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Artigo

Apelo à Oração em Favor aos Pastores

Gardiner Spring 26 de Abril de 2005 - Vida da Igreja

A importância do ministério pastoral é tão grande, que somos compelidos a rogar para ele um favor especial. “Orai por nós” é uma súplica em que sentimos profundo interesse pessoal. “Orai por nós” — rogou o apóstolo em 1 Tessalonicenses 5.25. “Orai por nós” é o eco sincero de todo púlpito evangélico neste país e no mundo. Se um homem como Paulo pediu a bons crentes rogarem por ele e se, com seu elevado intelecto, sua eminente espiritualidade e sua comunhão íntima com Deus e o mundo invisível, este santo homem precisava de encorajamento e estímulo para a sua obra, quem não dirá: “Irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada”? (2 Ts 3.1.)

Para o jovem que está entrando no ministério da reconciliação, é um deleite pensar que, embora ele seja indigno, milhares de orações em seu favor, por parte dos filhos de Deus, estão constantemente subindo ao seu Pai e ao Pai deles, ao seu Deus e ao Deus deles. Este jovem parece ouvir a igreja dizendo: “Não podemos entrar neste ministério sagrado, mas acompanharemos você com nossas orações”. Ele parece ouvir muitos pais crentes falando: “Não temos um filho para enviar a esta vocação sagrada, mas você está indo e não deixará de ser o interesse de nossas orações!”

Muitas igrejas deste país têm desfrutado do sublime privilégio de enviar à seara espiritual um número considerável de amados jovens das famílias de sua membresia. Essas igrejas têm estabelecido a prática de se reunirem (com uma extensão que é gratificante recordar) em cultos especiais para confiar seus jovens aos cuidados e à fidelidade do Deus que cumpre a aliança. Quão convenientes, em qualquer de seus aspectos, são esses cultos! Quão cheios de encorajamento para o coração que treme ante a visão das responsabilidades do ofício sagrado! Quão prazeroso é este estímulo espiritual para a mente quase pronta a sucumbir ao peso de sua própria fraqueza! E quão inefavelmente precioso é o pensamento de que todos os que labutam nesta obra grandiosa, jovens ou velhos, são lembrados nas orações das igrejas!

No coração de cada igreja, deve aprofundar-se o pensamento de que o seu pastor será um verdadeiro ministro do evangelho à proporção que as orações dela podem torná-lo um ministro dessa espécie.

Se nada, exceto a graça onipotente, pode gerar um crente, nada menos do que as orações das igrejas podem fazer de um homem um fiel e bem-sucedido ministro do evangelho!

Rogamos às igrejas que considerem, com maior determinação e devoção, a grande obra à qual seus pastores se dedicam. Explicar doutrinas e inculcar os deveres do verdadeiro cristianismo; defender a verdade contra toda a sutileza e versatilidade do erro; manter no espírito deles mesmos o senso da presença de Deus e das sanções morais reveladas em sua Palavra; experimentar aquela profunda e amável impressão das coisas invisíveis e eternas (tão necessárias para dar fervor à pregação), bem como aquela vida e tolerância consistentes que são essenciais para dar poder à pregação deles — fazer essas coisas de um modo que se adaptará a diferentes épocas, lugares, ocasiões e pessoas, não se deixando desanimar pelas dificuldades, vencer pelos inimigos ou fatigar-se do jugo que tomaram sobre si mesmos, não é uma tarefa simples!

Se os crentes esperam ouvir sermões enriquecedores da parte do pastor de sua igreja, as orações deles têm de supri-lo com os recursos necessários. Se os crentes esperam ouvir sermões fiéis, as orações deles têm de impelir o pastor, mediante uma fiel e descomprometida manifestação da verdade, a recomendar-se a si mesmo à consciência de todo homem, na presença de Deus (2 Co 4.2). Se o povo de Deus espera ouvir sermões poderosos e bem-sucedidos, as orações deles têm de fazer com que o pastor se torne uma bênção para a alma dos homens!

Os crentes desejam que o pastor venha ao encontro deles na plenitude da bênção do evangelho da paz, com um coração insistente, olhos perscrutadores, língua ardente e sermões regados com lágrimas e oração? Se desejam isso, as suas orações devem incitar o pastor a orar; e as lágrimas dos crentes devem inspirar o coração sensível do pastor com os fortes anelos da afeição cristã. É em seu quarto de oração que os crentes desafiam seus amados pastores a atentarem ao ministério que receberam do Senhor Jesus (At 20.24).

Quem e o que são realmente os ministros do evangelho? São homens fracos, falíveis, pecadores, expostos a todas as armadilhas e a todos os tipos de tentação. E, devido ao lugar de observação que ocupam, os pastores são alvo fácil para os dardos inflamados do Maligno. Eles não são vítimas triviais que o grande Adversário está procurando, quando deseja ferir e mutilar os ministros de Cristo. Tal vítima é mais digna da atenção do reino das trevas do que grande número de homens comuns. Por esta mesma razão, as tentações dos pastores são provavelmente mais sutis e severas do que as enfrentadas pelos crentes comuns.

Se o ardiloso Enganador falha em destruir os pastores, ele se concentra astuciosamente em neutralizar a influência deles, por meio de abafar o fervor da piedade neles, levando-os à negligência e fazendo tudo o que pode para transformar a obra deles em um fardo insuportável. Quão perigosa é a condição de um pastor cujo coração não é encorajado, que não tem as mãos fortalecidas e não é sustentado pelas orações do seu povo! Não é somente em oração particular e em seus próprios joelhos que o pastor encontra segurança e consolação, bem como pensamentos e regozijos que enobrecem, humilham, purificam. Porém, quando os crentes buscam estas coisas em favor do pastor, este se torna um homem melhor e mais feliz, um ministro mais útil do evangelho eterno!

Nada proporciona aos crentes tão grande interesse (da melhor qualidade) como o orar pelos pastores de suas igrejas. Quanto mais os crentes confiarem a Deus os seus pastores, tanto mais os amarão e os respeitarão; tanto mais atenderão, com alegria, ao ministério deles e tanto mais se beneficiarão desse ministério. Os crentes sentirão maior interesse no ministério do seu pastor, se orarem mais por ele. E os filhos dos crentes sentirão interesse mais profundo tanto no pastor quanto na pregação dele, se ouvirem com regularidade súplicas que confiam afetivamente o pastor ao trono da graça celestial.

Os resultados da pregação do evangelho estão associados com as mais interessantes realidades do universo. De fato, estes resultados cumprem grande papel em afetar essas realidades. Onde o evangelho pregado não tem livre curso e não é glorificado, ali também não ocorre nenhuma exibição brilhante e majestosa do Deus sempre bendito e adorável. Essa maravilhosa exibição da natureza divina — esse desenvolvimento progressivo que é, em si mesmo, tão desejável e, em suas conseqüências, tão querido a toda mente piedosa — nunca se manifesta com tanta distinção impressionante e com tanto fulgor dominante como quando os ouvintes da verdade e da graça de Deus, proclamadas por lábios de barro, tornam visível a manifestação da grandiosa glória de Deus.

Se o povo de Deus na terra tivesse mente tão pura como a dos anjos ao redor do trono de Deus, eles acompanhariam, com grande interesse, ansiedade e oração, o progresso e os labores dos humildes e fiéis embaixadores da cruz, enquanto estes proclamam o glorioso evangelho, e veriam quanto os efeitos da pregação deles revelam novas e permanentes manifestações da Divindade! Os efeitos da pregação dos pastores sobre a alma dos homens não são nada menos do que o aroma de vida para a vida, naqueles que são salvos, e o cheiro de morte para a morte, naqueles que se perdem (2 Co 2.15,16). A mesma luz e motivos que são os meios de preparar alguns para o céu, quando são pervertidos e usados abusivamente, preparam outros para o inferno.

Oh! os pastores estão sempre assumindo o púlpito a um custo muito elevado, não sendo precedidos, acompanhados e seguidos por orações fervorosas das igrejas! Não devemos nos admirar com o fato de que muitos púlpitos estejam sem poder e os pastores se encontrem, freqüentemente, desanimados, quando há tão poucos a manter erguidas as mãos deles. A conseqüência de negligenciar este dever é vista e sentida no declínio espiritual das igrejas e será vista e sentida na eterna perdição dos homens. A conseqüência de ter este dever em alta estima seria o ajuntamento de multidões no reino de Deus e novas glórias ao Cordeiro que foi morto!

Por conseguinte, em seu próprio benefício e em benefício do amado e respeitado ministro do evangelho, este escritor roga por um interesse nas orações de todos aqueles que amam o Salvador e a alma dos homens. Somos despenseiros da verdade de Deus e, no entanto, ficamos aquém deste glorioso tema. Os deveres de nossa chamada recaem sobre nós a cada semana. Tais deveres sempre nos sobrevêm com diversas exigências conflitantes. Às vezes, esses deveres impõem exigências sobre todos os nossos pensamentos, exatamente quando temos perdido a capacidade de pensar. Às vezes, tais deveres exigem toda a intensidade e vigor de nossas afeições, quando somos menos capazes de expressá-las. Associadas com estas exigências, existem a tristeza aflitiva e a ansiedade desanimadora, que exaurem nosso vigor, abatem nossa coragem e desanimam nosso espírito.

Além de tudo isso, existem tantos desapontamentos na obra do pastor, que ele sente desesperadamente a necessidade de simpatia e consolo das orações dos crentes fiéis dentre o povo de Deus! Às vezes, sentimos o nosso espírito estimulado e nos dirigimos ao nosso povo repletos da esperança de resgatá-los dos horrores eternos; e, em um momento infeliz de nossa autoconfiança, imaginamos inutilmente que a obra e o triunfo resultam de nós mesmos. Somos dispostos a tempo e fora de tempo (2 Tm 4.2); preparamo-nos para o conflito, polindo, em algumas ocasiões, nossas flechas, mas, em outras ocasiões, nós as deixamos ásperas e embotadas. Vestimos nossa armadura, entramos no campo de batalha com a determinação de usarmos toda a nossa força e com a absoluta confiança de que temos de realizar a tarefa designada. Mas, que lição de auto-humilhação! Não podemos converter uma única alma. “Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes” (Mt 11.17).

Ensinamos com tanta clareza e freqüência os mandamentos divinos, e os homens menosprezam a autoridade de Deus. Falamos clara e repetidamente sobre os juízos de Deus, e os homens desprezam a justiça de Deus. Pregamos amavelmente sobre as promessas de Deus, e os homens não atentam à fidelidade dEle. Proclamamos o Filho amado de Deus, e os homens ameaçam pisoteá-Lo. Falamos sobre a paciência e a longanimidade de Deus, mas a impenitência e a obstinação dos homens constituem provas contra todos eles. Arrazoamos e imploramos aos homens, até que os obstáculos para a conversão deles parecem se tornar cada vez mais elevados por intermédio de cada esforço que empreendemos para vencê-los; até que, finalmente, caímos em desânimo e clamamos: “Que poder é capaz de esmigalhar esses corações semelhantes a granito? Que braço onipotente pode resgatar das chamas eternas esses homens condenados?” Ó igrejas compradas por sangue, os seus pastores necessitam de suas orações, suplicando a suprema grandeza daquele poder que Deus manifestou em Cristo, ressuscitando-O dos mortos (Ef 1.19,20).

Temos interesse em orar pelos incrédulos, pela Escola Dominical e pela bênção de Deus sobre a distribuição de folhetos evangelísticos. Por que, então, devemos esquecer o grande instrumento designado por Deus mesmo para a salvação de pessoas? Não haverá algum tipo de acordo de oração em favor dos ministros do evangelho? Se não houver uma sugestão melhor, por que não pode haver um entendimento geral entre os homens crentes e suas famílias, a fim de separarem um tempo, no domingo, para orarem por este assunto especial e sublime? Esta era uma prática comum na família de meu respeitável pai; e têm sido a de minha própria família. Além disso, é um privilégio muito precioso.

A manhã do domingo é um tempo bastante apropriado. Esse ministério de oração exerce a influência aprazível nos privilégios do santuário. “E será que, antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei” (Is 65.24). Oh! que Deus se compraza em dar às igrejas o espírito de oração em favor dos pastores — este seria o propósito de respondê-las. Ele atenderá ao desamparado e não desprezará a sua oração (Sl 102.17). Está escrito: “Criará o Senhor, sobre todo o monte de Sião e sobre todas as suas assembléias, uma nuvem de dia e fumaça e resplendor de fogo chamejante de noite” (Is 4.5). Nem o altar será profanado, nem o incenso, menos fragrante, se estas palavras de esperança estiverem mais freqüentemente nos lábios daqueles que o oferecem — “Vestirei de salvação os seus sacerdotes, e de júbilo exultarão os seus fiéis (Sl 132.16).

E isto não é tudo! Os ministros do evangelho devem ser lembrados todos os dias no altar doméstico. “Não é algo insignificante”, disse um escritor de nossa cidade, “que uma congregação tenha clamores diários, suplicando a bênção de Deus, provenientes de centenas de lares”. Que fonte de refrigério para um pastor! A devoção familiar de oração, no condado de Kidderminster, sem dúvida alguma, fez de Richard Baxter um pastor melhor e um homem mais feliz. É possível que ainda estejamos colhendo os frutos de tais orações, nos livrosO Descanso Eterno dos Santos (The Saints Everlasting Rest) e Pensamentos de Moribundo (Dying Thoughts), escritos por Baxter.

Vocês, que fazem lembrado o Senhor, não se mantenham em silêncio, nem dêem a Ele descanso (Is 62.6,7). Quando as igrejas pararem de orar em favor dos pastores, eles não serão mais uma bênção para as igrejas. Irmãos, orem por nós, para que sejamos guardados do pecado, andemos prudentemente, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo (Ef 5.16); para que nosso coração seja mais consagrado a Deus e nossa vida se torne um exemplo impressionante do evangelho que pregamos; para que estejamos mais completamente equipados para a obra e o conflito, vestindo toda a armadura de Deus; para que sejamos mais fiéis e mais sábios para ganhar almas e disciplinemos nosso próprio corpo, trazendo-o em sujeição, a fim de que, havendo pregado aos outros, não sejamos nós mesmos desqualificados (1 Co 9.27).

Quando volvemos nossos pensamentos e contemplamos ordenanças estéreis e um ministério infrutífero, o coração se derrete em nosso íntimo; e desejamos nos lançar aos pés das igrejas, tendo o prazer de implorar que sejamos lembrados em suas orações. Se você já entrou na intimidade do Altíssimo e se aproximou do coração dAquele que é amado por sua alma, suplique ardentemente que o poder dEle assista aqueles que foram ordenados ministros do evangelho. Se você já se reclinou ao seio de Jesus, lembre-se de nós, por favor! Conte-Lhe seus desejos. Fale com Emanuel sobre o precioso sacrifício e o maravilhoso amor dEle. Fale com Ele sobre o seu poder e a nossa fraqueza, sobre a sua glória indescritível e a angústia eterna que se encontra além do sepulcro. Com lágrimas de solicitude, insista em seu apelo e diga-Lhe que Ele entregou o tesouro de seu glorioso evangelho a vasos terrenos, a fim de que a excelência do poder seja toda de Deus!

“Irmão, orai por nós. Amém!”

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