segunda-feira, 20 de abril

O perigo de amar o mundo

Ameaças à vida espiritual

O apóstolo João adverte: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo” (1Jo 2.15). Neste trecho de Não ameis o mundo, o puritano William Greenhill expõe como o amor às coisas terrenas revela a corrupção do coração humano, denuncia a superficialidade de muitas profissões de fé e chama os cristãos a viverem com contentamento e afeições voltadas para Deus. William Greenhill (1591–1671) foi um pastor e teólogo puritano inglês, conhecido por sua poderosa pregação. Membro da Assembleia de Westminster, serviu fielmente no ministério congregacional até sua morte, deixando um legado de sólida erudição bíblica.


Agora, passo à utilidade da doutrina de que aqueles que estão em estado de graça — sejam crianças, jovens ou pais — não devem amar o mundo nem as coisas que ele contém. Também darei algumas orientações para examinarmos nosso coração em busca do amor pelo mundo.

Sua utilidade

Primeira utilidade. Ela nos informa sobre a corrupção da nossa natureza, que é muito propensa a amar o mundo e o que há nele. Por isso Deus nos dá uma proibição clara: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo” (1Jo 2.15). Essa proibição sugere que homens e mulheres, desde a Queda, estão muito inclinados a amar a criatura, pois em sua queda abandonaram o Criador e se voltaram para a criação. E nos apegamos tanto às coisas que as idolatramos, as amamos, gastamos nosso tempo e energia nelas e nos esquecemos de Deus e das coisas divinas. Nossa tendência a buscar coisas terrenas é maior do que a da água fluir correnteza abaixo ou a do fogo subir floresta acima. Isso é comum a todos os homens, uma doença e enfermidade universal que afeta a todos. Nosso coração e nossa natureza são extremamente corruptos, sendo propensos a essas coisas proibidas. Deveria nos humilhar o fato de sermos tão corruptos e seguirmos o caminho errado; de nos importarmos com coisas pobres, perecíveis e vãs, e negligenciarmos o próprio Deus, que é o único que pode dizer: “Eu Sou o que Sou. Eu sou substância e ser. Eu sou a excelência. Sou digno de amor, no entanto não sou amado.”

Segunda utilidade. Se aqueles que estão em estado de graça não devem amar o mundo, então parece que o número de pessoas verdadeiramente em estado de graça é realmente muito reduzido; pois são pouquíssimos os que não amam o mundo. O amor pelo mundo é tão comum que se proclama ao mundo. “Eles possuem graça, ou apenas aparentam possuí-la; não a graça salvadora”. Paulo disse: “pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” (Fp 2.21). Assim era nos dias dos apóstolos; os homens amavam o mundo e as coisas do mundo, as honras do mundo, as preferências do mundo, os lugares de poder, as riquezas, os prazeres e coisas dessa natureza — coisas próprias da carne e do velho homem. Eles amavam essas coisas, e Cristo não era levado em consideração. Como vemos em Apocalipse 13.3, “toda a terra se maravilhou, seguindo a besta”. É raro encontrar um homem alheio ao mundo, que viva acima dele. Paulo disse: “a nossa pátria está nos céus” (Fp 3.20). Onde estão as pessoas cuja pátria está no céu? Onde estão aqueles que dirão: “Nossa comunidade está no céu, somos cidadãos do céu, nossas afeições estão no céu, nossos negócios estão no céu”? Pessoas assim são muito raras de se encontrar.

Terceira utilidade. Se não se deve amar o mundo assim, então aqueles que são graciosos e piedosos devem se contentar com um pouco do mundo. Um pouco do mundo lhes será útil; um pouco nos conduzirá ao fim de nossa jornada. Não é sensato nos sobrecarregarmos com fardos pesados quando temos uma viagem a fazer ou uma corrida a correr. O apóstolo diz em Hebreus 13.5: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes”. Vocês que são cristãos, contentem-se com o que têm e não cobicem o mundo e as coisas do mundo. “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm 6.7-8). Um coração gracioso deveria raciocinar assim: “Eu não trouxe nada para o mundo e não levarei nada dele. Então, se tenho comida, roupas e coisas convenientes para mim enquanto estou no mundo, por que deveria me dar ao trabalho de labutar e trabalhar por algo desconhecido?” Os homens não consideram a certeza de que não levarão nada deste mundo, mas isso é algo certo. Essa base é tão sólida que você pode construir sobre ela: você não levará nada consigo quando morrer. Bem, então nos contentemos com um pouco do mundo.

Quarta utilidade. Serve para repreender a maioria dos homens e mulheres que se dizem cristãos, aqueles que são vistos como piedosos e em estado de graça. É uma repreensão para eles, pois há muitos na igreja que amam o mundo e as coisas que há nele. Eu poderia repreender de forma amarga e severa muitos ditos cristãos por esse motivo.

O artigo acima é um trecho adaptado e retirado com permissão do livro Não ameis o mundo, de William Greenhill, em breve pela Editora Fiel.


Autor: William Greenhill

William Greenhill (1591–1671) foi um pastor e teólogo puritano inglês, conhecido por sua poderosa pregação. Membro da Assembleia de Westminster, serviu fielmente no ministério congregacional até sua morte, deixando um legado de sólida erudição bíblica.

Ministério: Editora Fiel

Editora Fiel
A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

Veja Também

10 versículos-chave da Bíblia sobre Eternidade

O que a Bíblia ensina sobre eternidade? Explore 10 textos essenciais sobre Deus eterno, vida eterna em Cristo e novos céus e nova terra.