Neste artigo, John Piper aborda uma das verdades mais fundamentais da vida cristã: o pecado promete satisfação, mas nunca pode entregar a felicidade que promete. Com base em textos como Romanos 8, Gálatas 2 e Filipenses 1, Piper mostra que a luta contra o pecado é, em sua essência, uma luta de fé nas promessas de Deus. O autor nos conduz a uma compreensão mais profunda da mortificação do pecado, destacando que a verdadeira santidade nasce de um coração satisfeito em Cristo. Trata-se de uma reflexão pastoral e profundamente bíblica sobre como combater o pecado pela fé e encontrar alegria duradoura em Deus.
Gravadas na casca de cada árvore no jardim de Deus estão as palavras: “Se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Duas palavras estão gravadas na carne de cada cristão: “Você morreu” (Cl 3.3). E a confissão sincera de cada crente é: “Fui crucificado com Cristo” (Gl 2.20).
Mas o que isso significa? Quem morreu quando me tornei cristão? Resposta: minha “carne” morreu. “Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne” (Gl 5.24). Mas o que significa “carne”? Não minha pele. Não meu corpo. Esse pode ser um instrumento de justiça (Rm 6.13). Não, não o corpo.
E então? A resposta está nos tipos de obras que a carne pratica. “As obras da carne” são coisas como idolatria e contenda, ira e inveja (Gl 5.19-21). Essas são atitudes, não apenas atos imorais do corpo.
O que é a carne?
“As consequências de erradicar o pecado são muito sérias. Não estamos brincando de guerra. O resultado é o céu ou o inferno.”
A definição bíblica mais próxima da carne encontra-se em Romanos 8.7-8: “A mentalidade da carne é inimiga de Deus, pois não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo. Os que estão na carne não podem agradar a Deus”. A carne é o meu antigo eu, que costumava se rebelar contra Deus. Na carne, eu era hostil e insubordinado. Eu detestava a ideia de admitir que estava doente de pecado. Eu desafiava a ideia de que minha maior necessidade era um bom médico para me curar. Na carne, eu confiava na minha sabedoria, não na de Deus. Portanto, nada do que eu fazia na carne podia agradar a Deus, porque “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). A carne nada faz por fé.
Então, “a carne” é o meu antigo eu autossuficiente e infiel. Foi isso que morreu quando Deus me salvou. Deus fechou as artérias do meu velho coração de pedra incrédulo. E quando meu coração morreu, ele o removeu e me deu um novo coração (Ez 36.26).
Qual a diferença entre este novo coração que vive e o velho coração que morreu? A resposta está em Gálatas 2.20: “Fui crucificado com Cristo… E a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. O velho coração que morreu confiava em si mesmo; o novo coração se apoia em Cristo todos os dias.
Combata o pecado confiando em Jesus.
Como aqueles que morreram para o pecado lutam contra ele? Eles lutam contra o pecado confiando no Filho de Deus. Estão mortos para as mentiras de Satanás. Mentiras como esta: Você será mais feliz se confiar nas suas próprias ideias sobre como ser feliz em vez de confiar nos conselhos e nas promessas de Cristo. Os cristãos morreram para esse engano. A maneira como eles lutam contra Satanás é confiando que os caminhos e as promessas de Cristo são melhores do que os de Satanás.
Essa forma de combater o pecado é chamada de “combate da fé” (1Tm 6.12; 2Tm 4.7). As vitórias nesse combate são chamadas de “obras da fé” (1Ts 1.3; 2Ts 1.11). Nessa guerra, os cristãos “se tornam santos pela fé” (At 26.18).
“O poder de toda tentação reside na perspectiva de que ela te fará mais feliz. Mas o pecado jamais te fará mais feliz.”
Vamos refletir, então, sobre essa luta da fé. Não se trata de uma guerra com balas de borracha. A eternidade está em jogo. Romanos 8.13 é um versículo fundamental: “Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”. Este versículo foi escrito para cristãos professos, e o ponto principal é que nossa vida eterna depende da nossa batalha contra o pecado. Isso não significa que conquistamos a vida eterna matando o pecado. Não, é “pelo Espírito” que lutamos. A glória será dada a ele, não a nós.
Romanos 8.13 também não significa que devemos lutar com uma sensação ansiosa de incerteza quanto à vitória. Pelo contrário, mesmo enquanto lutamos, temos a confiança de que “aquele que começou a boa obra em nós a completará até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). Romanos 8.13 também não significa que precisamos ser perfeitos agora em nossa vitória sobre o pecado. Paulo renuncia a qualquer pretensão de perfeição: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.” (Fp 3.12).
O combate que Deus requer
A exigência em Romanos 8.13 não é a ausência de pecado, mas sim um combate mortal contra o pecado. Isso é absolutamente essencial na vida cristã. Caso contrário, não damos nenhuma evidência de que a carne foi crucificada. E se a carne não foi crucificada, não pertencemos a Cristo (Gl 5.24). O que está em jogo nessa batalha é muito sério. Não estamos brincando de guerra. O resultado é o céu ou o inferno.
Como, então, os mortos “mortificam as obras (pecaminosas) do corpo”? Nós respondemos: “Pela fé!” Mas o que isso significa exatamente? Como combater o pecado com fé?
Suponha que eu seja tentado pela luxúria. Alguma imagem sexual surge em minha mente e me incita a satisfazê-la. Essa tentação ganha força ao me persuadir a acreditar que serei mais feliz se a ceder. O poder de toda tentação reside na perspectiva de que ela me fará mais feliz. Ninguém peca por senso de dever quando o que realmente deseja é fazer o bem.
“A fé não é apenas acreditar que Cristo morreu pelos nossos pecados, mas também que ele é infinitamente melhor que o pecado.”
Então, o que devo fazer? Algumas pessoas diriam: “Lembre-se do mandamento de Deus para sermos santos (1Pe 1.16) e exerça sua vontade para obedecer, porque ele é Deus!” Mas algo crucial está faltando nesse conselho: a fé. Muitas pessoas se esforçam para alcançar o aprimoramento moral, mas não conseguem dizer: “A vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé” (Gl 2.20). Muitas pessoas tentam amar, mas não percebem que o que importa é “a fé que atua pelo amor” (G 5.6). A luta contra a luxúria (ou a ganância, o medo ou qualquer outra tentação) é uma luta de fé. Caso contrário, o resultado é o legalismo.
Combatendo o pecado pelo Espírito
Quando a tentação da luxúria surge, Romanos 8.13 diz: “Se vocês a matarem pelo Espírito, viverão”. Pelo Espírito! O que isso significa? De toda a armadura que Deus nos dá para lutar contra Satanás, apenas uma peça é usada para matar: a espada. Ela é chamada de espada do Espírito (Ef 6.17). Portanto, quando Paulo diz: “Matem o pecado pelo Espírito“, entendo que significa: “Dependam do Espírito, especialmente da sua espada”.
Qual é a espada do Espírito? É a palavra de Deus (Ef 6.17). É aqui que a fé entra em cena. “A fé vem por ouvir, e ouvir pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). A palavra de Deus dissipa a névoa das mentiras de Satanás e me mostra onde a verdadeira e duradoura felicidade pode ser encontrada. Assim, a palavra me ajuda a parar de confiar no potencial do pecado para me fazer feliz e, em vez disso, me incentiva a confiar na promessa de alegria de Deus (Sl 16.11).
Quantos crentes hoje em dia percebem que fé não é apenas acreditar que Cristo morreu pelos nossos pecados? Fé é também ter certeza de que o seu caminho é melhor do que o pecado. A sua vontade é mais sábia. A sua ajuda é mais segura. As suas promessas são mais preciosas. E a sua recompensa é mais satisfatória. A fé começa com um olhar para trás, para a cruz, mas se mantém com um olhar para frente, para as promessas de Deus. Abraão “se fortaleceu na fé, estando plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que havia prometido” (Rm 4.20, 21). “A fé é a certeza daquilo que esperamos” (Hb 11.1).
Quando a fé reina no meu coração, encontro satisfação em Cristo e em suas promessas. Foi isso que Jesus quis dizer quando afirmou: “Quem crê em mim jamais terá sede” (Jo 6.35). Se a minha sede de alegria, significado e paixão é saciada pela presença e pelas promessas de Cristo, o poder do pecado é quebrado. Não cedemos à tentação de um sanduíche quando vemos um bife delicioso grelhando na churrasqueira.
“Se minha sede de alegria, significado e paixão for saciada por Jesus, o poder do pecado será quebrado.”
A satisfação vence o pecado.
A luta da fé é a luta para permanecer satisfeito com Deus. “Pela fé, Moisés… [abandonou] os prazeres passageiros do pecado… [aguardou] a recompensa” (Hb 11.24-26). A fé não se contenta com “prazeres passageiros”. Ela anseia por alegria. E a palavra de Deus diz: “Na tua presença há plenitude de alegria; à tua direita, delícias perpetuamente” (Sl 16.11). Portanto, a fé não se desviará para o pecado. Ela não desistirá tão facilmente em sua busca pela alegria plena.
O papel da palavra de Deus é alimentar o apetite da fé por Deus. E, ao fazer isso, ela afasta meu coração do sabor enganoso da luxúria. No início, a luxúria começa a me enganar, fazendo-me sentir que eu perderia uma grande satisfação se seguisse o caminho da pureza. Mas então eu empunho a espada do Espírito e começo a lutar.
Li que é melhor arrancar o próprio olho do que cobiçar (Mateus 5.29). Li que, se eu pensar em coisas puras, amáveis e excelentes, a paz de Deus estará comigo (Filipenses 4.7-8). Li que fixar a mente na carne traz morte, mas fixar a mente no Espírito traz vida e paz (Rm 8.6). E, enquanto oro para que minha fé seja satisfeita com a vida e a paz de Deus, a espada do Espírito remove a camada de açúcar do veneno da luxúria. Vejo-a como ela realmente é. E, pela graça de Deus, seu poder sedutor é quebrado.
Fé voltada para o futuro
É assim que os mortos lutam contra o pecado. É isso que significa ser cristão. Estamos mortos no sentido de que o velho eu incrédulo (a carne) morreu. Em seu lugar, surge uma nova criação. O que a torna nova é a fé. Não apenas uma crença retrospectiva na morte de Jesus, mas uma crença prospectiva nas promessas de Jesus. Não apenas ter certeza do que ele fez, mas também estar satisfeito com o que ele fará.
Com toda a eternidade em jogo, travamos a luta da fé. Nosso principal inimigo é a mentira que diz que o pecado tornará nosso futuro mais feliz. Nossa principal arma é a verdade que diz que Deus tornará nosso futuro mais feliz. E a fé é a vitória que vence a mentira, porque a fé se satisfaz em Deus.
“O desafio não é simplesmente fazer o que Deus diz porque ele é Deus, mas desejar o que Deus diz porque ele é bom.”
O desafio que temos diante de nós, portanto, não é meramente fazer o que Deus diz porque ele é Deus, mas desejar o que Deus diz porque ele é bom. O desafio não é meramente buscar a justiça, mas preferir a justiça. O desafio é levantar-se pela manhã e meditar em oração nas Escrituras até que experimentemos alegria e paz ao crer nas “preciosas e grandiosas promessas” de Deus (Rm 15.13; 2Pe 1.4). Com essa alegria diante de nós, os mandamentos de Deus não serão um fardo (1Jo 5.3), e a expiação do pecado parecerá breve e superficial demais para nos atrair.
Tradução: tradução automática
Revisão e edição: Renata Gandolfo
Original: https://www.desiringgod.org/articles/sin-will-never-make-you-happy
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