terça-feira, 16 de agosto

Evangelize fazendo amigos

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Você já se pegou chegando em casa e percebendo que não sabe como chegou lá? Eu com certeza já. Você sabe que passou por curvas, semáforos e placas de igrejas; mas você não se lembra delas. Estava no piloto automático. Já foi para casa tantas vezes que já está bastante familiarizado com o trajeto, conhece inclusive as pessoas que encontra pelo caminho, tão bem que nem pensa mais nelas. Pode ter sido até difícil dar as direções do trajeto para alguém porque você nem mesmo se lembra os nomes das ruas e os pontos de referência dos cruzamentos. Simplesmente sabe ir até lá.

É assim que muitos cristãos agem com suas bíblias, suas igrejas e no meio de outros cristãos. Não é necessário direção ou explicação. Todos sabem o que fazer e para onde ir. O pregador diz, “Voltem-se para Mateus,” e ninguém pensa em procurar entre eles uma pessoa chamada Mateus. Os cristãos falam uns aos outros, “eu amei a comunhão que tivemos na noite passada”, e todos sabem o significado desta palavra, que nem é tão comum em outros meios. Todos simplesmente sabem.

Mas isso não é verdade para aqueles que não cresceram na igreja e nunca conversaram com amigos sobre os ídolos do coração, pecados de estimação e sobre pregar o evangelho para si mesmo.

Eis a pergunta que estou interessado: como esses dois mundos se cruzam? Como devemos interagir com nossos amigos não cristãos, colegas de trabalho e colegas de sala de aula que estão ao nosso redor para que eles possam ouvir e acreditar no evangelho? Eis cinco lições para lembrarmos.

1. Seja amigável.

Há muitas situações para conversas únicas com estranhos sobre o evangelho, mas a maioria das oportunidades de evangelismo está bem na nossa frente de maneira frequente ou diária. São as pessoas na frente do seu cubículo (ou na sua reunião do Zoom). São as pessoas com quem você trabalha ou de quem compra café. Elas têm histórias da vida que viveram e esperança da vida que querem viver. Para muitos de nós, o desafio inicial não é fazer discípulos, é fazer amigos.

Portanto, tenha interesse nas pessoas. Observe suas vidas, pergunte sobre o final de semana, aprenda sobre seus relacionamentos e escute suas histórias. Jesus conversava com as pessoas. Entre lançar maldições nas cidades, desafiar os fariseus em suas falácias lógicas e restaurar a paz e a ordem de uma cidade ao expulsar demônios, ele conversava com as pessoas. Suas respostas tornaram-se pontes para discutir questões eternas.

Não estou advogando para o treinamento de uma personalidade extrovertida. Estou deixando Mateus 7.12 mais comum, “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.” Estou te encorajando a aprender sobre as pessoas e a encontrar maneiras de amar e servi-las como alguém que vive para Cristo e não para si mesmo.

2. Mantenha o evangelho visível.

Você já contou uma história para alguém sobre algo que aconteceu com você e na metade da história ele te interrompe para contar algo parecido que aconteceu com ele? A questão é que, depois de ouvir a história atropelada por alguns minutos, você percebe que não tem relação nenhuma com a sua. Isso é bastante comum em conversas sobre a Bíblia com não cristãos. Tentamos chegar em um ponto, mas eles conduzem a conversa para outro ponto. Seja para uma experiência ruim com “a igreja”, seja para crenças sobre meditação ou sobre o poder do pensamento positivo, as pessoas trazem à tona todos os tipos de tópicos quando você começa a falar sobre Cristo.

É bom manter um bom guia de conversa em mente ao pensar sobre seu destino desejado. O objetivo inicial é a interação amigável. O objetivo intermediário é uma conversa significativa. O objetivo final é fazer discípulos de Jesus. Isso pode nos ajudar a avaliar em que ponto estamos em nossas interações com os outros. Qualquer coisa pode surgir: política, toque de recolher sensato para adolescentes, as dimensões exatas do céu. Mas, por meio disso tudo, o objetivo é conduzir a conversa de volta para a estrada da clareza e convicção do evangelho.

Ao buscar isso, não negligencie a oração. Não esqueça de apelar para outros cristãos para que orem por vocês e pelas pessoas que você está tentando alcançar (Cl 4.3-4). Você está envolvido em mais do que uma batalha de conversas. Você está envolvido na verdade em prol dos perdidos, enquanto se depara com todos os tipos de oposição pelo caminho (Ef 6.12).

3. Convide-os para uma reunião entre os cristãos.

Você se lembra da primeira vez que conheceu os pais do seu cônjuge? Sem dúvida você se sentiu um pouco intimidado, principalmente se o relacionamento ainda estava no início. É assim que muitos não cristãos se sentem quando os convidamos para ir à igreja de imediato. Eles entendem que os cristãos normalmente se juntam em grupos chamados “igrejas, mas eles se sentem um pouco surpresos por toda a perspectiva de provavelmente se levantar mais cedo do que o de costume em um domingo. Eles se perguntam que roupa eles devem usar; se perguntam o quanto eles terão que cantar ou conversar. Enquanto isso, outros desconfiam de igrejas, alguns por bons motivos, outros não, e não estão ansiosos por voltar a uma igreja.

Por isso, você poderia procurar um lugar e um momento onde a barreira a ser superada fosse menor. Você e alguns membros da igreja vão jogar futebol? Convide seu amigo. Vai assistir a um filme com alguns amigos da igreja? Convide seu amigo. Vai receber pessoas em casa para assistir a um jogo? Certifique-se de convidar seu amigo!

Esses momentos estarão cheios de interações bastante significativas com outros cristãos. Além disso, eles poderão ver pequenos, mas significativos, atos de amor entre outros cristãos (Jo 13.34-35). Talvez ouçam você mencionar que tem orado por alguém. Talvez vejam vocês encorajando uns aos outros em conversas ou observem vocês não perdendo a cabeça em campo! Em resumo, você quer que seus amigos não cristãos vejam o amor do cristão repercutindo nas vidas de outras pessoas. Deixe que essas reuniões sirvam como um aperitivo antes do prato principal, quando eles poderão ver cristãos adorando o Salvador ressurreto juntos em suas igrejas locais.

4. Convide-os para lerem uma passagem dos evangelhos com você.

Muitos não cristãos, até mesmo aqueles que cresceram na igreja, nunca de fato leram a Bíblia. Mesmo assim, eles têm várias opiniões sobre Deus, Jesus, cristãos e a verdade. Sendo assim, convide seu amigo para ler por si mesmo um dos relatos da vida e ministério de Jesus, e conversar com você a respeito disso. Desafie seus amigos a conhecer o Jesus da Bíblia. Desafie-os a rejeitar suas próprias representações incompletas ou incorretas sobre Jesus. Acho que você se surpreenderá com quem aceitará esse convite.

Um ótimo recurso que eu recomendo é o livro de David Helm One to One Bible Reading (Leitura Bíblica Um a Um). O livro de Helm oferece diferentes planos e estratégias para esse tipo de leitura bíblica. Inclui um plano de oito encontros ao longo do Evangelho de Marcos, incluindo perguntas que o leitor pode fazer em cada seção. Isso conduzirá as conversas e as reflexões pessoais em direção à clareza do Evangelho.

5. Mantenha a visão geral em mente.

Quando as pessoas nos perguntavam o que queríamos ser quando crescer, a maioria de nós dizia que não queríamos ser lavradores. Mas é exatamente isso o que somos. Claro, você talvez seja remunerado pelo seu tempo trabalhando em um banco, uma loja ou uma escola, mas isso não é tudo o que você faz. Você também é chamado para uma atividade agrícola, para plantar sementes nas vidas das pessoas. Você é chamado para fazer discípulos, seja um estranho em um metrô, um amigo de infância que ainda mora no seu bairro ou um novo funcionário em sua empresa.

Deixe-me te encorajar a lembrar que o sucesso no evangelismo não depende da sua habilidade, personalidade ou conhecimento imensurável da Bíblia (Mc 4.26-27). É o Espírito de Deus que usa a Palavra de Deus conforme ela é comunicada ao povo de Deus, e tudo isso é feito para a glória de Deus. Além disso, nenhuma estratégia, nenhuma lista de dicas ou nenhum plano de leitura diferente convencerá algumas pessoas de que o Evangelho é bom. Somos lembrados que “a palavra da cruz é loucura para os que se perdem.” Mas o versículo continua, “mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Cor 1.18).

Você se lembra do que aconteceu no Jardim do Éden depois que Adão desobedeceu? Deus o buscou. Ele foi atrás. Não esperou que Adão viesse até ele. Deus tem feito isso com pecadores desde então. Que façamos o mesmo e que lembremos “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Rm 10.15).


Autor: Eric Bancroft

Eric Bancroft é o pastor da Grace Church (Igreja Graça), uma igreja nova em Miami, Flórida.

Parceiro: 9Marks

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O ministério 9Marks tem como objetivo equipar a igreja e seus líderes com conteúdo bíblico que apoie seu ministério.

Ministério: Ministério Fiel

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Ministério Fiel: Apoiando a Igreja de Deus.

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