quarta-feira, 17 de junho

As provações e dificuldades do ministério cristão

O alimento do orgulho: reconhecimento, popularidade e sucesso

Resumo: Charles Bridges mostra que o ministério cristão envolve lutas constantes, tanto externas quanto internas. Entre dificuldades na igreja, oposição do mundo, ataques de Satanás e fraquezas pessoais, o pastor é chamado a perseverar pela graça de Deus, sustentado pela fé e pelo amor à obra de Cristo.


A ilustração de nosso Senhor acerca da necessidade de um cálculo prévio do custo em empreendimentos importantes aplica-se, forçosamente, ao ministério cristão.[1] Muitas vezes, a negligência de cálculos sérios e realizados com a devida medida de oração fez com que a tentação de se afastar de uma obra tão importante ganhasse um poder terrível. Na verdade, qualquer contemplação ou reflexão anterior não poderá fornecer mais do que apenas meras apreensões de suas dificuldades, tal como um espectador do campo de batalha não pode compreender a intensa ansiedade do conflito real. Quaisquer que sejam as noções gerais sobre o caráter sério e profundo de tal tarefa que possam ser alcançadas, muito ainda ficará de fora que somente a experiência poderá fornecer — e esse tanto reforçará a exortação dada por um veterano a um jovem soldado: “Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros. Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus.”[2] De fato, para a mente responsável e atenciosa, as dificuldades desse trabalho devem excluir qualquer expectativa de comodidade e conforto temporais. Muitos outros caminhos da vida oferecem uma grande promessa de comodidade. Contudo, a essa obra a cruz diária está ligada de modo ainda mais especial.[3] E nisso se devem prever provações severas e às vezes opressoras, advindas da igreja professante, do mundo, do poder de Satanás e de nós mesmos.

Nossa relação com a igreja professante não está associada a dificuldades comuns. Quão instrutivas são as profundas opiniões do apostólico Eliot[4] sobre essa obra! “Ele considerava a tarefa de conduzir uma igreja”, como nos informa Cotton Mather, seu biógrafo:

como algo acompanhado de tantas dificuldades, tentações e humilhações, que nada além de um chamado do Filho de Deus o poderia ter encorajado a assumi-la. Ele viu que não seria nada agradável para carne e sangue o ser obrigado à supervisão, por uma aliança solene, de um número de pessoas que seria elencado entre os voluntários do Senhor Jesus Cristo;[5] que não seria algo fácil alimentar as almas de tal povo, bem como a de seus filhos e vizinhos, os quais deviam ser trazidos para o mesmo redil com eles; que seria árduo suportar suas maneiras com toda paciência e não ser desencorajado de ensiná-los, vigiá-los e orar por eles, por quaisquer de suas enfermidades; de mantê-los em alta consideração, como o rebanho que Deus comprou com seu próprio sangue, apesar de todos os seus defeitos; e em tudo examinar a regra da Sagrada Escritura, a fim de assegurar a correta ordem das práticas na vida da igreja e tudo o que deve ser feito; e ter sempre em mente o dia do juízo, no qual haverá prestação de contas de tudo o que foi feito. Assim, era sua opinião (conforme o expressa o grande John Owen) que, independentemente de todo o esplendor e aparência dados a qualquer igreja pela magistratura pública, enquanto ainda estivermos neste mundo, aqueles que cumprirem fielmente seus deveres como ministros do evangelho precisarão estar preparados para sofrimentos; e foi ciente destas coisas que ele se entregou ao sagrado ministério.[6]

Quase não precisamos observar quanta destreza de aplicação, diligência de trabalho, “discernimento de espíritos”[7], quão grande parte de “mansidão e gentileza de Cristo”, de sua compaixão ansiosa e perseverante devoção pessoal, se faz necessária aqui! A menos que reconheçamos o alto valor da igreja, a influência constrangedora do amor do Salvador e a sustentação da graça Todo-Poderosa, o que há para nos impedir de afundar no desânimo?

Mas talvez aqui nosso principal fardo esteja na lembrança de que, como nosso divino mestre, estamos destinados “tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel”.[8] Pois se, por um lado, exultamos com grande alegria alguns se converterem por nosso ministério, quão doloroso é quando outros são endurecidos por ele —especialmente no temor de que, quanto mais viva sua energia para a conversão, maior sua influência para a condenação judicial. E, embora sejamos, mesmo naqueles “que se perdem”, “o bom perfume de Cristo” para com Deus, no entanto, sob a pressão cada vez mais intensa, podemos apenas simpatizar com o clamor do grande apóstolo: “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?”[9] Verdadeiramente, nosso ofício não é uma instituição negativa. E quem, a não ser alguém profundamente familiarizado com as realidades importantes da eternidade, pode ser devidamente equipado para isso?

Das dificuldades com o mundo, a infidelidade ao nosso mestre fornece o único “escape”. O assunto de nossa comissão entra em contato imediato com preconceitos latentes e arraigados. Os mais fortes sentimentos de uma natureza orgulhosa são constantemente colocados em jogo contra nosso destino indesejado: o nos tornarmos “o inimigo”, em vez de amigos de nossos companheiros pecadores, “por vos dizer a verdade”.[10] O sacrifício — que, em nome de nosso mestre, nos é exigido realizar — de objetos queridos provenientes de afeições desordenadas; a exibição de prazeres celestiais, muito mais nobres em seu caráter e mais permanentes em seu desfrute, embora muito desagradáveis para a mente natural; uma certa resistência e perseverança diante da reprovação no serviço do evangelho; todas essas partes componentes de nossa comissão, mesmo da voz do encantador mais sedutor, excitam a inimizade da mente carnal para com nossa mensagem e para com o mensageiro, por causa de sua obra.[11] Não nos comprova nossa própria experiência pessoal a poderosa influência dessa indisposição inata ao evangelho, e da sabedoria, paciência e fidelidade particulares necessárias para vencê-la?

Porém, às vezes, as dificuldades do mundo são de caráter diferente. Elas chegam a nós “como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem”.[12] A inimizade do mundo, conquanto não radicalmente subjugada, pode ser contida e até mesmo revestida de muita cortesia externa. Enfrentar essa dificuldade agravada com gentileza, e ainda detectar e descobrir o mal, requer uma rara combinação de firmeza, sabedoria e consideração. Arriscar a consequência quase certa de uma mudança de sentimento em relação a nós exige o exercício de muita oração e fé. A bondade do mundo é muito mais formidável do que sua inimizade. Muitos que estavam preparados para conter a mais intensa torrente de sua oposição cederam, com condescendência comprometedora, à sua bondade paralisante.

As dificuldades também devem ser esperadas da atividade constante e sutil do tentador. Além daquela influência nociva pela qual (como mostraremos mais tarde[13]) ele obstrui a eficácia geral do trabalho, seu poder sobre o tom da mente do ministro é muito angustiante. Amiúde ele realmente consegue desequilibrar o espírito do ministro e paralisar seus esforços, desviando sua mente do desígnio principal ou trazendo a nuvem negra da incredulidade sobre sua alma, de modo que a ministração da igreja, como Calvino observa, “é não um exercício fácil e indulgente, mas uma batalha dura e severa, onde Satanás exerce todo o seu poder contra nós e move todas as pedras para nossa perturbação”.[14]

Mas, afinal, as maiores dificuldades derivam sua origem e poder de nós mesmos. O caráter espiritual de nosso emprego não nos isenta mais do conflito com nossas corrupções do que o fariam as ocupações seculares. Não é fácil superar nosso amor natural pelo conforto, nossa indisposição para devoção abnegada e nossa falsa ternura em recuar diante da declaração de verdades desagradáveis. Se fôssemos anjos por natureza, bem como por ofício, a dificuldade seria de pouca importância. Contudo, enquanto carregamos conosco as marcas de nossa apostasia, não podemos avançar sem esforço constante — e, por vezes, muito doloroso.[15] Muitas circunstâncias, advindas dessa tendência, aumentam materialmente a dificuldade. Devemos trabalhar mesmo quando nossos corações estão em estado frio e lânguido. Daí o perigo de que a poderosa energia da palavra seja enfraquecida em sua aplicação a nós mesmos — ou, ainda pior, de acabarmos perdendo gradualmente nosso gosto por nosso trabalho, esquivando-nos de seus exercícios de abnegação e afundando-nos em desalento implacável. Uma atitude de oposição à nossa mensagem também pode despertar um espírito egoísta e orgulhoso. A popularidade é ainda mais perigosa: os poucos que escaparam ilesos de sua influência foram exercitados em conflitos dolorosos, que mostraram que sua libertação dessa prova de fogo foi quase milagrosa. Os sintomas de sucesso, a menos que temperados com humilhação pessoal e vigilância habitual, podem estimular a autoconfiança. A falta dessas realizações, por outro lado, é frequentemente acompanhada de impaciência ou desânimo, de modo que, atacados nos pontos extremos e de direções opostas, precisamos das “armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas”.[16]

Talvez, para muitos de nós, o cumprimento consciencioso do dever oficial forneça a única antecipação das dificuldades ministeriais. Essa falta de conhecimento das dificuldades reais em todas as partes da função, por não percebermos toda nossa fraqueza, é uma das principais causas de sua infrutuosidade. Nenhum de nós experimentará que a “vontade do Senhor prosperará nas suas mãos” (Is 53.10), a menos que todo esforço esteja baseado na convicção prática de que nenhuma força, senão o braço da onipotência, é suficiente para o trabalho. Muitos de nós, talvez, tivéssemos experimentado, em antecipação, alguns dos deleites e incentivos da obra; e, em tudo isso, a primavera e frescor da juventude haviam calculado uma devoção constante e ininterrupta que se elevava acima de todos os obstáculos opostos. Porém, mal havíamos ultrapassado o limiar, o sonho de confiança passou. A influência arrepiante do mundo e o efeito desanimador das dores do fracasso logo nos tornaram familiarizados com o desapontamento e dissiparam nossa expectativa otimista de uma colheita proporcional aos nossos esforços. Nossa constância e amor muitas vezes foram submetidos a uma prova severa e perscrutadora; e, ainda que nunca possamos esquecer a dignidade de caráter e os princípios de encorajamento ligados ao ministério, somos levados a sentir que, “se alguém aspira ao episcopado”, deseja um trabalho árduo e abnegado, bem como uma “excelente obra”.[17] Devemos trabalhar, como Neemias e seus homens, com a espátula em uma das mãos e a espada na outra.[18] O progresso do trabalho seria interrompido pelo abandono da espátula. O inimigo obteria uma vantagem temporária se a espada fosse embainhada. Nada resta, portanto, senão manter a postura de resistência, na dependência de nosso sábio arquiteto, o capitão de nossa salvação – aguardando nosso descanso, nossa coroa, nosso lar.

Não temos, entretanto, nenhum motivo para reclamar de uma dispensação tão obviamente repleta de bênçãos importantes para nós mesmos e tão subservientes aos fins abençoados do ministério. A disciplina da cruz é muito necessária para reprimir a confiança arrogante da presunção, para estabelecer uma confiança habitual nas promessas divinas, para provar o poder da fé, os privilégios da oração e o apoio celestial da palavra de Deus, e para recebermos “a língua dos eruditos”, que, por nossa própria experiência das dificuldades e apoios de nossa guerra cristã, devemos saber como, segundo o exemplo do mestre, “dizer boa palavra ao cansado em tempo oportuno”.[19]

Ainda assim, em nosso contato com a dificuldade ministerial, as visões vivificantes da fé são mais importantes. O desamparo consciente afunda sob o peso deprimente da responsabilidade. A fé liga nossa fraqueza em conexão imediata com as promessas da ajuda do Todo-Poderoso[20] e nos permite dizer à montanha da dificuldade: “Quem pensas que és, ó monte majestoso? Diante de Zorobabel te tornarás uma campina” [A21].[21] Assim, os desânimos, devidamente sustentados e usados com cuidado, tornam-se nossas fontes mais frutíferas de encorajamento final, ao passo que o amor pelo nosso trabalho nos sustenta, acima de todas as nossas dificuldades.[22]


O texto acima é um trecho adaptado e retirado com permissão do livro Fracasso pastoral, de Charles Bridgs, publicado pela Editora Fiel.


[1] Lucas 14.28-30. Erasmo lamenta justamente os maus resultados provenientes dessa desconsideração. “De fato, admitem-se à sagrada pregação — e, às vezes, ainda a tomam de assalto — os jovens, os levianos, os indoutos, como se nada fosse mais fácil do que expor ao povo a divina Escritura, e como se bastasse ser demasiado descarado e, lavado de pudor, desenrolar a língua. Este mal provém desta fonte, que é não ponderar quão grande seja a dignidade, a dificuldade e a utilidade do pregador eclesiástico” (Eccles. Lib. I, p 1. Ed. 1535). [N.T.: Citação de Ecclesiastes: sive de ratione concionandi (Eclesiastes: ou da arte da pregação), de Desidério Erasmo, também conhecido como Erasmo de Roterdam. A obra foi a última da vida do famoso teólogo e filósofo humanista católico.] Assim também um excelente escritor antigo reflete sobre aqueles que não calculam os custos de seus empreendimentos de forma prudente. “Eles, sem dúvida, não buscariam tão agitados um fardo para o qual não estão preparados, se cogitassem de que tipo é o rebanho de Cristo; se ponderassem quão bela e agradável a Deus é a comunhão das ovelhas de Cristo, em cujo meio está o próprio Senhor, que o sol e a lua servem, e ao qual se apresentam milhares de milhares e miríades dos seus ministros; se entendessem com quantas pedras é preciso construir o povo cristão, isto é, erigir o reino de Cristo e demolir os palácios de Satanás.” —Nicolaus Hemmingius, Pastor, Lípsia, p. 124. Compare com Oliver Bowles, De pastore evangelico tractatus, in quo universum munus pastorale, tam quoad pastoris vocationem et praeparationem, quam ipsius muneris exercitium, accurate proponitur (Genebra: Joannis Hermanni Widerhold, 1667; Londres: Sa. Gellibrand, 1659), livro I, c. xiii.

[2] 2 Timóteo 2.1-3.

[3] “Aos que pregam o evangelho de Cristo com sinceridade, jamais se ausenta a cruz.” — Erasmo. O apóstolo relaciona a persistência em meio às aflições com o trabalho de evangelista. Conferir 2 Timóteo 4.5. Conferir também Davenant sobre Colossenses 1.24-29.

[4] N.T.: John Eliot (1604-1690) foi missionário puritano inglês que pregou o evangelho aos índios na América. Ficou conhecido como o “apóstolo dos índios”.

[5] Aludindo à forma congregacional de governo e união da igreja que era mais prevalente na América na época de Eliot.

[6] Cotton Mather, Magnalia Christi Americana: Or the Ecclesiastical History of New-England (Londres: 1702), livro iii. p. 183, 184.

[7] “Ora, se considerarmos, no mesmo grupo de pessoas, quão grande é sua variedade no que diz respeito aos sexos, idades, condição, inteligência, opiniões, meio de vida, instrução, costumes, de tamanha prudência convém ser dotado o pregador, cujo discurso deve se adaptar!” — Erasmo, Ecclesiastes: sive de ratione concionandi, Lib. i. p. 16.

[8] Lucas 2.34. “Desde que fui ordenado ao sagrado ministério”, diz o Sr. Brown de Haddington, “não sei quantas vezes tem sido pesado para o meu coração pensar o quanto esta escritura (Is 6.9,10) foi cumprida em meu ministério. Frequentemente, tenho o desejo ansioso de ser impedido pela morte de me tornar uma praga para minha pobre congregação. Muitas vezes, no entanto, tenho encorajado a mim mesmo e tenho considerado esse desejo como minha loucura, implorando ao Senhor que, caso não seja para sua glória que eu seja removido pela morte, que ele me faça bem-sucedido em meu trabalho”. Life and Remains, p.18. [N.T.: Edição moderna da obra citada, John Brown, Life and Remains of Rev. John Brown, Late Minister of the Gospel at Haddington (Londres: Forgotten Books, 2018)].

[9] 2 Coríntios 2.15-16. Lutero mergulhou profundamente nos sentimentos do Apóstolo: “Embora já velho e experiente na pregação, ainda temo sempre que subo ao púlpito.”

[10] Gálatas 4.16.

[11] Romanos 8.7. João 3.19-20. 1 Reis 22.8. “Pregar nada mais é do que atrair para si o furor do mundo.” —Lutero

[12] Ezequiel 33.32.

[13] Parte 2. Capítulo 4.

[14] Calvino sobre 2 Coríntios 11.28.

[15] “Quando um ministro, profundamente convencido da importante dificuldade de seu trabalho, olha em seu próprio coração para explorar os recursos que lhe são fornecidos para um serviço tão difícil, ele, para sua tristeza, encontra pouco que não sirva para aumentar seu senso de fraqueza e confirmar seus medos. Pois deve ser lembrado que ele é um homem com paixões semelhantes às de seu rebanho, carregando um corpo de corrupção que talvez seja deficiente em habilidade, talvez desafortunado na constituição natural de sua mente; que, em todos os eventos, ele tem de lutar com enfermidades, está exposto a constantes tentações e tem mais a realizar do que outros, bem como maiores dificuldades a superar; e que, embora mais se espere dele, em si mesmo ele talvez não possua mais recursos que sua congregação”. —John Venn, Sermons (Boston: 1822), vol. 1, p. 9.

[16] 2 Coríntios 6.7. Os seguintes trechos dos diários de dois excelentes ministros darão um delineamento gráfico de exercícios dolorosos que são bastante familiares a muitos de nós. “Quase constantemente, encontro as seguintes tentações, uma ou outra, assediando-me no desempenho do meu cargo como ministro. Primeiro, se penso que não tenho sucesso, corro o risco de, por meio de um desespero incrédulo, ficar desanimado, de me tornar negligente e frio e mais indiferente com respeito ao sucesso de meu ministério. Embora isso devesse ter efeito totalmente contrário, é esse o uso que o diabo e minhas próprias corrupções tentam fazer desses pensamentos. Segundo, se eu sou bem-sucedido, ou penso que tenho sucesso, isso também tende a me tirar da guarda e a me tornar menos cuidadoso em vigiar contra o pecado e em mortificar universalmente todo o seu corpo. O orgulho espiritual, suponho, surge por meio do meu sucesso e aplausos, o que frequentemente leva a uma comparação favorável entre mim e os outros, como se eu fosse melhor do que eles. E, em proporção à minha falta de pensamentos constantes sobre minha própria vileza diante de Deus e à boa opinião que tenho de mim mesmo, está sempre minha negligência e falta de vigilância e esforço para seguir em frente. Vejo agora a sabedoria da advertência que o apóstolo dá a Timóteo, de não admitir, no ofício do ministério, ‘um neófito’ (1Tm 3.6), ou seja, alguém que tem pouca experiência do funcionamento e engano do pecado e fez pouco progresso nos caminhos de Deus, ‘para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo’. O próprio apóstolo não estava isento de perigo nesse território. 2 Coríntios 12. Considerando a grandeza do perigo a que estou sujeito, como devo desenvolver a minha ‘salvação com temor e tremor’ (Fp 2.12)? Ninguém, exceto o Senhor, pode me sustentar.” — David E. Jenkins, 7e Life of the Rev. 7omas Charles, B.A. of Bala: Promotor of Charity C Sunday Schools, Founder of the British and Foreign Bible Society, Etc; (Londres: Forgotten Books, 2019), p. 133, 134. “Eu vi no dia do descanso quatro males que me assaltam em meu ministério. Primeiro, ou o diabo me atropela pelo desânimo e vergonha derivados da sensação da mesquinhez do que produzi em meditações privadas. Ou, em segundo lugar, a negligência me possui, resultante do fato de que fiz o bem, e fui engrandecido e respeitado anteriormente; portanto, não é tão importante se eu não for sempre igual. Em terceiro lugar, enfermidades e fraquezas, como falta de clareza, falta de vida, falta de um espírito de poder para entregar aquilo que foi antes ministrado a mim por Cristo; e, portanto, vejo muitas almas que não foram encorajadas, nem Deus foi sentido em meu ministério. Em quarto lugar, falta de sucesso quando eu fiz o meu melhor”. Do diário do Sr. Shepard, da Nova Inglaterra, autor de vários tratados valiosos sobre a teologia experiencial. Cotton Mather, Magnalia Christi Americana: Or the Ecclesiastical History of New-England (Londres: 1702), livro 3, p. 91.

[17] 1 Timóteo 3.1. “Trabalho, e não honraria; labor, e não deleites.” —Jerônimo. “O ministério sagrado não é um estado de ociosidade ou de deleite, mas uma guerra santa, na qual sempre há labutas e fadigas a serem suportadas. Quem não está decidido a manter corajosamente os interesses de Jesus Cristo e trabalhar continuamente para ampliar seu reino, não está apto para esta guerra.” —Quesnel sobre 1 Timóteo 1.18.

[18] Neemias 4.17.

[19] Isaias 50.4.

[20] Como nos dizem Êxodo 4.10-23, Jeremias 1.6-10, Mateus 28.20, 2 Coríntios 12.9.

[21] Zacarias 4.7.

[22] “A grande e árdua obra nós nos esforçamos para realizar completamente, mas penso

que nada é difícil para aquele que ama.” — Cícero.


Autor: Charles Bridges

Charles Bridges (1794-1869) foi pregador e teólogo da Church of England e líder do Partido Evangélico daquela denominação. Ficou reconhecido como pregador por seus contemporâneos, mas é lembrado, hoje, por suas contribuições literárias. Formado no Queens College, Cambridge, foi ordenado em 1817 e serviu como pastor da Old Newton, Suffolk de 1823 a 1849. Bridges participou juntamente com J.C. Ryle da Conferência Clerical de 1858, em Weston-super-Mare, e em 1860, da consagração do bispo de Carlisle em York Minster. Foi casado com Harriet Torlesse, com quem teve dois filhos, um deles o médico John Henry Bridges.

Ministério: Editora Fiel

Editora Fiel
A Editora Fiel tem como missão publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando a edificação da igreja de fala portuguesa ao redor do mundo. Atualmente, o catálogo da Fiel possui títulos de autores clássicos da literatura reformada, como João Calvino, Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, bem como escritores contemporâneos, como John MacArthur, R.C. Sproul e John Piper.

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