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Artigo

O que aprendi com meus erros no ministério (Parte 1)

Kyle McClellan 03 de Fevereiro de 2017 - Igreja e Ministério

Eu sou um plantador de igreja da PCA (Presbyterian Church in America [Igreja Presbiteriana na América) vivendo e ministrando em minha cidade natal, Fremont, Nebraska. Não há nada particularmente grandioso sobre isso, eu sei — mas aqui está a dificuldade: se você tivesse me dito há dez anos que esse seria o caso, eu teria rido de você, amaldiçoado você, batido em você — ou alguma combinação dessas três coisas. Por quê? Bem, provavelmente porque eu teria dito a você que eu não tinha dom para isso, era teologicamente oposto a isso, ou nunca, nunca, nunca em um milhão de anos pensaria em voltar para ‘Mont.

Sem dom para isso

Eu teria dito a você, há dez anos, que eu era um pastor/teólogo. A pregação e o ensino eram meus dons principais — não o tipo de evangelização que eu achava que era uma parte do plantio de igrejas. Eu zombei, com grande desdém e desprezo, dos homens que faziam parte da Escola Billy Graham de Missões, Evangelismo e Crescimento da Igreja no Southern Seminary [Seminário do Sul]. “Talvez, quando eles crescerem, coloquem suas calças de adulto e leiam alguns livros sem imagens”. Quero dizer, quem realmente acha que você pode plantar uma igreja em torno da Palavra, oração e sacramento? Obrigado, mas não obrigado.

Teologicamente oposto a isso

Como um bacharel em Bíblia na Universidade Taylor, eu li o livro Desiring God, escrito por John Piper [Publicado em portugês sob o título, Em busca de Deus, pela Shedd Publicações]. Ler aquele livro bombardeou todo sistema teológico em que eu pensava ter crescido na Aliança Cristã e Missionária. Eu entrei no Seminário do Sul como um “Calvinista Piperiano” e cresci em meu amor e compreensão da soberania de Deus, especialmente em relação à salvação dos pecadores. Mas ainda que eu fosse, com certeza, simpático à soteriologia Reformada/Presbiteriana, bem, eles batizavam bebês — não é? Mais uma vez, obrigado, mas não, obrigado.

Nunca voltaria

“As planícies deixam uma marca indelével na alma de uma pessoa — tanto para o bem quanto para o mal” — Willa Cather. A piada no ensino médio era: Fremont é um ótimo lugar de origem, mas eu não gostaria de viver lá. O atletismo foi o meu passaporte para fora da minha cidade natal, e ainda que eu gostasse de voltar para visitar meus pais, eu havia sentido a marca ruim das planícies sobre a minha alma. Obrigado, mas “cavalos selvagens e cerveja nickel” não conseguiriam me trazer de volta.

Como eu vim de lá até aqui?

Então, com três objeções, como eu cheguei aqui? Em primeiro lugar, através dos meus erros — eu arava um pouco do terreno ministerial com o meu queixo. Em segundo lugar, para citar os meus avós: “O Senhor Deus Todo-Poderoso prevaleceu sobre a nossa (minha) estupidez”.#1 Enquanto o segundo fator certamente supera o primeiro, meus erros são muito mais fáceis de identificar, discutir e de prover aprendizado. O segundo é motivo para doxologia, mas não tão bom para ser analisado.

Permita-me dizer de outra forma: de 1996 a 2006, eu pastoreei quatro igrejas diferentes. A primeira (quando no seminário) foi de novembro de 1996 a 1999. A segunda, de 1999 a 2000. A terceira, de 2000 a 2003. Finalmente, a última foi de 2003 a 2006. Apenas uma dessas congregações ficou triste por me ver ir. Duas delas terminaram comigo renunciando e deixando a igreja explodindo de raiva. Na igreja restante, os diáconos me pediram para sair, e eu tive o bom senso de pedir algum tempo para encontrar um novo lugar para o ministério. Esse não foi um grande começo para um homem sobre quem fora dito que era um “ministro de 5 talentos” e que foi um vencedor do prêmio de pregação enquanto estava no seminário.

Mea Culpa

Eu gostaria que minha história fosse única. Infelizmente, não é. Há muitos homens jovens, recém-saídos do seminário, que estão sendo esmagados no ministério da igreja local. A preocupação das pessoas em Practical Shepherding, e minha razão para escrever, é que muitos pensam que são totalmente inculpáveis nesse processo. Claro, eles podem falar de modo diferente, mas no fundo ficam indignados com Deus por lhes chamar para igrejas que não os respeitam ou não se submetem ao seu dom. Não é realmente culpa deles — é do pastor que os precedeu, o qual não sabia de modo algum o que é exposição.  É culpa da boa e velha junta diaconal, ou da senhora na igreja cujo marido precisa ser homem e colocar uma mordaça na boca dela.

Não há proveito em negar que existam igrejas saudáveis ??lá fora — ou que algumas igrejas seriam de maior utilidade para o Reino se fechassem as suas portas. Isso, no entanto, está além do alcance da minha preocupação aqui. Minha preocupação é que aprendamos com nossos erros, deixemos de culpar os outros por tudo e avancemos de uma forma que demonstre a graça de Deus para o seu povo. Tome a atitude de um atleta que está assistindo a reprise do jogo: Eu errei. Mea Culpa. Eu aprenderei, corrigirei o erro e (pela graça de Deus) farei melhor na próxima vez.

Selecionando

Providencialmente, levou três meses andando mais de 32 quilômetros por dia selecionando livros no acervo da Amazon e envolveu o conselho sábio de um amigo para que eu aprendesse isso. Depois que eu me demiti, eu ainda tinha uma esposa, dois filhos e uma hipoteca. A igreja me deu três meses para o desligamento – então, tive que encontrar um emprego. O que meu grande, mau mestrado em teologia e a “capacidade de 5 talentos” me renderam? Um emprego onde eu trabalhava em turnos de 10 horas na Amazon. Jesus e eu tínhamos algumas coisas antigas para consertar. Eu pensei que a maior parte dessas era dele — mas ficou claro que eu estava errado. Eu andava (eu mencionei que eram mais de 32 quilômetros por dia?), selecionava livros e me irava interiormente com aquele que me chamou para o ministério. Levou todos os dias dos três meses para que eu finalmente calasse a boca e ouvisse.

Ao mesmo tempo, um pastor amigo sábio e experiente me encorajou a encontrar um pastor mais velho (não da minha denominação) e tentar descobrir as características do ônibus que tinha acabado de me atropelar. John Sartelle nunca havia me conhecido antes, mas ele graciosamente ofereceu o seu tempo e conselho. Nós nos reunimos todas as semanas durante um ano. John me ouviu e fez perguntas. Os bons amigos da Igreja Presbiteriana de Tates Creek ofereceram amor e graça à nossa família ferida#2 e tímida. O Senhor Deus Todo-Poderoso estava prevalecendo sobre a minha estupidez. Agora eu finalmente estava em um lugar onde a avaliação honesta dos meus próprios erros poderia começar.

Então, o que eu aprendi? Que erros identifiquei? Vamos deixar isso para a próxima...

 


#1: Quando, aos 60 anos, os meus avós maternos foram assaltados em sua calçada. Meu avô era um veterano da Marinha da Segunda Guerra Mundial, e tentou lutar contra os dois bandidos. Um deles tinha uma arma, e vovô foi baleado no quadril. Quando entrevistado em Omaha World Herald, vovô deu testemunho da sua própria estupidez e da bondade de Deus.

#2: Minha esposa Amy é maravilhosa. Ela nunca sugeriu que nós deixássemos a igreja e seguíssemos em frente. Em vez disso, ela reafirmava a minha vocação e a bondade de Deus para conosco — se inspirando na Barbara Hughes interior (se você não leu “Liberating Ministry From the Success Syndrome” [Libertando o Ministério da Síndrome do Sucesso], de Kent & Barbara Hughes, você deve se envergonhar).

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: Mea Culpa: Learning From Mistakes in Ministry (Part 1)

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Autor Kyle McClellan

Kyle McClellan é pastor da Grace Presbyterian Church, em Fremont, Nebraska. Tem graduações pela Universidade Taylor e pelo Seminário...



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O ministério Practical Shepherding fornece conteúdo centrado no evangelho que visa equipar pastores e líderes nas questões práticas...

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