sexta-feira, 24 de julho
Como confiar em Deus em meio a situações difíceis? 

Como confiar em Deus em meio a situações difíceis? 

Transcrição de áudio

“Tudo acontece por uma razão”. Você já ouviu essa frase. Talvez até a tenha dito para outras pessoas. Talvez a tenha repetido para si mesmo. É um clichê — um clichê bem-intencionado, mas ainda assim um clichê. As pessoas que a dizem geralmente estão genuinamente preocupadas. Mas o problema é que não vivemos de slogans como esse; vivemos de promessas divinas. Podemos basear tal afirmação na Palavra imutável de Deus?

Chegaremos lá lendo Romanos 8 juntos. É um capítulo incrível, Pastor John — tão incrível que, em seu livro Providência , o senhor chama Romanos 8.28-39 de “a maior seção do maior capítulo da maior carta do maior livro do mundo” (p. 613). Não há como expressar melhor! E a ele retornamos hoje por meio da pergunta de Lucas: “Pastor John, como a promessa de Paulo em Romanos 8.28 de que ‘todas as coisas cooperam para o bem’ reformula nossa compreensão do sofrimento, convidando-nos a confiar na providência de Deus mesmo em meio à dor e às dificuldades? Ao enfrentar circunstâncias difíceis, como abraçar a soberania abrangente de Deus promove paciência e esperança em vez de desespero? Estou apenas começando a fazer essas conexões e gostaria muito de ouvir suas reflexões.”

A realidade expressa em Romanos 8.28 é inestimável. Para os cristãos, essa realidade é a rocha onde nossos pés encontram alguma estabilidade, sanidade e esperança quando ondas de decepção, frustração, tristeza, perda, traição, abuso, deficiência e doença se abatem sobre nossas almas, às vezes com sofrimento implacável e para toda a vida. Essa é uma rocha preciosa de estabilidade, sanidade e esperança, a menos que o cristão tenha sido mal ensinado. E, infelizmente, milhões foram mal ensinados sobre a soberania de Deus em seu sofrimento.

Portanto, eu encorajaria todo cristão a se aprofundar em Romanos 8 para que seja bem instruído por Deus a respeito do significado de Romanos 8.28 e possa ter uma base sólida quando chegar o momento de sofrimento inexplicável. É por isso que este versículo está na Bíblia: para preservar nossa fé nos propósitos amorosos de Deus em nossa vida quando tudo ao nosso redor desmorona.

Vamos ter este versículo glorioso diante de nós e certificar-nos de vê-lo em seu contexto, para que não o interpretemos de acordo com nossas próprias tendências. Queremos divulgar a palavra de Deus, não impor nossas preferências humanas.

Incerteza na oração

Vamos começar com Romanos 8.26-28: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos…” — agora, faça uma pausa aqui, porque isso contrasta com o versículo 28, que diz: “Sabemos que”. Então, eis o que não sabemos: “porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.”.

Ele acabou de falar em Romanos 8.23-25 ​​sobre os gemidos do nosso corpo enquanto aguardamos a redenção — dor, sofrimento, calamidade, desastre — todo tipo de coisa por causa deste mundo caído. E assim, a incerteza sobre o que devemos pedir em oração se relaciona mais diretamente à nossa condição física neste mundo. O que devo pedir neste mundo imperfeito, onde o mal físico acabará por me tirar a vida? Devo sempre orar para ser poupado? Pelo que devo orar? Quero dizer, Paulo realmente lutou com isso, como se fosse um espinho na carne, pedindo três vezes: “Afaste isso de mim. Afaste isso de mim. Afaste isso de mim.” (2 Coríntios 12.7-9). E Deus não tira. E ele deve ter ficado perplexo, pensando: “Pelo que mais eu não deveria orar, ou a que mais receberei uma resposta negativa?” E ele diz: “Muitas vezes, simplesmente não sabemos pelo que orar”.

A promessa  aplicada

E então vem o glorioso Romanos 8.28 , que trata daquilo que sabemos. Em contraste com o desconhecimento sobre o que devemos orar, ele diz: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Ora, esta é uma promessa feita aos cristãos, não a todos. Da perspectiva de Deus, essas pessoas a quem a promessa se aplica são chamadas por Ele para serem cristãs. Isso significa que Ele as chamou da morte para a vida. Ele as salvou, fez com que nascessem de novo e fez isso de acordo com o Seu propósito eterno em Cristo, para glorificar a Sua graça na salvação delas. E então, da perspectiva humana — elas são chamadas — Ele diz: “Elas amam a Deus”. Portanto, Ele nos chama, e nós O amamos. Há a obra objetiva de Deus. Há a resposta subjetiva do homem, que define o cristão, à qual o versículo 28 se aplica.

Somos cristãos porque Deus tomou a iniciativa de nos chamar, e somos cristãos porque esse chamado criou em nós um amor sincero por Deus. É a essas pessoas que este versículo se aplica. E entre essas duas descrições dos cristãos como “amantes de Deus” e “chamados por Deus”, vemos esta promessa surpreendente: “Todas as coisas cooperam para o bem”. Quatro simples palavras gregas: panta synergei eis agathon. Não creio que haja qualquer razão para limitar a palavra panta, ou “todas as coisas”, e ela inclui especialmente o sofrimento, porque o foco principal desta seção (do versículo 18 ao 28) tem sido lidar com a corrupção, a futilidade, a fragilidade e a miséria do mundo criado após a queda. Esse tem sido o contexto. Portanto, é uma declaração forte e abrangente. É por isso que é tão gloriosa. É por isso que é o versículo favorito de tantas pessoas.

Feito à semelhança de Cristo

Todas as coisas agradáveis ​​e todas as coisas dolorosas da vida — a vida de um filho de Deus — estão sendo tecidas por Deus em um tecido que Ele chama de bom. Essa é a imagem que Corrie ten Boom usou. Foi por isso que pensei nisso. Quando ela estava sofrendo — quero dizer, ela passou um tempo em um campo de concentração alemão — e ao olhar para trás, para sua vida, ela disse que era como se Deus estivesse tecendo uma tapeçaria que ela só podia ver por baixo, com todos os fios soltos e emaranhados, mas Deus podia vê-la por cima, com seu significado brilhante, belo e proposital. E é isso que todos nós veremos um dia. Deus nos dá pequenos vislumbres disso agora, mas não tudo.

Paulo nos diz mais especificamente o que é o bem aqui nesta passagem. Neste capítulo, logo no versículo seguinte, ele explica: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8.29). Essa é a base para o bem no versículo 28: “serem conformes à imagem de seu Filho”. Esse é o bem supremo que Deus está operando em todos os crentes: “serem conformes [finalmente] à imagem de seu Filho”.

É simplesmente impressionante pensar que nós — todos os cristãos — um dia seremos como a segunda pessoa da Trindade, o Criador do universo. É preciso absorver essa ideia. Não dá para simplesmente ignorá-la. É algo de deixar qualquer um perplexo. Seremos como o Criador do universo, e isso é verdade tanto física quanto moralmente. Filipenses 3.21 diz: “o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” E Colossenses 3.10: “e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;”

Feito para o bem

Mesmo que tenhamos que sofrer todos os dias de nossas vidas neste planeta e não vejamos nenhum de nossos sonhos terrenos realizados, esta vida não passa de um sopro de vapor comparado à eternidade. Por isso, Paulo diz: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” — de fato, “um peso de glória” — “acima de toda comparação” (2 Coríntios 4.17). Isso é o bem. Em outras palavras, tudo está cooperando para o nosso bem glorioso — sim, até mesmo o mal que nos foi feito, como diz em Gênesis 50.20 (ACF): “Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem”. ‘Intentou’, não ‘usou’: “Intentou para o bem”. Sim, Deus é soberano assim. Tiago diz: “Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo” (Tiago 4.15). “Isto ou aquilo” é abrangente. Pretende ser detalhado e exaustivo. “Se o Senhor quiser”. E se não quiser, não faremos isto ou aquilo.

Paulo diz: “[Deus] faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade,” (Efésios 1.11), e esse “todas as coisas” é o mesmo “todas as coisas” de Romanos 8.28 . Isso é uma boa notícia para os crentes que sofrem, porque significa que nosso sofrimento não é aleatório. Não está, em última análise, sob o controle de um espírito maligno. Não está nas mãos de um Deus incompetente e desajeitado. Está nas mãos de um Pai onisciente, onibenevolente e onipotente. Foi assim que Jesus argumentou. Não estou juntando as peças de forma lógica e elaborando isso. Estou apenas seguindo Jesus.

Escutem o que Jesus diz. É assim que Jesus nos consola. Ele diz em Mateus 10.28-30 que não devemos temer os que matam o corpo. Por quê? “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai.” Essa é a providência meticulosa. Essa é a soberania abrangente de Deus: nenhuma ave no universo, em todo o planeta, cai no chão sem o consentimento do Pai. “E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados.”

Então, o que Jesus pensa disso? Podemos discutir todo tipo de argumento sobre a soberania de Deus, mas não é por aí que ele se concentra. Ele diz o seguinte: “Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais” (Mateus 10.31). Isso é precioso demais para ser descrito. O controle total de Deus sobre nossas vidas anda de mãos dadas com o cuidado mais doce e íntimo por seus filhos amados.


Autor: John Piper

John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.

Parceiro: Desiring God

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Ministério de ensino de John Piper que, há mais de 30 anos, supre ao corpo de Cristo com livros, sermões, artigos.

Ministério: Ministério Fiel

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Ministério Fiel: Apoiando a Igreja de Deus.