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Artigo

A alma aflita de Maria

Philip Ryken 04 de Setembro de 2018 - Vida Cristã

O texto abaixo foi extraído do livro Quando os problemas aparecem, de Philip Ryken, da Editora Fiel, lançamento de agosto de 2018.

Foi durante o tempo em que estavam noivos — algum tempo depois do noivado e não muito antes do casamento — que Maria se viu em verdadeiros apuros.

Problemas de verdade. Encontrava-se em casa, na cidade de Nazaré, cuidando dos seus afazeres, quando de repente um anjo lhe apareceu e disse: “Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo” (Lucas 1.28). Pode ser que isso não pareça um problema, mas só para as pessoas que nunca viram um anjo vivo e de verdade. Maria realmente viu um anjo e “perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação” (v. 29). A pobre moça parecia ter se assustado quase até a morte, porque o anjo olhou para ela e sentiu necessidade de lhe oferecer segurança imediata: “Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus” (v. 30).

O bebê de Maria

As palavras do anjo estavam cheias de bênção. Ele chamou Maria pelo nome e lhe dirigiu suas saudações. Disse que Deus estava com ela e que era favorecida. Declarou que ela havia achado graça diante do Senhor. Mas assim mesmo, Maria estava certa em perturbar-se, porque estava prestes a receber um chamado de Deus e, com ele, os inimagináveis sofrimentos que a conturbariam dia após dia, desde o Natal até a Páscoa. Ser divinamente favorecido não quer dizer que Deus o livrará de todos os problemas. Muitas vezes, o problema está apenas começando.

Os problemas de Maria começaram com o que o anjo disse que estava prestes a acontecer:

Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim (Lucas 1.31–33).

O anjo juntou muitas promessas nessa curta fala, mas o principal que Maria ouviu foi a parte sobre ter um filho. “Está brincando, não é?”, poderia ter dito. Maria nem mesmo terminara de planejar seu casamento, e nunca… você sabe… esteve antes com um homem. Ela sabia bastante sobre os fatos da vida para fazer a pergunta mais óbvia: “Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?” (v. 34).

O anjo tinha uma boa resposta — pelo menos para quem crê na Palavra de Deus, no poder do Espírito Santo e no mistério da encarnação. Mas por mais que fosse boa, não era uma resposta fácil. O anjo disse a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus [...] Porque para Deus não haverá impossíveis” (vv. 35, 37).

O anjo explicou como Deus faria, mas não explicou como Maria lidaria com isso. Falando sobre gravidez problemática – essa era a maior! Qualquer que pense que engravidar não foi um problema enorme para uma boa moça como Maria, não morava numa cidade pequena como Nazaré. As pessoas lá sabiam fazer algumas contas de aritmética, começando aos nove meses e contando de forma retroativa. Não demorava muito, eles saberiam que Maria estava mais adiantada do que era para ser, e as pessoas realmente comentariam.

Havia também as dificuldades que Maria teria no próprio nascimento. Como muitos casais daquele tempo, José e Maria foram jogados para lá e para cá pelas poderosas maquinações da geopolítica romana. César declarou um censo, e lá foram eles pagar seus impostos, caminhando a pé, ou talvez andando sobre um burrinho, até Belém. Chegando ali, Maria descobriu que José não fizera reserva em nenhum hotel. Aparentemente, nada de Trip Advisor; nada de Booking.com. Se viraram com o que tinham e foram dormir em um estábulo. Ali, rompeu a bolsa d’água, e ela deu à luz seu filho primogênito. A nova mãe sabia que Deus havia cumprido sua promessa. Pastores vieram celebrar as boas-novas com grande alegria. Mas nada disso foi fácil.

Poucas semanas mais tarde, o casal feliz foi até Jerusalém dedicar o seu bebê no templo. Não tinham muito a ofertar — apenas um par de pombinhos, o que as pessoas pobres traziam naqueles dias. Simeão, o sacerdote, tomou o bebê Jesus nos braços e o abençoou. Virou-se então para Maria e disse: “Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações” (Lucas 2.34–35).

Maria mal sabia o que Simeão estava dizendo. Mas ela entendeu o bastante para saber que as suas palavras lançavam uma longa e escura sombra sobre a sua maternidade. Seu filho precioso e amado dividiria o coração da nação. Algumas pessoas o amariam, mas outras o odiariam. Tudo isso fincaria uma espada no coração de Maria — o coração de uma mãe que amava seu filho como só uma mãe poderia amar.

Logo haveria maiores problemas. Quando o rei Herodes soube que havia nascido um novo rei para os judeus, ele teve um surto de inveja furiosa e fez um contrato de morte contra o filho recém-nascido de Maria. A família teve de se afastar

o máximo que podiam, portanto eles fizeram mais uma longa viagem. Desta vez, foram até o Egito. Maria e José eram pobres. Eram vítimas de perseguição. Eram refugiados sem-teto. Eram imigrantes sem documentação. Independente das categorias que pudéssemos usar para descrevê-los, eles haviam sofrido todos os tipos de provações que as pessoas enfrentam quando estão na margem entre a vida e a morte.

Em dezembro de 2014, o programa de televisão norte-americano 60 Minutes colocou no ar uma seção sobre pessoas que estavam fugindo da Síria separada pela guerra em busca de refúgio na Jordânia. Caminhões do exército estavam parados na fronteira esperando carregar os refugiados para um acampamento onde encontrassem alimento e água. Havia espaço nos caminhões para todos, mas as mães não esperaram: colocaram todos os filhos no primeiro caminhão que viram, mesmo se isso significasse ter de ficar para trás. Se houvesse algum risco, elas enfrentariam desde que enviassem os filhos adiante em segurança.

Com certeza Maria deve ter sentido o mesmo. Qualquer perigo que ela enfrentasse — em Nazaré, em Belém, em Jerusalém ou no Egito — seu único pensamento era proteger seu filho. Foi chamada para criá-lo para a obra do reino, não importando as dificuldades que enfrentaria.

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Philip Ryken
Autor Philip Ryken

Philip. G. Ryken é o presidente do Wheaton College e um membro do Conselho do The Gospel Coalition.



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