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Artigo

Aprenda sobre a Grande Tribulação

R. C. Sproul 08 de Abril de 2015 - Vida Cristã

No ano de 168 a.C., o governante pagão Antíoco IV Epifânio teve a audácia de erigir um altar pagão no templo dos judeus. Em vez de sacrificar novilhos, bodes e cordeiros, ele profanou o templo ao sacrificar um porco. Isto foi o cúmulo da blasfêmia, porque os judeus viam os porcos como impuros. Esta profanação insana causou uma das mais importantes revoluções dos judeus contra invasores estrangeiros.

Precisamos entender quão importante era e é a santidade de Deus para o povo judeu. Os judeus acreditavam que o templo era sagrado e santo, porque o Santo de Israel fizera sua habitação ali. Para eles, aquele era o lugar mais sagrado no mundo. Contaminá-lo com sacrifícios pagãos era o maior insulto que alguém poderia causar a Israel.

Os judeus fiéis viram, nesta atrocidade, o cumprimento de uma profecia que se achava no livro de Daniel e se referia à “abominação desoladora” (Dn 9.27; 11.31; 12.11). Jesus fez uso desta expressão na continuação de seu discurso, no Monte das Oliveiras:

Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado; porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados. Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres (Mt 24.15-28).

A referência ao “abominável da desolação” é misteriosa, mas é crucial; é o sinal supremo para indicar a proximidade do cumprimento destas profecias. A idolatria de Antíoco foi abominável, mas isto aconteceu no passado, e Jesus estava se referindo a algo que acontecerá no futuro. Mas, o que Jesus tinha em vista?

No ano 40 d.C., o imperador romano Calígula ordenou que uma estátua dele mesmo fosse construída e colocada no interior do templo. Você pode imaginar como isto provocou o povo de Israel. Pela bondade da providência de Deus, Calígula morreu antes que essa profanação acontecesse.

No ano 69 d.C., um ano antes da destruição de Jerusalém e do templo, aconteceu algo sem precedente: uma seita de judeus radicais, chamados zelotes, tomou forçosamente o templo e o transformou em um tipo de base militar. Os zelotes eram um grupo de judeus entusiastas quanto à destituição violenta de seus invasores romanos. Quando tomaram o templo, cometeram todo tipo de atrocidades em seu interior, não mostrando respeito à santidade de Deus. O historiador Josefo expressou sua denúncia emotiva da horrível profanação que os zelotes cometeram contra o templo. Era isso que Jesus tinha em mente?

Outra interpretação possível poderia ser a presença dos próprios brasões romanos. Quando os exércitos romanos marchavam, carregavam suas bandeiras com os brasões romanos estampados nelas. Os judeus consideravam idólatras essas imagens. A presença desses brasões no templo teria sido considerado uma abominação.

Embora seja difícil determinar, com precisão, que incidente específico Jesus tinha em vista, o que sabemos é que durante o cerco de Jerusalém, seu povo seguiu suas instruções. Lembre o que Jesus disse no versículo 15: “Os que estiverem na Judéia fujam para os montes”. Esta ordem, da parte de Jesus, teria sido totalmente fora do comum para seus ouvintes. Quando um exército invasor chegava, o procedimento normal, no mundo antigo, era as pessoas fugirem para a cidade de muros impenetráveis mais próxima que pudessem achar. É claro que, na Judeia, isso significava Jerusalém. Mas Jesus disse a seus discípulos: “Quando todas estas coisas acontecerem, não vão para Jerusalém. Vão para as montanhas. Corram para os montes”. Isto foi exatamente o que aconteceu em 70 d.C. Sabemos que cerca de um milhão de judeus foram mortos, mas os cristãos haviam fugido.

Jesus continuou suas instruções: “Quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado” (vv. 17-20). Isso é, obviamente, uma mensagem de urgência. Sabemos que o povo judeu tinha telhados planos em suas casas, com escadas exteriores que levavam ao telhado. Eles usavam esses telhados com um tipo de terraço, um lugar para descanso à noitinha, quando a temperatura era mais fresca. “Não percam tempo. Logo que ficarem cientes da presença do abominável da desolação, saiam rapidamente. Não façam qualquer bagagem. Se estiverem no campo, não voltem à casa para apanhar roupas extras. O que estiverem vestindo, ou o que tiverem na bagagem, levem e esqueçam o resto”.

A nota de urgência ressoa novamente nos versículos seguintes. O tempo era o fator crucial, e, em termos simples, é difícil uma mulher ser rápida e se locomover apressadamente se está grávida ou amamentando. O inverno é a estação mais difícil para sobrevivência fora de casa; e ter estes sinais acontecendo no dia de sábado seria um desafio para os judeus, por causa da proibição de viajar longas distâncias. Jesus estava dizendo a seus seguidores que orassem para que essas coisas não acontecessem no tempo errado, para que nada impedisse a sua fuga.

Jesus prosseguiu: “Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados” (vv. 21-22).

Josefo relata o fato de que uma reviravolta política em Roma abreviou o cerco destruidor, permitindo que houvesse muito mais sobreviventes do que se esperava. Baseado no que sabemos daquele período, parece claro que Jesus falava aos seus ouvintes originais sobre um evento de futuro próximo, e não sobre um evento que aconteceria séculos e séculos depois.

Em seguida, Jesus disse: “Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos”. Na igreja há uma opinião sustentada amplamente de que Satanás é tão poderoso quanto Deus, e está engajado num duelo de milagres com Deus, realizando milagres para apoiar suas mentiras. Acredita-se que esses milagres poderiam até enganar o povo de Deus. Não creio, nem por um segundo, que Satanás jamais teve e terá capacidade de realizar um milagre de boa intenção. Os sinais e maravilhas dos falsos cristos e falsos profetas não são sinais e maravilhas autênticos a serviço de uma mentira. Pelo contrário, são falsos sinais e maravilhas. São truques destinados a enganar.

Devemos nos preocupar com o fato de que a ideia de que Satanás pode realizar milagres autênticos está ganhando muita aceitação na igreja. Em todo o Novo Testamento, os escritores apostólicos apelaram aos milagres de Jesus e dos apóstolos como prova de que eles eram verdadeiros agentes da revelação. Os milagres eram provas visíveis de que Deus estava com eles. Mas, se Satanás pode fazer um milagre, então a opinião dos autores do Novo Testamento de que os milagres eram um meio de autenticar a mensagem do evangelho se torna inválida. Quando um milagre acontece, como se pode saber se ele vem de Deus ou de Satanás? Isso não significa que o povo de Deus não pode ser enganado por trapaça. É claro que podemos, pois, do contrário, Jesus não nos teria advertido contra isso.

Jesus prosseguiu: “Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres”. Quando Jesus aparecer, este momento de julgamento catastrófico será como relâmpago. Os relâmpagos brilham e instantaneamente atravessam o céu. Não há tempo suficiente para se medir a duração do relâmpago.

Como devemos entender esta última afirmação referente ao cadáver e aos abutres? Uma das razões por que a profecia preditiva é tão difícil de ser interpretada é o fato de que as imagens simbólicas são um desafio ao entendimento. A maneira mais segura de interpretarmos imagens na literatura apocalíptica é entendermos como essas imagens são usadas em toda a Bíblia. Este princípio pode nos ajudar, mas não resolve o problema. Embora não possamos afirmar, com certeza, o que Jesus queria dizer com esta última frase, alguns dos eruditos do Novo Testamento têm sugerido uma interpretação criativa. A maioria das pessoas veem como as aves carniceiras sobrevoam em círculo um animal que acabou de morrer. Interessantemente, o principal símbolo do exército romano era uma águia. Talvez Jesus estivesse dizendo que Roma é como uma ave de rapina. Deus será o agente da punição de seu povo, e, antes de sua ira ser derramada, “as águias” estarão circulando.

Fonte: trecho do livro "Estes são os últimos dias?" de R. C. Sproul.

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Autor R. C. Sproul

R. C. Sproul nasceu em 1939, no estado da Pensilvânia. É ministro presbiteriano, pastor da igreja St. Andrews Chapel, na Flórida. É...



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