o difícil tópico da disciplina eclesiástica. Está baseada principalmente no trabalho de Jonathan Leeman e seu livro “Disciplina na igreja: como a igreja protege o nome de Jesus” (Vida Nova). [Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4]


O que é restauração? É simplesmente a igreja declarando perdão e reafirmando a cidadania no reino de Deus. É assim que Paulo a descreve em 2Coríntios 2.6-8.  Parece que a maioria da igreja votou para punir esta pessoa e agora Paulo pede que eles reafirmem o seu amor por ela.

O perdão é fundamental no processo de restauração. Como diz João 20.23, uma vez que a restauração tenha sido aceita, nós devemos seguir em frente e celebrar o retorno do nosso pródigo.

Uma vez que uma pessoa tenha sido perdoada, devemos então restaurá-la na membresia? Mas como sabemos se uma pessoa que foi excluída está verdadeiramente arrependida?

Em algum nível, temos de ver frutos. Havia um homem em Niddrie que foi excluído da nossa igreja. Nós o removemos da membresia e da comunhão da ceia e declaramos publicamente para a nossa comunidade que, como uma igreja local, nós não mais validávamos a sua alegação de ser um cristão. No entanto, ele continuou a morar em minha casa (preferível a ficar desabrigado) e a participar dos cultos de domingo. O que estava acontecendo ali? Bem, ele ainda estava sob a disciplina eclesiástica. Ele não podia ser um membro e ele não era convidado a tomar a ceia. Ele havia expressado remorso e arrependimento e assim, nós o levamos para dentro do nosso lar, a título de experiência, até que víssemos algumas evidências de fruto em sua vida que estivessem em concordância com o arrependimento cheio do Espírito Santo. Ele estava no processo de ser restaurado à comunhão, mas isso ainda não havia ocorrido. Nós ainda não estávamos preparados para declarar publicamente que a sua confissão de Cristo era real e genuína (Infelizmente, ele amou mais as drogas do que a Jesus e não está mais conosco).

Às vezes, no entanto, a restauração é simples. Um homem deixa a esposa por outra mulher e retorna. Às vezes, é complicado, como nos casos de vícios ou pessoas com problemas de saúde mental.

O que acontece se um membro excluído de outra igreja vem a nós? Como devemos tratá-los?

Nós devemos receber pessoas que foram expulsas de outras igrejas? Elas podem vir e adorar em nossa igreja, desde que não tragam divisão, mas elas não podem entrar na membresia enquanto houver problemas com outras congregações.

Aqui estão alguns cenários

OS ADÚLTEROS

José é um diácono na igreja e tem compartilhado com alguns dos homens sobre suas dúvidas a respeito da fé. Acontece que sua esposa compartilhou com uma das senhoras sobre José estar cometendo adultério. Ele fez isso mais de uma vez. Os presbíteros se reuniram com ele a fim de lhe dizer para parar, mas ele não está interessado. Ele planeja deixar sua esposa. 

Marcelo é um membro antigo da igreja que confessou ter tido uma única noite inapropriada com uma mulher do trabalho. Eles estavam bebendo em uma festa da empresa e uma coisa levou a outra. Ele se sente péssimo por isso.

José e Marcelo deveriam ser excluídos? Se assim for, com que rapidez isso deveria acontecer? Se não, por que não?

Avaliar o nível de arrependimento é a chave para estas situações. Esta é sempre a primeira revelação. Como eles respondem a confrontação do pecado? Eles mostraram o que Paulo em 2Coríntios7.11 chama de tristeza segundo Deus? Uma determinação de não pecar mais? Ou são só desculpas e enrolação?

O VICIADO 

Jéssica era viciada em bingo online e ela estava gastando mais e mais tempo online e no salão local. Ela tinha aplicativos em seu celular e estava envolvida em um monte de fóruns de jogo e chats online. Quando se tornou uma cristã, ela parou, mas ultimamente tem voltado aos antigos padrões de vida. Algumas pessoas na igreja sabiam que ela fez isso, mas eles não pareciam tão incomodados. Ninguém a confrontou seriamente e, assim, ela não se sentiu tão mal com isso. Então, um dia, durante um café, uma senhora mais velha na igreja a confrontou sobre o seu comportamento e ela ficou muito furiosa. Quem ela pensava que era? De qualquer forma, não era tão ruim assim. Ela tinha um velho amigo que era pior do que ela. Agora ela estava viciada, mas por dentro ela sabia que a senhora mais velha estava certa e concordou com alguma prestação de contas. A princípio funcionou e ela tentou muito se comportar, mas estava entrando em dívida, estava presa em um ciclo de jogar, sentir-se mal, parar e, em seguida, começar de novo.

A igreja deve impor a disciplina eclesiástica sobre Jéssica? Se assim for, por que e como? 

Que pecado ela está cometendo? Certamente, má mordomia; e o seu pecado está afetando os outros, se ela está continuamente pegando emprestado deles para pagar suas dívidas. Parece que isso se tornou um ídolo em sua vida e isso, certamente, a impede de ofertar generosamente para a obra do Evangelho em sua igreja. Ela, definitivamente, é uma pessoa sob o controle do seu desejo de jogar. Tudo isso é o suficiente para excluí-la?

Esta parece ser uma ebulição lenta, dada a história antes de conhecer a Cristo. Ela certamente está se comportando do modo descrito em Provérbios 26.11, como um cachorro que retorna ao seu vômito. Em algum ponto no processo, seria bom tornar o pecado público somente para impedir as pessoas de emprestar-lhe dinheiro, para orar por ela e confrontar o seu comportamento.

O NÃO MEMBRO DIVISOR 

Luciana começa a ir à igreja e parece legal a princípio. Ela ama a comunhão e decide torná-la sua casa. Logo, porém, ela começa a se encontrar com alguns membros mais imaturos da igreja e começa a fofocar com eles e os aconselha a ler e a ouvir a literatura cristã inútil de falsos mestres conhecidos. Quando confrontada a respeito, ela se torna agressiva e acusa a igreja de pastoreio duro. Ela começa a espalhar fofoca e mentiras sobre os líderes da igreja e começa a ter uma má influência sobre os novos convertidos. Ao mesmo tempo, ela pede para se tornar um membro da igreja, mas os presbíteros, de novo, expressam sua preocupação com o comportamento dela. Ela começa a contar a qualquer um que queira ouvir que a igreja a está perseguindo. Ela não dará ouvidos à razão.

Como a igreja deve reagir a tal pessoa?

Nós temos de estar em guarda contra os lobos na igreja. Eu aviso cada novo convertido que vem para a NCC que nem todo mundo que diz ser um seguidor de Cristo o é e assim eles devem ter cuidado com quem eles ouvem. Atos 20.28-31 entra em vigor aqui. Mesmo que essa pessoa não seja um membro, nós igualmente iríamos querer que a membresia soubesse que ela é um lobo entre nós.  Nós pediríamos que a tratassem como uma ímpia e não fossem enganados pelas coisas que ela está dizendo. Não podemos exercer a disciplina eclesiástica em um não-membro, portanto, essa é a extensão da nossa autoridade.

O MEMBRO DA FAMÍLIA

Leonardo é cristão há dois anos e sua esposa tem estado na igreja há um pouco mais de tempo. Infelizmente, ela foi excluída por jogar e fofocar na igreja. Leonardo concordou com a decisão da igreja, mas agora ele encontrou 1Coríntios 5.11 que fala que nós não devemos nem comer com tal pessoa e ele não sabe o que fazer.  Ela ainda é sua esposa apesar de tudo.

Como Leonardo deve tratar sua esposa nesse caso?

Leonardo tem que amar sua esposa de acordo com 1Coríntios 7 e Efésios 5. Não importa se ela foi disciplinada ou não, tem que amar e honrar sua mulher. Mas tem que a tratar como uma incrédula e procurar recuperá-la para Cristo por seu amor e testemunhar a ela.

Nenhuma dessas questões são fáceis e não há respostas prontas. Devemos orar por sabedoria e sempre lidar com as pessoas em espírito de reconciliação. Contudo, às vezes isso não é possível e nesses casos nós devemos agir de forma decisiva. Devemos orar por sabedoria em todas essas questões.

Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco. (2Coríntios 13.11)

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Mez McConnell
Autor Mez McConnell

É pastor sênior da Niddrie Community Church, Edimburgo, Escócia. É fundador do 20schemes, um ministério voltado para...



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20schcmes existe para edificar igrejas saudáveis centradas no evangelho para as comunidades mais pobres da Escócia. Nosso desejo de longo prazo...

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